Primeiro Mundo: A velha diplomacia está morta
Por: Zvi Mazel *


Você deve lembrar-se de mim. Eu era o embaixador israelense na Suécia que foi confrontado com a assim chamada “montagem de arte”, em Estocolmo, em janeiro de 2004, que glorificava os suicidas-bomba. Era uma representação do ataque suicida a bomba que assassinou 22 pessoas inocentes e mutilou dúzias mais, flutuando serenamente numa piscina de sangue, em um pequeno barco intitulado "Branca de Neve".

A "arte" me mostrou que não há limites para as mentiras lançadas contra Israel ou o ódio ao povo judeu. Também senti que tínhamos desistido de tentar reverter o terrível declínio de nossa imagem, especialmente entre a opinião pública européia.

Então, decidi interromper a exibição, e desliguei as luzes que a iluminavam. Talvez não tenha sido um passo muito diplomático, mas trouxe o assunto à evidência e levou a uma discussão saudável na Suécia e em outros lugares. Israel precisa de um hasbará (esclarecimento, divulgação) agressivo. Quando eu era um embaixador, ficava aturdido em descobrir que muitas pessoas na Europa — inclusive jornalistas — estavam convencidas de que, em 1948, Israel ocupou a soberania do Estado palestino num caso clássico de colonização. A geração que testemunhou o renascimento de Israel está gradualmente desaparecendo e as pessoas mais jovens não conhecem a história do conflito israelense-palestino. Assim, quando a propaganda árabe fala sobre a "ocupação", parece ser fácil de entender por que Israel está sendo cobrado para terminar com esta situação anacrônica.

Nem sempre foi dessa forma. Até os Acordos de Oslo, de 1993, Israel mantinha uma política de informação que, embora não fosse a melhor, não abandonava completamente o campo para o outro lado.

Mas imediatamente depois de Oslo, o departamento de informação do Ministério das Relações Exteriores foi fechado; visto que Israel estava presumivelmente no caminho para a paz, não era necessário continuar explicando nossas políticas. Infelizmente, o outro lado teve uma idéia diferente, e redobrou sua propaganda.

Foi durante a implementação de Oslo que a narrativa árabe sobre o conflito teve êxito, inundando muitos campi universitários, convocando a extrema esquerda e até mesmo capturando esquerdistas mais moderados, enquanto Israel estava visivelmente ausente da arena. Os resultados se fizeram sentir em 2001, na Conferência de Durban, quando o mundo ignorou o empenho de Israel e condenou-o sem considerar os fatos.

A diplomacia tradicional não funciona mais. Conversações secretas entre chefes de Estado e ministros das Relações Exteriores, e as ações políticas realizadas diariamente pelos embaixadores e outros diplomatas, não são páreo para a incessante torrente de imagens e informação da mídia.

Ninguém pode vencer sozinho a guerra na mídia, mas alguns podem enfraquecer as mensagens de um oponente; alguns podem ajudar a mudar as perspectivas.

Em um nível governamental, tais esforços são chamados de diplomacia pública; o mundo acadêmico pensa sobre isso como uma forma de "poder brando".

Israel deve lançar, em grande escala, uma campanha preventiva de diplomacia pública, para reverter a maré do anti-semitismo ignorante que está se aproximando de nós. Temos que mudar nossa atual política — se é que se pode chamá-la mesmo de política — de reações retardadas, escusas e desculpas por uma estratégia forte que irá desafiar os árabes — levando a batalha para dentro de sua própria mídia e castelos de propaganda, e colocando-os na defensiva.
Temos que encarar uma série de fatores — desde o grosseiro anti-semitismo muçulmano, mentiras e distorções, passando pelo novo anti-semitismo da condescendência européia, até a atitude negativa da esquerda com suas convocações para boicotes e esbulhos.

Temos que dizer a verdade, pública e repetidamente: os próprios árabes são os culpados por seu subdesenvolvimento, e como ignoram seus direitos civis básicos, suas populações permanecerão pobres e analfabetas, reféns do desemprego e das doenças.

Esta situação, é preciso que se enfatize, reiteradamente, nada tem a ver com Israel ou com o conflito do Oriente Médio.
Ao mesmo tempo, devemos cobrar deles a condenação do terrorismo e que parem de chamá-lo de resistência. Devemos exigir deles suas desculpas por nos chamarem de porcos e macacos, por pisotearem nossa bandeira, por todas as mentiras que escrevem sobre Israel e os judeus. Precisamos analisar suas declarações e seus textos e revelar suas falsas argumentações. Devemos recordá-los de sua participação promovendo a escravidão na África Oriental.

Devemos incentivar governos, clérigos e intelectuais em países árabes a procurar suas almas, e não escondê-las atrás de condenações não sinceras, como alguns deles fizeram após as explosões em Londres.

Na Europa e na América, precisamos exigir da mídia a renúncia da tendência de fechar os seus olhos ao terror — por exemplo, nenhum jornal ocidental condenou o seqüestro e o assassinato do embaixador egípcio no Iraque — e condenar o terrorismo de modo inequívoco. Chegou a hora de entender que o apaziguamento não irá funcionar, e que a Sociedade no Terceiro Mundo não concede um passe livre para o assassinato.

A Europa deve ser lembrada de sua longa história de perseguições e sofrimento infligido aos judeus — bem antes do Holocausto. Os europeus também têm algum espírito para encontrar.

Chegou a hora de mudar para uma campanha. Israel encontra-se perigosamente isolado, e esse isolamento pode piorar, já que não acredito que muitos de nós pensamos que o conflito esteja caminhando para a solução em breve.
Além disso, o silêncio europeu diante das pretensões árabes só lhes dá mais coragem e menos incentivos ao compromisso. O ódio árabe a Israel está em crescimento a despeito do desengajamento e a assim chamada melhoria nas relações com o Egito.

Duas coisas precisam ser feitas. Primeira, os políticos israelenses devem compreender que não há tempo a perder; o governo deve enfrentar o assunto como parte de sua estratégia para acabar com a cruel guerra terrorista que está sendo travada contra nós.

Segunda, precisamos criar uma emissora de TV árabe para transmissão de notícias, comentários e programas que irão mostrar nosso caso e nossas justificativas aos lares árabes através da região.

* Zvi Mazel, autor deste artigo, foi diplomata de carreira durante 38 anos, e embaixador na Romênia, no Egito e na Suécia. Ele aposentou-se no ano passado.