Visão Judaica - Edição N° 26
:. A Arábia Saudita é o reino das mil e uma noites.:

 

Por: Edda Bergmann

A Arábia Saudita é muito pouco conhecida do mundo ocidental. Dirigida por uma monarquia com poderes especiais e autoridade máxima, com mais de 400 príncipes e princesas sustentados pelo governo, está começando a ser contestada internamente pelos líderes religiosos fundamentalistas que desejariam muito desestabilizá-la.
Hoje começa a se tornar vítima de atentados terroristas, por suas alianças com os Estados Unidos e países ocidentais, como grande produtora de petróleo, inclusive.
Osama Bin Laden, da Al Quaeda, parece ser um saudita que odeia o Ocidente mais do que ninguém.
E a monarquia começa a se desestabilizar, o que sem sombra de dúvida poderia ser muito perigoso para todos, pois o caminho estaria aberto para os fundamentalistas islâmicos e todas as suas exacerbadas ramificações.
Houve inclusive a suspeita que gerou quase uma certeza de que o dinheiro gasto nos atentados de 11 de setembro nos Estados Unidos teve em parte, a influência de uma princesa saudita que estava em Washington em missão diplomática.
Parceira dos Estados Unidos apesar de votar sempre com os países árabes quando se trata de atacar Israel, a Arábia Saudita tem suas ligações extra-muros muito bem estabelecidas em países ocidentais.
Mas a situação não está nada clara e os fanatismos religiosos estão às portas de uma instituição secular querendo mudá-las.
No jogo do poder tudo que parece estável e até muito estável, pode mudar de uma hora para outra como aconteceu na antiga Pérsia, hoje Irã. De um momento para o outro tudo mudou.
Do modernismo de Reza Pahlevi que inclusive casou com uma estudante da Universidade de Paris, para um Aiatolá Komeini, inimigo ferrenho.
Tudo se alterou da noite para o dia e o país com suas universidades e influenciado pelo Ocidente encaminhou-se para uma orientalização e um fundamentalismo exacerbado expulsando o próprio Reza Pahlevi junto com toda a família real.
E os jovens universitários se tornaram cidadãos sem sentido num país que deu um basta igualmente a uma cultura que guinou para um fundamentalismo intransigente e que não deixou nenhum resquício da Pérsia ocidentalizada, nem a sombra.
A situação da Arábia Saudita é sem dúvida preocupante e perigosa, cheia de contradições, até do comportamento internacional do próprio presidente dos Estados Unidos, George Bush.
Desestabilizado em sua política externa o país começa a chamar atenção do mundo.
Uma análise mais completa e mais acurada, revela perigos maiores e situações difíceis a serem superadas num ambiente complicado e “sui generis”. Estilos de vida diferentes e uma torre de Babel a serem interpretados.
Um padre não pode entrar nem na Embaixada brasileira para efetuar o casamento de um jogador de futebol, pois o casamento e as igrejas católicas são proibidos na Arábia Saudita.
Para um Ocidente omisso e desconhecedor dos usos e costumes, e dos fanatismos orientais, imprevisíveis e irreversíveis são dificilmente analisados e previstos.
Este gigante do petróleo, para onde vai?
Imprevisível em seus próximos passos e nos próximos anos.
Para onde irá caminhar?
Um discurso político a ser interpretado com ou sem Osama Bin Laden?
*Edda Bergmann é Vice-presidente Internacional da B’nai B’rith.


 


Voltar