Metha, Barenboim. Feidman…
Por: Martha Wolff *

Barenboim deslumbrou o público argentino e disse que o país era um exemplo de convivência entre religiões. Deu conferências, concedeu entrevistas, movimentou-se como um Messias e poucos se ocuparam de contradizê-lo ou afrontá-lo. Por que tanta condescendência? Indubitavelmente ao mundo faz falta um novo líder, um homem que encontre as soluções ou utopias ante as falências difíceis de encontrar nas mãos da ineficaz política como meio de solução dos graves problemas. E chegou um gênio musical, com um grande poder de sedução, que como os condutores de massas diante de seus discursos megalômanos deslumbram e transformam os desorientados em seus aliados. Não nego que seu objetivo é maravilhoso se ficasse restrito ao exemplo de uma orquestra, mas suas propostas são unidirecionais e favorece com suas declarações com música de fundo de Wagner à esquerda intelectual e política e à direita inconsistente em aplaudir suas propostas. Barenboim é um cultor da vítima palestina esquecendo a vítima israelense, favorecendo a imprensa mundial com sua filosofia da convivência enquanto a realidade é outra.

Parece-me maravilhoso seu trabalho pessoal de aproximar os jovens de duas sociedades em litígio para que se conheçam e para que através de suas capacidades instrumentais e diálogo compartilhem um grupo que seja um farol de esperança. Parece-me magnífico que um adolescente muçulmano e outro judeu se olhem nos olhos e se vejam pela primeira vez cara a cara. Deleita-me a idéia de que não sejam os dirigentes interessados e pressionados por interesses os que obtenham sua amizade em vez de fazê-los inimigos. O que me incomoda é que tudo o que Barenboim fez foi positivo para a comunidade árabe em matéria de aproximação interreligiosa dando prioridade de espaço. De todo seu objetivo, contudo, esqueceu de levar os membros de sua orquestra aos edifícios onde o terrorismo destruiu a Embaixada de Israel e a Amia, e colocar em sua turnê a educação desses jovens, para demonstrar sua equilibrada mensagem, levá-los também a Jerusalém da mesma maneira que foi a Ramallah em 21 de agosto. Esta falta ante seu ser judeu me incomodou e é por isso que escrevo este artigo.

Comparando a atuação que o maestro hindu Zubin Metha tem e teve na Filarmônica de Israel, com a de Barenboim, sinto que há uma grande diferença. Metha com seu prestígio comprometeu-se com todo o tipo de colaboração para sustentar essa orquestra pelo que ela significa e Barenboim com sua veemência se colocando como campeão de uma causa que excede seu rol de músico. É verdade que a música apazigua as feras, mas ele de sua batuta, não é o domador do conflito do Oriente Médio.

Pelo contrário, no dia 20 de agosto, na cidade alemã de Colônia, no encentro mundial de jovens católicos, o clarinetista israelense Giora Feidman, convidado pelo Vaticano, tocou música klezmer com seu sexteto multicultural e religioso e estreou uma canção baseada na história de sua família que ao emigrar pelas perseguições anti-semitas na Europa foi tomando de cada lugar sua música e interpretou as melodias: “Evenu Shalom Aleichem “, “Alegria”, uma prece judaica, a “Ave Maria” e mostrou ao público a canção “Bendiga a teus filhos, Bless your sons”, escrita pela compositora israelense Ora Bat Chaim.

Feidman faz anos que dá concertos em igrejas, e de sua clara identidade e solidão faz tanto como Barenboim, por isso vale a pena destacar seu trabalho de mensageiro da paz sem tanto conflito pessoal e com objetivos tão transparentes como é o de chegar ao coração de muitas pessoas que por discriminação odeiam o nosso povo.

Três histórias, três homens, três formas diferentes de lutar pela confraternização dos povos…

Três mosqueteiros com diferentes meios para chegar ao mesmo fim… e em silêncio milhares de grupos ignorados que lutam e se reúnem em Israel para a convivência entre israelenses e palestinos com a participação de árabes, palestinos, sírios, libaneses e sabras.

* Martha Wolff é jornalista escritora, conferencista internacional e dirigiu várias publicações culturais de intercâmbio argentino-israelenses. Escreve roteiros para televisão e teatro. Publicou 10 livros, entre os quais “Inmigrantes judíos pioneros de la Argentina” e “Judíos Argentinos & judíos y argentinos”. Há cinco anos tem um programa na Rádio Chai, de Buenos Aires, que se chama: ”Mulheres em Ação”. É colaboradora do site israelense de língua espanhola, Por Israel (www.porisrael.org), parceiro do jornal Visão Judaica.