Jornalista dedica sua vida à liberdade e a preservação da memória do Holocausto
A Sala do Conselho da USP esteva lotada para a solenidade que homenageou o escritor e jornalista Ben Abraham, que recebeu das mãos do reitor Adolpho José Melfi, a Medalha de Honra ao Mérito da Universidade de São Paulo. Presentes a solenidade estiveram o vice-governador do Estado de São Paulo, Cláudio Lembo, o ex-reitor Jacques Marcovitch, responsável pela indicação do nome de Ben Abraham para a homenagem, o secretário de Participações e Parcerias do Município de São Paulo Gilberto Natalini, a professora Maria Luiza Tucci Carneiro, secretária executiva do Laboratório de Estudos da Intolerância LEI/USP, o presidente da Confederação Israelita do Brasil Berel Aizenstein, e o presidente da Federação Israelita do Estado de São Paulo, entre outras autoridades.
Em sua saudação ao homenageado, o reitor da USP destacou os inúmeros prêmios e condecorações que o presidente da Sherit Hapleitá do Brasil e vice-presidente da Associação Mundial dos Sobreviventes do Nazismo recebeu, entre elas, a Chave de Ouro do Instituto Yad Vashem, de Jerusalém (Museu do Holocausto).
Mas o reitor falou também do desafio de usar as pesquisas científicas para o bem da humanidade, destacando o caso extremo da utilização dos novos conhecimentos sem ética, ocorrido na Alemanha nazista. Parafraseando Primo Levi, também ele um sobrevivente do nazismo, que indagava: “É isto um homem?”, disse o professor doutor Melfi: “quando vemos o desvirtuamento das conquistas científicas, pergunto aos professores: É isto um cientista”?
Depois, o reitor citou Elie Wiesel, outro sobrevivente, lembrando sua dolorosa constatação: “No campo de concentração não encontrei um monstro, encontrei funcionários, a verdade é que eram seres humanos que executavam ordens com precisão”.
Falando sobre o homenageado, disse que Ben Abraham faz de sua memória individual um libelo contra o totalitarismo, para que este mal não volte nunca mais, para que jamais esqueçamos a valorização da vida e lembremos dos que tombaram vitimas dos fanatismos. “Estendo esta homenagem a todos os professores judeus que têm ajudado a construir esta Universidade diariamente. Estes professores têm honrado a memória dos que tombaram”, concluiu o reitor.
A professora Maria Luiza Tucci Carneiro também falou da importância da memória, da preocupação de que o nazismo não se esgotou na 2ª Guerra Mundial, e da atuação da USP que compartilha esta “árdua tarefa de romper o silêncio dos campos de concentração para que os nazismos não voltem nunca mais”.
O vice-governador de São Paulo, Cláudio Lembo, lembrou que desde que conheceu Ben Abraham há 30 anos ele “me dava lições de democracia e de liberdade, e me contava o que era viver sob o totalitarismo. Esta é uma casa de conhecimento e como tal só pode viver com a liberdade, que ele sempre me ensinou. Ben Abraham é um dos mais árduos defensores dessa idéia de dignidade humana que é um dos fundamentos do judaísmo”, disse, destacando o simbolismo da entrega da Medalha de Honra ao Mérito a Ben Abraham pela USP que é um homem que luta pela liberdade. E terminou dizendo: “Que o Eterno nos livre sempre desta tragédia que é o totalitarismo”.
Visivelmente emocionado, Ben Abraham falou entre outras coisas, da terra abençoada que é o Brasil, que recebeu calorosamente os sobreviventes do Holocausto, como faz com todos os que aqui chegam, e conclamou: “Nós brasileiros de todas as religiões temos que preservar as lições do passado, preservar a liberdade e lutar contra todas as intolerâncias”.