Por: Antonio Carlos Coelho
A Cidadela de Davi é um dos cartões postais mais conhecidos
de Jerusalém. Situado ao lado da Porta de Jaffa, o grande edifício,
hoje restaurado pela municipalidade, abriga um belíssimo centro de
cultura onde são apresentados filmes e são feitas palestras
sobre a história da Cidade aos grupos de visitantes.
Pela sua posição privilegiada, compõe, juntamente com
as muralhas, uma paisagem que, por sua beleza, é explorada por artistas,
pintada em porcelana, em quadros e até mesmo em sofisticados talitot
em seda.
A antiga construção, embora receba o nome de Davi, nada tem
com o tempo do seu reinado. Este nome vem, provavelmente, de um relato feito
por um peregrino anônimo do século 6. No local que hoje podemos
visitar, havia uma construção da segunda metade do século
1 a.e.c, composta por três grandes torres que receberam os nomes Hippicus,
Phasael e Mariamne, em homenagem a um amigo, ao irmão e a sua esposa
de Herodes. No ano 70, com a tomada de Jerusalém por Tito, ela foi
poupada. Em 135 foi destruída por Adriano, mas suas bases permaneceram
intactas, servindo para as construções posteriores usadas para
defesa de Jerusalém.
No período bizantino, o local serviu de retiro para alguns padres
anacoretas. No tempo dos cruzados ela foi reconstruída e, em 1239,
foi destruída pelo príncipe Kerak Malek, permanecendo assim
até 1335, quando, durante o império otomano, recebeu sua forma
atual. A torre que hoje desponta na paisagem da Cidade era, na verdade, o
minarete de uma antiga mesquita.
Durantes as escavações realizadas nos anos 30 do século
passado foram encontrados restos dos períodos judaico, hasmoneano
e herodiano. Hoje, onde temos a “Torre de Davi” estava construída
a torre de Phasael.
Recentemente a Cidadela de Davi foi restaurada, mantendo características
arquitetônicas predominantemente do período dos cruzados. Em
suas diversas salas estão dispostas peças que contam a história
da Cidade. Dos seus terraços pode-se ter uma bela vista da cidade
velha e de parte da cidade nova de Jerusalém. Em seu pátio
interno, muito bem conservado e aromatizado pelo alecrim de seus canteiros,
se pode ver restos de construções com marcas e símbolos
dos povos que passaram por Jerusalém, mas que, no entanto, nunca se
fixaram na Cidade por muito tempo e, nunca fizeram de Jerusalém o
centro dos seus impérios.
* Antonio Carlos Coelho é professor, colaborador do Visão Judaica
e diretor do Instituto de Ciência e Fé.