Visão Judaica - Edição N° 17
:. Editorial - O novo ano e as velhas ameaças .:

Estamos às portas de 5764. O jornal Visão Judaica traz neste mês presente aos seus leitores: uma edição especial com 28 páginas alusiva às Grandes Festas do povo judeu. Festas costumam lembrar alegria, mas o momento, como reza a tradição religiosa, demanda profunda reflexão e a introspecção de cada um sobre os acontecimentos vividos no ano findo. Mas o momento também exige um olhar mais analítico sobre o momento em que nós, judeus, vivemos aqui no Brasil e no Exterior, e em especial em Israel.
Como prevenimos na edição anterior um só atentado poria fim ao Road Map. Infelizmente aconteceu, e como das vezes anteriores, sempre a vítima é a culpada. A alegação dos terroristas é que se tratava de uma vingança. Hoje, Israel está em alerta máximo com a determinação firme de eliminar as organizações terroristas e medidas são adotadas contra seus agentes para acabar com suas sangrentas atividades criminosas.
Parece inverossímil, mas há meios de comunicação vivendo fora da realidade. As reações de Israel foram noticiadas como atitude que pôs fim zo Mapa da Estrada. O atentado ao ônibus de Jerusalém, cheio de crianças e religiosos não. Esse, no entender dessa mídia desumana, não acabou com o plano de paz. Aliás, jornais como O Povo, de Fortaleza, por exemplo, tem se superado em matéria de anti-semitismo, chegando ao desplante de escrever que a Israel não é lícito revidar, pois é um país, ao contrário das organizações terroristas, que têm direito a tudo. É o cúmulo do cinismo. Os articulistas desse jornal escrevem isso porque não estão lá, nem têm que enterrar seus entes queridos aos pedaços. E não enxergam um palmo adiante do nariz por causa de sua miopia política comprometida com as esquerdas radicais. O que Israel faz é o que qualquer governo de mente sã faria em qualquer lugar do mundo: defender a vida de seus cidadãos.
Abu Mazen, o primeiro ministro palestino depois de quatro meses chegou à conclusão que todos em Israel já sabiam. Arafat não quer a paz e não deixa desmantelar as organizações terroristas. Por isso pediu a conta e foi para casa. Agora, só quando Israel estiver convencido de que a Autoridade Palestina está adotando medidas tangíveis para desmantelar e eliminar as organizações terroristas é que poderá haver avanço. Os eventos dos últimos dias reiteraram e provaram, mais uma vez, que Yasser Arafat é um obstáculo e não solução para qualquer processo de reconciliação entre Israel e os palestinos.
Mas aqui no Brasil vivemos um agosto extremamente grave. Todos tomamos conhecimento de que temos um Ministro do Superior Tribunal Federal, Carlos Ayres de Britto, nomeado pelo presidente Lula, que não só declarou voto favorável a um "autor" de obras ostensivamente nazistas, anti-semitas e racistas como também defendeu o caráter revisionista do réu Siegfrid Ellwanger, praticamente já condenado por aquela alta corte. Sem dúvida, uma situação que deve preocupar muito, indignar a todos e produzir manifestações gerais de protesto, dirigidas aos jornais, ao Congresso Nacional e, especialmente ao próprio STF. Juízes com esse tipo de pensamento e que davam seu beneplácito a atitudes racistas só existiram na Alemanha nazista e na Itália fascista. Um indivíduo que defenda ou tolere obras tais será sempre conivente com a barbárie. Não se trata apenas de discutir uma questão semântica ou mesmo científica. Todos sabem perfeitamente o que é "crime de racismo" e que sua trágica história continua a nos ameaçar ainda no século 21. A condenação explícita da propaganda contra os judeus ou contra quaisquer outros que possam ser atingidos na sua dignidade de seres humanos é obrigação de todos os que reconhecem os direitos humanos, fundamentais e universais.

A Redação


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