Um eterno recomeço
Por: Daniel Benjamin Barenbein *


Estamos em Elul, às portas do novo ano. Em breve vivenciaremos mais um Rosh Hashaná. Um recomeço (este artigo está sendo escrito antes da data. Mas caso você esteja lendo depois de Rosh Hashaná, não se sinta incomodado em por os tempos no presente ou no passado). E com o que aportaremos de bagagem conquistada neste 5766? E temos do que nos arrepender?

Não sei, nem ousaria falar em termos individuais dos meus leitores. Eu posso falar sobre mim e sobre a nação judaica como um todo. Pessoalmente, este ano foi de crescimento infindável. Revi conceitos, tentei cumprir mais mitzvot, me empenhei ainda mais em trabalhos comunitários e etc...

Mas não é de mim que vim falar aqui. Minha proposta é comentar sobre o povo judeu.  Este ano foi extremamente difícil para Am Israel. Vimos cisões internas, discussões, judeu expulsando/retirando judeu de suas casas e finalmente a entrega de parte de nossa terra bíblica aos nossos inimigos.

Não quero entrar aqui em meandros políticos, se foi correta ou não a entrega. Se é um mal necessário ou não. O certo é que estamos correndo enormes riscos de segurança e que destruímos vidas e trabalho de pessoas que viram filhos, netos e bisnetos nascerem em Gush Katif. Tudo em troca da “paz” ou de uma “diminuição do atrito”.

Mais uma vez o povo judeu se auto-inflingiu dores para tentar alcançar o que sempre lutou história afora: Shalom. Acredito que mesmo aqueles favoráveis à entrega de Gaza, sentiram uma dor no peito ao ver os grandes empreendimentos lá alcançados pelos nossos irmãos irem embora. Impossível ficar parado e não se comover com a cena de desmonte das sinagogas, das torót sendo levadas e de soldados chorando abraçados aos assentados.

Quem não ficou bobo e impressionado com a reunião de 250 mil pessoas no Muro das Lamentações que foram rezar pelas comunidades de Gaza e do norte da Samária?

A tudo isto tivemos que superar, e olhar para frente. Tivemos um Tishá Be Av bem difícil. Passamos pelo período de consolação, e estamos agora diante de uma nova época. Aprendemos lições, crescemos, e continuamos torcendo para que os três pilares básicos em que se sustenta este mundo possam finalmente ser alcançados: verdade, justiça e paz. 
Nossa parte fizemos. A verdade fica por conta da mídia agora, e do que ela vai relatar nos próximos tempos. Até agora o que se viu não foi nada animador. Distorções sobre a saída de Gaza, minimização das dores israelenses e do passo firme que o país deu em troca de um entendimento.

Da mesma maneira, em lugar algum da imprensa se leu ou viu-se sobre as imensas contribuições israelenses - tanto de remédios, como de infra-estrutura e pessoal - nos desastres naturais da Índia e de Nova Orleans, nos Estados Unidos. Para variar, Israel foi o primeiro país a mandar ajuda para estes locais. Vocês viram isso em algum lugar?

Rosh Hashaná é tempo de alegria e música. E como música me lembra Beatles e os dois grandes gênios do setor neste século que se passou, John Lennon, Z’L e Paul Macartney, é com eles que vou encerrar. Na última música do álbum ”Abbey Road“, “The End”, eles colocam: “E no final, todo amor que você leva é proporcional ao amor que fez”.

Isto ninguém vai tirar de nós. Podem não contar nossos feitos na Índia e Nova Orleans. Mas ninguém vai apagar o que fizemos. D-us sabe nossa luta neste ano em busca de fazer deste um mundo melhor. D-us viu nossos sacrifícios, certos ou não, em prol de um mundo melhor. Talvez tenhamos do que se arrepender este ano sim. Nossos irmãos evacuados de Gaza ainda aguardam uma solução para suas vidas. Mas nós também fizemos muito pelo nosso povo, recolhendo irmãos que necessitavam no mundo inteiro, trabalhando comunitariamente, criando e dando fôlego a projetos como o De Olho Na Mídia, que visa proteger nosso povo das falsidades e distorções que são ditas sobre ele. Lutamos por um mundo melhor. Buscamos ajudar os outros povos da humanidade. Crescemos, evoluímos nas desgraças, estamos superando dores e rachas internos gravíssimos, como não se viam há muito tempo. Distribuímos amor, muito amor. Merecemos recolher em igual proporção agora. Tanto dos homens, como principalmente de D-us.

Neste balanço de Rosh Hashaná e Iom Kipur, temos muito a ver e rever. Mas acredito que no final, nosso saldo continua tão positivo como sempre. E contrariando os Beatles, não existe final, existe recomeço. E neste eterno recomeço, nesta contínua roda da vida, desejamos que Hashem olhe para nós com piedade e misericórdia, vendo nossos bons atos, e nosso esforço, e encerre todos os sofrimentos, nossos e de toda a humanidade, trazendo logo - hoje ainda - Maschiach e a tão almejada redenção. Shaná Tová a todos!
           
* Daniel Benjamin Barenbein é jornalista, trabalha no site de combate a distorção na imprensa, "De Olho na Mídia" (www.deolhonamidia.org.br) e como coordenador do movimento juvenil Betar de SP. Ainda exerce voluntariamente cargos de Hasbará na Organização Sionista de SP, Espaço K e Aish Brasil, e como orador nas sinagogas Beit Menachem e Kehilat Achim Tiferet. Possui um livro publicado na internet sobre neonazismo digital: www.varsovia.jor.br