O que a história nos conta
Por:
Edda Bergmann *

As três grandes religiões monoteístas têm uma origem comum em Abrão, na cidade de Ur, na Caldéia. O judaísmo descende de Abrão e Sara, portanto de Isaac e Jacó e seus doze filhos. O arabismo descende de Abrão e Hagar, portanto de Ismael a quem D-us disse: “Farei de teus descendentes um grande povo”. O cristianismo descende de Jesus, o nazareno, uma dissidência do judaísmo e se divide em catolicismo e cristianismo.
Existem judeus árabes que moravam e viviam em países árabes até a guerra do Suez em 1956, quando eles foram expulsos com a roupa do corpo e se dispuseram pelo mundo. Existem judeus árabes que moravam e viviam em países árabes até a guerra dos Seis Dias, quando eles foram expulsos com a roupa do corpo e se dispuseram pelo mundo.
Existem árabes cristãos como os maronitas no Líbano e os drusos em Israel e no Líbano. Existem também árabes muçulmanos e cristãos não árabes como cidadãos israelenses, com plenos direitos a votos e a serem eleitos para o Knesset (Parlamento de Israel).
Os muçulmanos se dividem em xiitas e sunitas, que não se dão entre si. Uns são descendentes da filha de Maomé, Fátima e de seu filho, os outros descendem do poderio dos califas. As lutas pelo poder temporal e religioso entre estes dois grupos são enormes em todos os países do mundo árabe. Suas cidades santas são Meca e Medina.
O Irã é um país persa e não árabe como muitos pensam.
Os judeus se dividem em asquenazitas e sefaraditas de acordo com seus países de origem, mas não existem lutas religiosas entre eles e inclusive, está provado que eles têm o mesmo DNA, ou seja, geneticamente falando, a mesma origem, sua cidade santa é Jerusalém.
Os cristãos se dividem em católicos, cristãos protestantes e cristãos evangélicos.
Os católicos têm em Roma a sede do catolicismo e seu líder mundial é o Papa, hoje Bento XVI.
Os protestantes descendem de várias lideranças e dissidências: Martim Lutero (os luteranos, em sua maioria alemães), Calvino (os calvinistas, em sua maioria suíços), os anglicanos, em sua maioria ingleses e americanos, que descende de Henrique VIII, rei da Inglaterra e seu sisma religioso; os presbiterianos, a Igreja de Cristo dos últimos dias, os Mórmons, os pentecostais, os evangélicos, os adventistas e outras seitas cristãs que estão surgindo.
Como vemos, só as religiões que tiveram origem em Abrão são de uma variedade imensa e abrangem grande parte, se não a maior parte do planeta Terra.
Mas apesar de sua origem comum, elas se digladiam e se combatem até a morte de seus fiéis, e a vida em comum torna-se cada vez mais difícil e complicada, na luta, principalmente pelo poder temporal.
Invocando leis divinas exclusivistas, cada um se sente dono absoluto, até o imponderável dos relacionamentos humanos que torna cada um atravessado no caminho do outro.
O que deveria ser uma convivência pacífica, torna-se brutalidade pura até em seus ataques pessoais e coletivos, em suas facções tremendamente superadas e antagônicas em suas possessões materiais, extremamente acalentadas e seus interesses e influências diplomáticas e coletivas de uma frieza extrema e de uma agressividade inconcebível.
Hoje as religiões de origem comum não se entendem, não combinam, não se respeitam, não se aturam e se tornam discrepantes umas das outras.
Assim mesmo, existem movimentos internacionais que começaram logo após o Holocausto de Hitler, em que pereceram 6 milhões de judeus, sendo 1 milhão e meio de crianças, que sequer tiveram o direito de ver o raiar de um novo dia, vidas truncadas por um movimento insano de destruição total do ser humano. Crianças massacradas diante dos olhos de suas mães.
Após esta tragédia humana de condição e alma inaceitáveis, o Papa João XXIII e a ordem de Sion na França, concluíram que isto nunca deveria ter acontecido sobre a face da Terra.
Formaram-se, então em escala internacional os “conselhos de fraternidade católico-judaicos e em seguida cristão-judaicos”, para um diálogo comum de fraternidade e coexistência pacífica e humana.
O Papa João XXIII convocou o Concílio Ecumênico do Vaticano II e mudou os rumos da Igreja católica, após ter convivido na Itália com a tragédia que se abateu sobre os judeus, na Itália nazi-fascista durante a Segunda Guerra Mundial, que ele sentiu na própria pele.
Estes Conselhos de Fraternidade têm trabalhado intensamente. No Brasil temos a sede do Conselho de Fraternidade Cristão-Judaico do Brasil em São Paulo com um trabalho admirável, ladeado pelo Conselho Cristão-Judaico da CNBB e do Kornik – Conselho das Igrejas cristãs.
Quem quiser colaborar, será sempre bem vindo.
Em escala mundial, estão tentando formar o Conselho das Igrejas Abrâmicas, tentando incluir o islamismo, mas não tem sido nada fácil, principalmente agora com todo poderio de fogo dos diversos aiatolás, os homens-bomba em nome do Islã, suas características destruidoras de vidas humanas, e as interferências do Irã e da Venezuela querendo varrer Israel do mapa, dominar o mundo através do Islã, transformar o Holocausto em um circo bizarro, com a maior falta de respeito possível e exercer o domínio do mundo pelo Islã.
Para onde caminhamos?
Quem viver, verá!

* Edda Bergmann é vice-presidente Internacional da B’nai B’rith.