A jornalista e escritora espanhola Pilar Rahola, em palestra na Universidade Tuiuti, em Curitiba, em agosto, abordou a questão do terrorismo e a conjuntura atual no mundo. Ela também respondeu a diversas questões formuladas pelos acadêmicos. Para ela, mesmo após os atentados nos Estados Unidos, na Espanha e na Inglaterra, o mundo não sabe as verdadeiras razões do terrorismo. O Ocidente relaciona automaticamente os ataques terroristas à invasão do Iraque e do Afeganistão ou à interferência norte-americana nos países em desenvolvimento, sem perceber que comete um erro. Muito antes dos atentados a Nova Iorque, em 11 de setembro de 2001, esses conflitos já existiam, observou ela, durante a palestra na Universidade.
Na avaliação dela, os grupos integristas islâmicos, que eram vistos como aliados dos Estados Unidos na disputa contra a União Soviética durante a Guerra Fria (1945–1989), espalharam sua ideologia na pretensão do retorno à época dourada do Islã, a Idade Média. "Na Guerra Fria, dormimos muitas vezes com o inimigo. Hoje temos que enfrentar os problemas provocados pelo crescimento de uma ideologia totalitária", destacou.
Outro ponto destacado pela jornalista é que o terror não tem base na fome ou na miséria, mas se fundamenta em razões ideológicas: "São necessários 10 ou 15 anos para se fabricar um suicida. A invasão do Iraque foi há dois anos", compara. Para ela, o poder econômico que os grupos islâmicos radicais ganharam com a exploração de jazidas de petróleo, transformam o produto numa arma de destruição em massa.
Pilar criticou a postura de países como o Brasil, que supostamente assistem aos conflitos como se nada pudessem fazer contra eles. Segundo ela, a tecnologia que permite a transmissão de notícias ao vivo sobre atentados terroristas coloca o mundo em contato direto com a Idade Média (ou com o que os grupos islâmicos resgataram dessa época). Convencida de que a cultura do ódio atravessou 1,5 mil anos, ela acredita que uma reação global pode derrotar a intolerância.
Falando sobre a retirada de Gaza por parte de Israel, ela observou que isso significa que a sociedade palestina não segue um critério democrático. O número de pessoas que retiradas de lá é muito pequeno. Um Estado democrático palestino poderia ter 8 mil judeus em seu interior.
Outro aspecto abordado por ela é que “a pressão aplicada a Israel deveria ser direcionada também a países como o Irã, a Síria, para acabar com o financiamento ao terrorismo. O que as organizações terroristas querem é que Israel desapareça. O Hamas fala de uma república islâmica, não de um Estado palestino”.
Pilar Rahola foi vice-prefeita de Barcelona, deputada no Parlamento Europeu e deputada no Parlamento espanhol pelo partido Izquierda Republicana Catalana. É uma das mais prestigiadas jornalistas da TV e imprensa espanholas. Atualmente, é articulista dos jornais espanhóis El País, El Periódico e Avui (catalão) e apresenta um programa de entrevistas na televisão espanhola. Participa constantemente de debates públicos e congressos internacionais sobre a relação do Ocidente com o Mundo Islâmico. Cobriu conflitos como a guerra entre Etiópia e Eritréia, a guerra dos balcãs, a queda do muro de Berlim, o ataque ao Parlamento Russo e o processo de independência dos países bálticos. É doutora em Filologia Hispânica e Catalã pela Universidade de Barcelona. Tem vários livros publicados em castelhano, catalão e português.