Não poderemos restaurar nossa imagem até que reconheçamos a vergonhosa verdade: a maioria dos atos terroristas são realizados por muçulmanos. Não se pode dizer, é claro, que todos os muçulmanos são terroristas, mas devemos reconhecer que a maioria dos terroristas em atividade hoje em dia, no mundo, é muçulmana.
Os seqüestradores das crianças [da escola] de Beslan, na Ossétia do Norte, eram muçulmanos; o seqüestro e assassinato dos trabalhadores nepaleses (e outros) no Iraque, também são muçulmanos; os estupradores e assassinos em Darfur, no Sudão, são muçulmanos, assim como também suas vítimas; aqueles que explodiram o complexo habitacional saudita em Riad e em Jubar, e os que seqüestraram os dois jornalistas franceses no Iraque, eram muçulmanos.
A maioria daqueles que, em atos suicidas, explodiram automóveis, escolas, construções e edifícios públicos durante a última década, são muçulmanos. Que tristeza! O que estas ações dizem a nosso respeito? Se juntarmos todos os pedaços, a imagem nossa que fica é degradante, deprimente e vergonhosa. Devemos reconhecer que este é um retrato preciso da realidade – e não escrever longos artigos ou nos vangloriar com belas palavras a fim de lavar nossa culpa.
No momento em que reconhecermos a doença, poderemos encontrar o remédio. A própria cura sempre começa com o reconhecimento. Assim, dependerá de nós mesmos recuperar nossos filhos, que são o produto natural da cultura que se corrompeu e se desviou do caminho correto.
Um de nossos pregadores mais famosos, o xeque Iusef el Kardaui, declarou publicamente que, do ponto de vista religioso, é permitido matar cidadãos norte-americanos no Iraque. Como se pode imaginar que uma autoridade religiosa, seja qual for, incite a matar cidadãos? Um respeitável ancião que exorta jovens a assassinarem pessoas, enquanto duas de suas filhas estudam sob a proteção das forças de segurança da “herege” Grã-Bretanha.
Como teria reagido um pai, como ele, frente à mãe de um jovem norte-americano, Nicholas Berg, cuja cabeça foi degolada porque ele foi ao Iraque trabalhar como engenheiro? Como se pode, depois de uma coisa assim, dar qualquer credibilidade a este xeque quando diz que o Islã é uma religião misericordiosa, humanitária, indulgente? Quando ele mesmo, o xeque, a transformou numa religião que derrama sangue?
Antes da época atual de nossos extremistas, os homens de esquerda e os nacionalistas adotaram o princípio da violência. Naquela época, a mesquita era um refúgio da paz e os líderes religiosos exortavam à compreensão e aos valores morais.
Por conta desses “novos” muçulmanos, todo o Islã é atualmente culpabilizado sem razão alguma. Esta religião não é culpada pelas mudanças de que é acusada, porque não faltam passagens do Corão que descrevem o assassinato como um crime abominável – e inclusive o refutam tão fortemente até à proibição de matar uma mosca, além de assegurar uma recompensa a quem resgate algo roubado com astúcia e engodo.
Uma coisa é clara: receamos o desprezo e a humilhação por integrarmos [o mesmo grupo] dos que fazem crianças e jornalistas de reféns, e que matam cidadãos e explodem ônibus, não importando quais sejam os sofrimentos causados. Este é o perfil daqueles que corromperam o Islã e que dele fizeram uma afronta, uma vergonha.
Não poderemos restaurar nossa imagem manchada até que sejamos capazes de reconhecer esta vergonhosa verdade: a maioria dos atos terroristas no mundo são levados a cabo por muçulmanos.
* Abd el Rajman el Rashid é muçulmano e escreveu este texto no jornal egípcio Al Shark el Ausat e foi republicado também no diário israelense Haaretz. Publicado no site De Olho na Mídia (www.deolhonamidia.org.br) em 27/10/2004, com tradução de Gisella Gonçalves.