Rosh Hashaná e Iom Kipur em Israel
Antonio Carlos Coelho *
As festas de Rosh Hashaná e Iom Kipur fazem o número de visitantes aumentar significativamente em Israel. Muitos vão a Israel nessas ocasiões para passar com familiares essas importantes datas da vida judaica. O valor espiritual dessas festas, por si só, já é suficientemente forte, mas em Israel, esse valor é potencializado. Pode parecer estranho afirmar que uma festa de caráter exclusivamente religioso tenha seu valor e significado potencializados pelo fato de se está num lugar específico. Afinal, o judaísmo, por contingências óbvias, tornou-se uma religião de caráter universal permitindo seu povo manter a identidade e unidade mesmo longe da pátria por tantos séculos. O judeu precisa estar em sua terra para festejar suas datas e manter sua unidade? Não. A história nos dá provas disto. O judaísmo – religião – tradição – cultura – manteve-se intacto na sua pátria ou longe dela. Mesmo estando exilado, as orações, as festas, a literatura, mantiveram a alma judaica intimamente ligada a Israel por 20 séculos.
Celebrar Rosh Hashaná e Iom Kipur em Israel, festas de caráter unicamente religioso, ganha uma dimensão especial. O sentido espiritual dessas festas torna-se completo e isto ocorre porque se somam elementos fundamentais do judaísmo: o encontro com o Criador, o encontro com familiares e com a grande comunidade, reforçando assim, o sentido de união e identidade, e, por fim, estar na Terra de Israel - sinal do pacto eterno celebrado entre D-us e seu Povo desde os dias do Sinai. Nesses dias o judeu integra em si tudo aquilo que vem proclamando todos os dias do ano: a crença e submissão amorosa ao D-us Único, a identidade e sua relação com Israel.
Estar em Israel nos dias das festas é um daqueles momentos únicos na vida. São momentos que transcendem o tempo e que permitem experimentar a eternidade. Tudo aquilo que é essencial na alma judaica, que muitas vezes se confunde ao ambiente da diáspora, torna-se claro, vem à luz, confirmando – com alegria - o que significa ser judeu.
Encontrar com familiares em Israel nos dias das Festas é mais do que um estar junto por alguns dias e matar a saudades. É ver, na presença dos filhos e dos netos sabras, concretizada a presença judaica na terra. É ter o consolo de que, se muitas coisas não permitiram ou ainda não permitem a aliá, parte de si já foi beneficiada com as promessas feitas aos Patriarcas, que parte de si já concretizou, através dos filhos e netos, o sonho de vinte séculos. É ter a certeza de que a esperança não foi vazia.
Cada vez que alguém me conta que um filho fez aliá, ou que um neto nasceu em Israel, percebo em seus olhos um ar de saudades, mas também percebo um brilho que traduz o sentimento de realização e de concretização de vida. É como se os seus olhos estivessem me dizendo: fiz a minha parte por Israel e por nosso povo. Estou muito feliz.
Rosh Hashaná e Iom Kipur preconizam a reconciliação com D-us e com o semelhante. E, o que é reconciliação senão encontrar a integridade? Senão ver realizada a esperança? Senão experimentar a eternidade no reencontro com o passado e o futuro? Senão experimentar na presente Israel a futura redenção?
* Antonio Carlos Coelho é professor, colaborador do jornal Visão Judaica e diretor do Instituto Ciência e Fé.
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