Akko - 2
Antonio Carlos Coelho *
Na edição de julho escrevi sobre Akko, cidade no litoral norte de Israel. É uma bela cidade, com muitos locais de interesse histórico que revelam, principalmente, as presenças dos cruzados e dos muçulmanos.
Durante o período de domínio europeu, Akko recebeu o nome de São João D’Acre devido aos Cavaleiros de São João que se estabeleceram na cidade. Esse nome permaneceu até 1291, quando os cruzados foram expulsos definitivamente da cidade pelos mamelucos. Mas, os europeus, durante o tempo que dominaram a cidade, deixaram marcas que podemos vê-las em condições muito próximas ao que eram. Temos como um belo exemplo, ao norte da cidade, a construção do que foi um hospital e centro de hospedagem para os peregrinos que chegavam na Terra Santa. Ao lado, há um anexo em estilo próprio da arquitetura medieval, conhecido como Sala dos Cavaleiros. É uma área com colunas e capitéis em mármore em bom estado de conservação. Dali se pode ter acesso a outras dependências, quartos talvez, que abrigavam os moradores e hospedes das lideranças cruzadas.
Próximo a esse centro de hospedagem estão os “Banhos Turcos” – construídos por Pasha el Jazzar em 1781 e usado até 1947, quando foi danificado por uma explosão. Hoje os “Banhos Turcos” estão restaurados à sua condição original e servem como museu municipal.
No outro lado da rua, saindo dos Banhos Turcos, há um local conhecido por “Refeitório”, ou Cripta de São João. Ali está o mais belo exemplo da construção cruzada em Israel. Imensas colunas sustentam o mais antigo teto gótico do mundo. Deste local pode-se ter acesso a um túnel subterrâneo usado pelos cruzados para atingir o porto da cidade, principalmente durante o período de guerra contra os muçulmanos. A visita ao túnel não é recomendada para quem sofre de claustrofobia.
Ainda, no mesmo setor da cidade, está a Mesquita Al Jazzar. Ela é considerada a mesquita mas bela de Israel. Foi construída por Ahmed Al Jazzar durante o seu governo, de 1775 a 1804. Al Jazzar, o açougueiro, como era conhecido, graças ao seu caráter, está enterrado juntamente com seu filho adotivo ao lado da mesquita.
Akko se transformou num importante porto comercial. Mantinha comércio com centros europeus como Gênova, Veneza e Marselha. Muitos produtos, cereais principalmente, vinham da Galiléia para serem exportados através desse porto.
Ao sul da cidade, próximo ao farol e a Igreja de São João encontra-se uma construção do que foi o centro de hospedagem dos cavaleiros templários franceses. Estes viviam próximos ao farol, separados dos outros cavaleiros, mantendo suas instituições próprias.
Na frente do porto de Akko está uma pitoresca praça fechada pelos seus quatro lados. É a Praça Veneza. Nada lembra a cidade italiana, mas sua arquitetura e o ambiente provocam no visitante a impressão de estar na máquina do tempo, retrocedendo séculos na história. Bem, na verdade, visitar Akko é retroceder na história. Mergulha-se na Idade Média nos mercados, nas ruas, nas sombreadas vielas de comércio de tapetes, cerâmica e metais trabalhados, nas muralhas e nos seus subterrâneos.
* Antônio Carlos Coelho é professor, diretor do Instituto Ciência e Fé, e colaborador do jornal Visão Judaica.
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