E os encarregados de investigá-lo acabaram denunciados perante a
Justiça
O Congresso Judaico Latino Americano dirigiu mensagem aos presidentes das
entidades filiadas a respeito do julgamento do Atentado contra a AMIA.
Diz a nota: O Tribunal de três juízes que durante os últimos
três anos julgou na causa pelo atentado contra a AMIA, emitiu um veredicto
unânime, cujo conteúdo na essência é o seguinte:
1. Decreta a nulidade da investigação que se baseou o Juízo,
absolvendo em conseqüência a todos os imputados. Esta nulidade
se ditou por considerar defeituosa a instrução do processo.
2. Denunciou criminalmente os altos funcionários do Governo de Meném
(Carlos Corach, o Secretário de Inteligência, o Chefe de Polícia);
três juízes federais que investigaram o atentado; parlamentares
que monitoraram a investigação; e Rubén Beraja, ex-presidente
da DAIA, por falso testemunho. Com estas denúncias o Tribunal está dizendo
que todas estas pessoas podem ter incorrido em delitos que viciaram a investigação.
3. Com o veredicto, a Causa AMIA volta ao ponto zero depois de dez anos e
sobre o crime terrorista se consolida a marca da impunidade.
O veredicto causou consternação na comunidade judaica. A advogada
da DAIA adiantou que recorrerão ante um tribunal superior, a AMIA
não opinou e disse que está estudando o feito. Um grupo de
familiares das vítimas anunciou que demandará contra o Estado
argentino ante as cortes internacionais. Na opinião pública
instalou-se o pessimismo sobre a possibilidade de que algum dia possa aclarar-se
o atentado e se critica fortemente os organismos do Estado, com particular
referência à época de Menem, por haver frustrado a investigação.
Em um setor da comunidade judaica critica-se Beraja por suposta contemporização
com o governo de Meném. A imprensa argentina qualificou de “vergonha
nacional” o desenlace deste julgamento. Houve, claro, manifestações
públicas de protesto.