Visão Judaica - Edição N° 26
:. Jerusalém (15)- Cidadela de Davi.:

Por: Antonio Carlos Coelho

A Cidadela de Davi é um dos cartões postais mais conhecidos de Jerusalém. Situado ao lado da Porta de Jaffa, o grande edifício, hoje restaurado pela municipalidade, abriga um belíssimo centro de cultura onde são apresentados filmes e são feitas palestras sobre a história da Cidade aos grupos de visitantes.
Pela sua posição privilegiada, compõe, juntamente com as muralhas, uma paisagem que, por sua beleza, é explorada por artistas, pintada em porcelana, em quadros e até mesmo em sofisticados talitot em seda.
A antiga construção, embora receba o nome de Davi, nada tem com o tempo do seu reinado. Este nome vem, provavelmente, de um relato feito por um peregrino anônimo do século 6. No local que hoje podemos visitar, havia uma construção da segunda metade do século 1 a.e.c, composta por três grandes torres que receberam os nomes Hippicus, Phasael e Mariamne, em homenagem a um amigo, ao irmão e a sua esposa de Herodes. No ano 70, com a tomada de Jerusalém por Tito, ela foi poupada. Em 135 foi destruída por Adriano, mas suas bases permaneceram intactas, servindo para as construções posteriores usadas para defesa de Jerusalém.
No período bizantino, o local serviu de retiro para alguns padres anacoretas. No tempo dos cruzados ela foi reconstruída e, em 1239, foi destruída pelo príncipe Kerak Malek, permanecendo assim até 1335, quando, durante o império otomano, recebeu sua forma atual. A torre que hoje desponta na paisagem da Cidade era, na verdade, o minarete de uma antiga mesquita.
Durantes as escavações realizadas nos anos 30 do século passado foram encontrados restos dos períodos judaico, hasmoneano e herodiano. Hoje, onde temos a “Torre de Davi” estava construída a torre de Phasael.
Recentemente a Cidadela de Davi foi restaurada, mantendo características arquitetônicas predominantemente do período dos cruzados. Em suas diversas salas estão dispostas peças que contam a história da Cidade. Dos seus terraços pode-se ter uma bela vista da cidade velha e de parte da cidade nova de Jerusalém. Em seu pátio interno, muito bem conservado e aromatizado pelo alecrim de seus canteiros, se pode ver restos de construções com marcas e símbolos dos povos que passaram por Jerusalém, mas que, no entanto, nunca se fixaram na Cidade por muito tempo e, nunca fizeram de Jerusalém o centro dos seus impérios.


* Antonio Carlos Coelho é professor, colaborador do Visão Judaica e diretor do Instituto de Ciência e Fé.

 

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