O conflito no Oriente Médio e a conivência com o terror
Alguma coisa parece estar mudando na mídia em relação
a Israel. Logo após os últimos ataques assassinos com homens-bomba
a dois ônibus, no início deste mês em Beer-Sheva, o Hamas
assumiu a autoria dos atos terroristas. A seguir, a Agência Reuters,
sempre pendente para o lado palestino, dessa vez mudou e terminou sua nota
aos veículos de comunicação assim: "O Hamas prega
não apenas a remoção dos israelenses da Cisjordânia
e Gaza ocupadas, mas também a própria destruição
do Estado Judaico". Mudança radical da linha editorial.
A Reuters também divulgou trechos da nota do Hamas, que mostram a
extrema dificuldade de algum acordo. A tradução é literal
do original em inglês e não deixa margem à dúvidas: "Nossa
religião nos ordena a responder este tipo de agressão contra
nós. Vocês (o povo israelense) são os que escolhem seus
líderes e escolhem ser os escudos deles. Sendo assim, seus escudos
vão receber mais golpes. Este é um presente para os recém-chegados à nossa
terra (referência aos novos imigrantes que chegaram a Israel). Nós
dizemos para vocês: Este é o seu destino, basta esperar".
Se muda a mídia, o mesmo não ocorre com as lideranças
palestinas e árabes. O primeiro-ministro palestino Ahmed Qurei afirmou
que um atentado do Hamas contra Israel, em retaliação ao último
ataque contra um campo de treinamento daquela organização terrorista
seria "justificável". As agências de notícias
informaram que Qurei disse isso após a ação militar
de Israel que matou 14 terroristas do Hamas, em Gaza, ressaltando: “Certamente
haverá uma retaliação, e a retaliação
será justificada, caso ocorra".
Ora, nada justifica o terror. A barbárie com as crianças russas
em Beslan, é um exemplo da boçalidade dos terroristas. Em Gaza,
o local bombardeado era um "campo onde um grupo estava treinando",
disse o Hamas. Treinando o quê? Matança de civis inocentes!
Por isso, ninguém pode tirar de Israel o direito de defender-se de
assassinos, especialmente num momento quando treinam para matar pessoas.
Considerando-se o longo registro de atentados terroristas do Hamas contra
civis israelenses, incluindo os ataques contra os ônibus em Beer-Sheva,
a manifestação do primeiro-ministro Qurei soa como incentivo
oficial, estimulo pessoal e garantia de impunidade aos responsáveis
pelos atentados terroristas contra Israel. Isso mostra, lamentavelmente,
o quão longe está a solução pacífica do
conflito no Oriente Médio.
Impunidade ao terrorismo, alias, é o que está acontecendo na
Argentina, onde a Justiça, inexplicavelmente absolveu todos os implicados
no atentado que há 10 anos vitimou dezenas de pessoas na explosão
da sede da AMIA, em Buenos Aires. O tortuoso processo que se arrasta pelos
corredores obscuros da burocracia judiciária argentina volta, assim,
para a estaca zero das investigações, e é provável
que os responsáveis nunca sejam punidos.
Não pode haver conivência com terroristas. A Autoridade Palestina
não pode mais ficar numa posição ambígua em relação
a isso, sob pena de perder para eles todo o controle, comprometendo a possibilidade
de uma solução que favoreça o estabelecimento de um
Estado palestino democrático. E o Estado argentino não pode
ficar escondendo indefinidamente aquele crime hediondo e protegendo seus
perpetradores.
A Redação