Encerrando o assunto
Antonio Carlos Coelho *
Por muitas edições escrevi sobre Israel, suas cidades e locais de visitação. Para mim foi um exercício da memória e, de certa forma, uma maneira de aumentar a saudade. E, parafraseando “Outra Vez”, de Roberto Carlos, Israel é a saudade que eu gosto de ter, só assim, a sinto perto de mim outra vez. Espero não ter deixado de lado nenhuma cidade relevante para história e que apresente algum local de interesse ao turista ou ao amante daquele país. Talvez tenha até exagerado em algumas ocasiões com detalhes distantes da memória, ou da visão daqueles que viajam a Israel.
Embora a coluna tivesse como título “Turismo”, faltou muito para isto. Não tratei de hotéis e de seus preços de estadia, vôos, restaurantes e custos de viagem. Escrevi sobre cidades, sobre o país que preserva uma rica história documentada nas escavações e museus. Espero ter traduzido o mais importante: o gosto pela história e seu significado que tem para o povo judeu; o esforço contínuo de preservação do passado que se contrasta com indústrias da mais avançada tecnologia, hoje a maior riqueza de Israel.
Escrevi também, durante esse tempo, sobre os povos e religiões que dividem por séculos o mesmo território. Santuários judaicos, muçulmanos e cristãos estão abertos a todos os visitantes e crentes que queiram, a qualquer época do ano, fazer sua visita e dirigir, da Terra Santa, suas orações a D-us e meditar sobre passagens bíblicas.
Enfim, acredito ter mostrado que Israel é muito mais do que estamos acostumados a ver pelos noticiários e programas especiais de televisão apresentados na Semana Santa. Que não é um país onde reina o conflito, mas que é local também harmonia, de prosperidade e progresso. Que é um país democrático – talvez excessivamente democrático – para suportar tantas pressões externas, políticas e bélicas. Nenhum outro país, que preza sua soberania e seu povo, teria tamanha tolerância com seus vizinhos como tem Israel.
A partir das próximas edições de Visão Judaica estarei escrevendo sobre outros temas, não mais sobre o país, mas sobre pessoas e fatos que marcaram a história, que deixaram uma herança cultural que permitiu o povo judeu permanecer em Israel ou fora por vinte séculos na integridade de valores e costumes. Não sei ainda como irá se chamar a nova coluna. Ficará a cargo dos editores do jornal, de comum acordo com este colunista.
Quero continuar a escrever sobre o que mais gosto e, principalmente, continuar colaborando com um jornal que se revelou um dos mais importantes veículos de comunicação judaica da América Latina. Espero, também, poder continuar com meus leitores que dão sentido ao meu trabalho. A todos, o meu sincero agradecimento e até a próxima coluna.
* Antonio Carlos Coelho é professor, colaborador do jornal Visão Judaica e diretor do Instituto Ciência e Fé. |