Todos somos israelenses!


A ameaça terrorista globalizou-se. Da página de qualquer dos Ministérios das Relações Exteriores no mundo, fica claro que hoje pode ser um risco visitar muitos lugares no mundo. Esta é uma mudança decisiva que ocorreu durante os últimos dois anos. Anteriormente, o terrorismo estava circunscrito a alguns poucos lugares, que se devia tratar de evitar viajar. Agora pode estourar em qualquer lugar - também em casa.

De muitas maneiras o público mundial está provando um pouco do remédio com o qual os israelenses têm que conviver durante décadas, provido por seus vizinhos e os terroristas palestinos.
Durante as últimas duas gerações o Estado de Israel deve ter sido o lugar na terra mais exposto ao terrorismo de todo tipo. Tem estalado sem advertências e sem razão. Cada dia a vida se transforma num caos e nunca se sabe se voltará a acontecer.

Por muito tempo tem sido fácil permanecer a uma distância conveniente dos suicidas em supermercados e dos mísseis em assentamentos, e instar Israel a mostrar equilíbrio, chamando-o de irrefreável em sua resposta ao terrorismo. “..Israel deve mostrar que é o forte e deve exibir a força necessária para conter-se em seus desejos de represália...", se escuta com freqüência nas capitais européias quando o terrorismo ataca novamente, e outra vez se espalha a morte e a destruição entre os civis do Estado judeu..

Frequentemente, a crítica a Israel chegou tão longe que na realidade negou ao Estado judeu o direito à simples autodefesa. Entre muitas pessoas da direita, mas também nas fileiras da esquerda, por exemplo, do Partido Social Democrata dinamarquês, Israel tem sido um símbolo incômodo das tantas injustiças neste mundo. A descrição do inimigo tem sido afavelmente em branco e preto. Mas agora a realidade parece ser um pouco diferente.

Agora, de repente, a experiência israelense nos fez reais. Agora, as bombas podem estourar entre nós em qualquer lugar. Enquanto que basicamente o Oriente Médio – leia-se: Israel – se acostumava em ser culpada pelo terrorismo internacional, agora parece que este atua sem uma lógica nem razão mais profunda que prejudicar o Ocidente e intimidar os seus cidadãos. De pronto, com todas as advertências existentes, não está tão em moda. Agora todos insistem numa luta ativa contra os tenebrosos terroristas e aqueles que estão por trás deles.

Se antes não o éramos, pelo menos agora, a esse respeito, todos nós tornamo-nos, de repente, israelenses.

1. Editorial publicado em 26/7 no jornal Jyllands Posten, de Copenhague, Dinamarca, um dos veículos de imprensa mais lidos naquele país e conhecido pelo seu noticiário imparcial. Sua circulação atinge 670 mil exemplares nos dias da semana e de 790 mil aos domingos.