Visão Judaica - Edição N° 26
:. Editorial.:

O conflito no Oriente Médio e a conivência com o terror

Alguma coisa parece estar mudando na mídia em relação a Israel. Logo após os últimos ataques assassinos com homens-bomba a dois ônibus, no início deste mês em Beer-Sheva, o Hamas assumiu a autoria dos atos terroristas. A seguir, a Agência Reuters, sempre pendente para o lado palestino, dessa vez mudou e terminou sua nota aos veículos de comunicação assim: "O Hamas prega não apenas a remoção dos israelenses da Cisjordânia e Gaza ocupadas, mas também a própria destruição do Estado Judaico". Mudança radical da linha editorial.
A Reuters também divulgou trechos da nota do Hamas, que mostram a extrema dificuldade de algum acordo. A tradução é literal do original em inglês e não deixa margem à dúvidas: "Nossa religião nos ordena a responder este tipo de agressão contra nós. Vocês (o povo israelense) são os que escolhem seus líderes e escolhem ser os escudos deles. Sendo assim, seus escudos vão receber mais golpes. Este é um presente para os recém-chegados à nossa terra (referência aos novos imigrantes que chegaram a Israel). Nós dizemos para vocês: Este é o seu destino, basta esperar".
Se muda a mídia, o mesmo não ocorre com as lideranças palestinas e árabes. O primeiro-ministro palestino Ahmed Qurei afirmou que um atentado do Hamas contra Israel, em retaliação ao último ataque contra um campo de treinamento daquela organização terrorista seria "justificável". As agências de notícias informaram que Qurei disse isso após a ação militar de Israel que matou 14 terroristas do Hamas, em Gaza, ressaltando: “Certamente haverá uma retaliação, e a retaliação será justificada, caso ocorra".
Ora, nada justifica o terror. A barbárie com as crianças russas em Beslan, é um exemplo da boçalidade dos terroristas. Em Gaza, o local bombardeado era um "campo onde um grupo estava treinando", disse o Hamas. Treinando o quê? Matança de civis inocentes! Por isso, ninguém pode tirar de Israel o direito de defender-se de assassinos, especialmente num momento quando treinam para matar pessoas. Considerando-se o longo registro de atentados terroristas do Hamas contra civis israelenses, incluindo os ataques contra os ônibus em Beer-Sheva, a manifestação do primeiro-ministro Qurei soa como incentivo oficial, estimulo pessoal e garantia de impunidade aos responsáveis pelos atentados terroristas contra Israel. Isso mostra, lamentavelmente, o quão longe está a solução pacífica do conflito no Oriente Médio.
Impunidade ao terrorismo, alias, é o que está acontecendo na Argentina, onde a Justiça, inexplicavelmente absolveu todos os implicados no atentado que há 10 anos vitimou dezenas de pessoas na explosão da sede da AMIA, em Buenos Aires. O tortuoso processo que se arrasta pelos corredores obscuros da burocracia judiciária argentina volta, assim, para a estaca zero das investigações, e é provável que os responsáveis nunca sejam punidos.
Não pode haver conivência com terroristas. A Autoridade Palestina não pode mais ficar numa posição ambígua em relação a isso, sob pena de perder para eles todo o controle, comprometendo a possibilidade de uma solução que favoreça o estabelecimento de um Estado palestino democrático. E o Estado argentino não pode ficar escondendo indefinidamente aquele crime hediondo e protegendo seus perpetradores.

A Redação

 

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