Visão Judaica - Edição N° 26
:. Iom Kipur .:

 

5765 – 10 de Tishrei – 24/25 de setembro

Os dias entre Rosh Hashaná e Iom Kipur são conhecidos como os Dez Dias de Penitência, uma oportunidade a todos de fazer um auto-exame e buscar o perdão e a purificação para serem inscritos no Livro da Vida.
Conforme o Talmud (a Bíblia oral), todas as ações do ser humano no ano que passou são avaliadas por D-us em Rosh Hashaná e o julgamento é realizado em Iom Kipur. Para todos os judeus, estes se tornaram dias de reverência, os Dias Temíveis.
“ ... Aos dez dias deste sétimo mês é o dia das expiações; convocação de santidade será para vós, e afligireis suas almas (através do jejum)...” (Lev. 23).
Iom Kipur, o Dia do Perdão, é o dia mais sagrado e solene do ano, o auge dos Dez Dias de Penitência iniciados em Rosh Hashaná. Nesse dia, em cada congregação, os rolos da Torá (Bíblia) são retirados da Arca Sagrada e carregados dentro das sinagogas.

Kol Nidrei
O Kol Nidrei (em aramaico significa “todos os votos” ou “todas as promessas”), apesar de tocar o fundo da alma judaica, infundindo em cada um dos presentes temor e esperança, na realidade não é uma oração e o texto sequer menciona o tema arrependimento. É uma declaração coletiva, que permite aos que estão presentes anular promessas, votos ou juramentos feitos a D-us e não cumpridos. No Iom Kipur, na hora do Kol Nidrei, somos lembrados que a palavra é sagrada e que promessas assumidas devem ser escrupulosamente respeitadas.
Para o judaísmo, votos e juramentos são compromissos de extrema importância e a Torá é explícita nesse ponto. Um mandamento bíblico afirma que uma promessa proferida não deve ser quebrada. Esta proibição é tão grave que o Talmud diz que o mundo treme diante dela e, portanto, não podemos nos aproximar de D-us para implorar Seu perdão sem antes nos termos livrado do grave pecado de ter violado nossa palavra a Ele. O Talmud aconselha evitar juramentos e votos.
É muito importante lembrar que, assim como o Iom Kipur só absolve as transgressões do homem em sua relação com D-us, o Kol Nidrei nos libera somente de votos ou juramentos pessoais, feito a D-us e só a Ele. Em hipótese alguma nos libera de promessas, juramentos ou votos que envolvam outras pessoas; estes só poderão ser anulados quando, na presença de todos os envolvidos e todos estiverem de acordo com a anulação.
Sem a possibilidade do arrependimento o mundo não poderia existir, já que ao criar o homem com o livre arbítrio – a liberdade de escolha entre o bem e o mal – D-us deu-lhe a possibilidade de errar, de se afastar Dele. Mas ofereceu-lhe também a possibilidade de voltar para Ele, a possibilidade de mudar o curso de sua vida, de arrepender-se, de “aproximar-se de D-us afastando-se do pecado”, de retornar.
Iom Kipur é um dia único, especial e indispensável, no qual o homem tem condições espirituais para d’Ele se aproximar. No dia de Iom Kipur o poder do mal é suspenso e a Santidade Suprema é revelada. Em Iom Kipur o homem tem a possibilidade de se elevar espiritualmente atingindo o nível dos anjos. Os pecados que cometeu contra D-us, se ele se arrepender sinceramente, serão perdoados, permitindo-lhe retomar seu caminho em direção à Luz. Neste dia, assim como os anjos, Israel não come, não bebe, não usa sapato de couro. Nossos sábios ensinam que, apesar dos Portões do Arrependimento estarem sempre abertos, as condições espirituais que estão presentes neste dia é que nos permitem distinguir com mais facilidade o bem do mal, não existem em nenhum outro momento.
Foi neste dia 10 de Tishrei, Iom Kipur, que D-us perdoou o imperdoável: o bezerro de ouro. Foi neste dia que, após 40 dias de súplica para que D-us perdoasse os Filhos de Israel, Moisés desceu com o segundo par de tábuas dos Dez Mandamentos, prova do perdão Divino pelo pecado do bezerro de ouro. Enquanto Moisés estava no Monte Sinai pedindo e suplicando pelos Filhos de Israel, D-us lhe revelou Seus Treze Atributos de Misericórdia. Ao proclamá-los, D-us estava mostrando a Moisés que a Sua Misericórdia supera todas as considerações sobre erros que o homem possa ter cometido no passado ou venha a cometer no futuro. D-us também mostrou a Moisés que se o homem usar de misericórdia, perdoando os que estão a sua volta, ele poderá se conectar espiritualmente com o mundo da Misericórdia Divina, conseguindo que seus próprios erros sejam perdoados. Por isso nossos sábios nos ensinam que se o homem perdoar a quem o magoou, se mostrar benevolência e generosidade para com seu semelhante, os Céus vão tratá-lo da mesma forma.

