Após o pecado do bezerro de ouro, Moshê (Moisés) rezou e, no dia dez do mês hebraico de Tishrei (13/10), D-us concedeu pleno perdão ao povo judeu.
Quando uma pessoa perdoa outra, isto se deve a um sentimento profundo de amizade e amor que anula o efeito de qualquer mal que tenha praticado. Do mesmo modo, o amor Divino é expressão de Seu amor eterno e incondicional. Embora possamos ter transgredido Sua vontade, nossa essência, a alma, permanece Divina e pura.
Iom Kipur é o único dia do ano em que D-us revela mais claramente que nossa essência e a Sua são uma só. Ao nível da alma, o povo judeu é todo igual e indivisível. Sempre que se demonstra a união essencial, agindo com amor e amizade, mais será revelado o amor de D-us.
Jejum
Meninas a partir de bat-mitsvá, doze anos de idade, e meninos a partir de bar-mitsvá, treze anos, precisam jejuar o dia inteiro e cumprir todas as leis referentes a este dia. Pessoas doentes devem consultar um rabino ortodoxo.
Desde antes do pôr-do-sol da véspera até o completo anoitecer do dia seguinte, é proibido: comer e beber; lavar-se (ao levantar-se pela manhã, é permitido lavar apenas os dedos e passá-los nos olhos); passar cremes, óleo ou maquiagem (no rosto ou no corpo); calçar sapatos (mesmo que parcialmente) de couro; e ter relações conjugais.
Horário das velas e jejum de 5766 / 2005
Dia 12/10 as velas devem ser acesas às 18h01.
Começo e término
Iom Kipur inicia-se às 18h01 quando escurece e o término será dia 13/10, às 18h56.
Col Nidrê
Chegando à sinagoga os homens vestem o Talit, xale de reza, ainda à luz do dia além da túnica branca (Kitel). Esta vestimenta simboliza a pureza sem pecado, pois neste dia somos comparados a anjos: não comemos, não bebemos, mas rezamos o tempo todo, e estamos livres de nossos pecados.
O serviço começa com a retirada dos Rolos da Torá por membros veneráveis da comunidade, que então tomam um lugar a cada lado do chazan, cantor. O chazan então lentamente recita o Col Nidrê três vezes em um tom solene, e todos repetem.
O serviço da noite segue-se à prece de Col Nidrê, com preces adicionais especiais que são rezadas apenas na noite de Iom Kipur.
Shacharit
Shacharit, a Prece Matinal é iniciada cedo. As preces são recitadas lenta e cuidadosamente lidas do Machzor, o livro-guia das orações de Rosh Hashaná e Iom Kipur. São retirados dois rolos da Arca para a leitura da Torá. No primeiro - é lido o início de Acharê Mot ("após a morte" - dos dois filhos de Aharon, o Sumo Sacerdote).
Diz-se que aquele que sinceramente derrama lágrimas pela grande perda dos dois filhos de Aharon não sofrerá tal perda na vida! Esta porção nos diz do sacrifício e do serviço de Iom Kipur feitos pelo Sumo Sacerdote no Templo Sagrado.
Yizkor
Yizkor ("que Ele se lembre") é recitado após a leitura da Torá, quando seus familiares mais próximos falecidos são lembrados em uma prece especial. Aqueles cujos pais estão vivos saem da sinagoga durante esta oração. Muitos que recitam o Yizkor não conseguem evitar de sentir remorso por terem se afastado do modo de vida tradicional que seus pais e avós levaram; sabem que seus pais teriam desejado que fossem mais leais e mais devotados à Torá e à tradição, e resolvem firmemente agradá-los no futuro, muito mais que no passado.
Mussaf
Mussaf (prece adicional) é então recitada, começando com Hineni ("Aqui estou, um pobre homem destituído de boas ações, etc.") recitado pelo chazan, cantor. Inclui um recital da maneira que o Sumo Sacerdote costumava oficiar no Templo Sagrado em Iom Kipur, e a confissão especial e expiação que ele oferecia em nome do povo de Israel. Era uma visão inesquecível vê-lo em suas túnicas alvas saindo do Santo dos Santos, onde tinha permissão de entrar apenas neste dia do ano.
Minchá
O aspecto mais destacado do serviço de Minchá é a leitura da Torá, e especialmente de Maftir (leitura adicional) quando o celebrado livro de Yoná é recitado, o qual nos conta o salvamento da cidade de Níneve através do arrependimento. D-us está sempre pronto a perdoar se a pessoa realmente fizer teshuvá, retornar, sinceramente ao bom caminho.
Neilá
Após Minchá, segue-se o solene serviço de Neilá (Encerramento), o clímax de todas as preces de Iom Kipur. A Arca é mantida aberta durante todo o decorrer desta prece. O serviço de Neilá é concluído com as exclamações do Shemá e Baruch Shem, nossa proclamação de destemida lealdade e determinação para morrer por nossa fé se necessário, como nossos santos mártires fizeram no passado.
Isto é seguido por aquela famosa declaração da unicidade de D-us: "O Eterno - Ele é o único D-us", pronunciada primeiro por nosso profeta Eliyáhu no Monte Carmel.
O último verso é repetido sete vezes de modo mais ardente. O Shofar é então soado num longo toque, e Iom Kipur é concluído com o voto de: "No próximo ano em Jerusalém!"
O shofar no final de Iom Kipur
Ao término do Serviço de Iom Kipur, o shofar é tocado por várias razões:
É o símbolo da vitória, como o clarim das trombetas dos exércitos vitoriosos ao voltarem do campo de batalha. O shofar anuncia a vitória sobre os nossos pecados e tentações.
O shofar nos lembra a Outorga das Segundas Tábuas. Moshê, Moisés, desceu do Monte Sinai pela última vez em Iom Kipur, trazendo as Segundas Tábuas com os Dez Mandamentos, recebidas com alegria e o som do shofar.
É um sinal de partida da Presença Divina, como está escrito: "D-us ascendeu ao som do shofar".
É um lembrete do shofar que costumava ser tocado em Iom Kipur para anunciar o Ano do Jubileu.
Está escrito que, ao término do jejum de Iom Kipur, uma Voz Celestial proclama: "Vão e comam o pão com alegria, pois D-us aceitou suas preces e os perdoou!" É por isso um Iom Tov e saudamos uns aos outros com "Bom Iom Tov". O toque do shofar serve também para chamar a atenção sobre a importância deste Iom Tov.
Arvit e Havdalá
Arvit, a Prece Noturna, e a Havdalá (cerimônia realizada ao final de Shabat que separa o dia santificado dos dias comuns da semana), introduzem o breve intervalo de quatro dias até a chegada de Sucot. "Bom Iom Tov" é a saudação após a prece, e todos se sentem felizes e confiantes de que D-us com certeza aceitou nossas preces e inscreveu e selou a todos para um bom ano.
Se a lua pode ser avistada, costuma-se dizer a prece de "Kidush Levaná", sem pesar por ter de prolongar o jejum por mais alguns minutos.
Após quebrar o jejum, costuma-se fazer a primeira preparação para a construção de uma sucá, como um sinal de nosso desejo em cumprir mais uma mitsvá. (www.chabad.org.br).