Por: Edda Bergmann
A Arábia Saudita é muito pouco conhecida do mundo
ocidental. Dirigida por uma monarquia com poderes especiais e
autoridade máxima, com mais de 400 príncipes e
princesas sustentados pelo governo, está começando
a ser contestada internamente pelos líderes religiosos
fundamentalistas que desejariam muito desestabilizá-la.
Hoje começa a se tornar vítima de atentados terroristas,
por suas alianças com os Estados Unidos e países
ocidentais, como grande produtora de petróleo, inclusive.
Osama Bin Laden, da Al Quaeda, parece ser um saudita que odeia
o Ocidente mais do que ninguém.
E a monarquia começa a se desestabilizar, o que sem sombra
de dúvida poderia ser muito perigoso para todos, pois
o caminho estaria aberto para os fundamentalistas islâmicos
e todas as suas exacerbadas ramificações.
Houve inclusive a suspeita que gerou quase uma certeza de que
o dinheiro gasto nos atentados de 11 de setembro nos Estados
Unidos teve em parte, a influência de uma princesa saudita
que estava em Washington em missão diplomática.
Parceira dos Estados Unidos apesar de votar sempre com os países árabes
quando se trata de atacar Israel, a Arábia Saudita tem
suas ligações extra-muros muito bem estabelecidas
em países ocidentais.
Mas a situação não está nada clara
e os fanatismos religiosos estão às portas de uma
instituição secular querendo mudá-las.
No jogo do poder tudo que parece estável e até muito
estável, pode mudar de uma hora para outra como aconteceu
na antiga Pérsia, hoje Irã. De um momento para
o outro tudo mudou.
Do modernismo de Reza Pahlevi que inclusive casou com uma estudante
da Universidade de Paris, para um Aiatolá Komeini, inimigo
ferrenho.
Tudo se alterou da noite para o dia e o país com suas
universidades e influenciado pelo Ocidente encaminhou-se para
uma orientalização e um fundamentalismo exacerbado
expulsando o próprio Reza Pahlevi junto com toda a família
real.
E os jovens universitários se tornaram cidadãos
sem sentido num país que deu um basta igualmente a uma
cultura que guinou para um fundamentalismo intransigente e que
não deixou nenhum resquício da Pérsia ocidentalizada,
nem a sombra.
A situação da Arábia Saudita é sem
dúvida preocupante e perigosa, cheia de contradições,
até do comportamento internacional do próprio presidente
dos Estados Unidos, George Bush.
Desestabilizado em sua política externa o país
começa a chamar atenção do mundo.
Uma análise mais completa e mais acurada, revela perigos
maiores e situações difíceis a serem superadas
num ambiente complicado e “sui generis”. Estilos
de vida diferentes e uma torre de Babel a serem interpretados.
Um padre não pode entrar nem na Embaixada brasileira para
efetuar o casamento de um jogador de futebol, pois o casamento
e as igrejas católicas são proibidos na Arábia
Saudita.
Para um Ocidente omisso e desconhecedor dos usos e costumes,
e dos fanatismos orientais, imprevisíveis e irreversíveis
são dificilmente analisados e previstos.
Este gigante do petróleo, para onde vai?
Imprevisível em seus próximos passos e nos próximos
anos.
Para onde irá caminhar?
Um discurso político a ser interpretado com ou sem Osama
Bin Laden?
*Edda Bergmann é Vice-presidente Internacional da B’nai
B’rith.