Leis referentes à véspera de Iom Kipur
É costume fazer caparot (evoluiu da antiga crença de que era possível transferir doença, dor, culpa e pecado para outro ser vivo ou inanimado. O costume não é mencionado no Talmud e parece ter começado entre os judeus da Babilônia).
Acendem-se as velas, 20 minutos antes do anoitecer, com as seguintes bênçãos: Baruch Atá A-Do-Nai, E-lo-hênu Mêlech haolam, asher kideshanu bemitsvotáv, vetsivánu lehadlic nêr shel shabat ve Iom hakipurim. (Bendito és Tu, A-do-nai, nosso D-us, Rei do Universo, que nos santificou com Seus mandamentos, e nos ordenou acender as velas de Shabat e do Dia do Perdão). 2) Baruch Atá A-do-nai, E-lo-hênu Mêlech haolam, shehecheiyánu vekiyemánu vehiguiánu lazman hazê. (Bendito és Tu, A-do-nai, nosso D-us, Rei do Universo, que nos deu vida, nos manteve e nos fez chegar até a presente época).
A refeição à véspera do jejum deve ser composta de pratos leves, de fácil digestão. Bebidas alcoólicas são proibidas. Esta refeição deve ser concluída 20 minutos antes do pôr-do-sol.
As mulheres devem acender as velas antes de ir a sinagoga. É costume os pais abençoarem os filhos, pedindo que estes sejam selados no Livro da Vida, e que em seus corações permaneça sempre o amor a D-us.

No dia do Iom Kipur

Não comer; não beber; não carregar qualquer objeto sobre si; não trabalhar; não se lavar; não usar perfumes, cremes, etc; não calçar couro; não ter relações conjugais.
O jejum diz respeito tanto aos homens quanto às mulheres, mesmo se estas estiverem grávidas ou amamentando. Só em caso de doença o jejum pode ser suspenso (consulte seu rabino).
As crianças de 9 a 10 anos podem jejuar somente algumas horas. O jejum torna-se obrigatório aos 12, para meninas, e aos 13 para meninos.
Ao acordar, lavam-se as mãos até a segunda falange, com água fria e sem sabonete. Passam-se os dedos ainda úmidos nas pálpebras.

Neilá, a prece final de Iom Kipur
A Neilá é o serviço final de Iom Kipur. Recitada em todas as sinagogas quando o sol começa a se pôr, é a oração que conclui a liturgia do dia do Perdão Divino.
Concluímos essa solene oração reiterando nossa crença no D-us Único, Criador do Mundo, Senhor do Universo. Toda a congregação recita uma vez o primeiro verso do Shemá, a declaração de fé judaica, sua lealdade eterna com o Eterno. Em seguida proclama as palavras “Benditos sejam o Nome e a Glória do Seu Reino por todo o Sempre”! É o único dia do ano em que podemos recitar em voz alta esta benção do primeiro versículo da oração do Shemá.
Em seguida proclamamos sete vezes: “O Eterno é D-us Único”, significando que o Eterno, D-us de Israel, é “Um e Único Senhor e Poder no Universo”, Por que sete vezes? Pois que as sete profissões de fé servem para escoltar até o Sétimo Firmamento a Presença Divina que desceu à Terra para ouvir as orações de Israel, que ecoam pelos Céus.
O shofar é então tocado uma só vez, marcando a conclusão do Dia do Perdão. Seu som poderoso e profundo não indica apenas que a Neilá chegou ao seu término. Anuncia, também que as Portas dos Céus e a Shechiná, a Presença Divina, que pairava sobre todos os judeus, congregados em suas sinagogas, ascenderá de volta aos Céus.
Após o toque do shofar os fiéis repetem, em uníssono: “No ano que vem, em Jerusalém” e dessa maneira, afirmamos nossa confiança de que, em breve, ainda durante os nossos dias... “se fará soar uma grande trombeta, e os que andavam perdidos pela terra de Assíria e os que foram desterrados para a terra do Egito retornarão e se prostrarão, em adoração, diante do Senhor, no monte santo, em Jerusalém” (Isaías, 27;13).


 


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