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Por: Edda
Bergmann
O primeiro dia do
sétimo mês do ano seja para vocês um dia consagrado
à comemoração da criação do mundo.
Deixareis todo e qualquer trabalho porque é o dia em que
pelo toque do shofar sereis chamados a responder pelas vossas ações.
Esta é a interpretação tradicional da frase
com a qual é anunciada na Torá a celebração
da hodierna solenidade conhecida com o nome de Rosh Hashaná
(cabeça do ano).
Pode parecer estranho que o começo do ano deva ser celebrado
no sétimo mês do ano, seria bem mais lógico
que devesse ser celebrado no 1º dia do ano, ou seja, no 1º
dia de Nissan, mês em que os judeus realmente se constituíram
num povo livre, fugindo da escravidão do Egito. Foi realmente
aquele dia o dia da formação da Nação
Hebréia.
Ao invés disso, a Torá fixou sete meses depois como
"cabeça do ano" o dia em que se comemora a criação
do mundo, com a chamada do shofar para um juízo universal.
Foi uma idéia verdadeiramente genial a de se destinar um
dia do ano para comemorar a criação do mundo, algo
que somente a civilização judaica soube compreender
em toda a sua profundidade.
O povo latino celebrava o nascimento de Roma, assim como outros
povos talvez celebrem a data de sua origem, cada um por conta própria
esquecendo portanto, que existem outros povos sobre este planeta,
enquanto que o judaísmo antecipou de séculos e séculos
aquela idéia de universalismo que outros se vangloriam de
terem descoberto, convida os homens de qualquer fé religiosa,
seja qual for a sua cor de pele ou classe social a qual pertença,
a celebrar em conjunto aquele imenso e misterioso acontecimento
que foi a criação do mundo, deste mundo no qual se
movem e se agitam as paixões de todos os homens, para que
reflitam naquele dia, que no final das contas somos todos filhos
deste mesmo mundo, razão pela qual todos os indivíduos
têm os mesmos deveres e os mesmos direitos, que nenhum povo
tem o direito de suprimir o outro, que não deveriam existir
nem vencedores nem vencidos neste mundo de D-us.
Parece, porém, que os povos esqueceram do mundo e de quem
o criou e as leis que o regem e isto porque ainda não conseguiram
dedicar um dia às comemorações de toda a Criação.
Buscam-se plataformas políticas e sociais que unam os homens
com a motivação de um ponto comum de referência
e contato, este é o único viável de universalismo
plausível.
Alguns traços destas comemorações esquecidas
pelo mundo ficaram entre os povos latinos. Rosh Hashaná cai
sempre no sétimo mês do calendário, no mês
de setembro, uma lembrança do ano judaico.
Na Sardenha, o povo ao invés de dizer setembro, diz "Capi
d'Anno". Assim se infiltraram e permaneceram os traços
de nossa civilização ainda hoje fáceis de reconhecer.
O homem não está destinado a viver isolado, e mesmo
que o quisesse não o poderia. Numa grande parte das ações
que cada um de nós pratica não dizem exclusivamente
a respeito de quem as pratica, mas também dos homens que
tem contato conosco.
É portanto natural que a Torá enquanto reguladora
da vida, das normas de conduta relacionadas com a forma pela qual
cada um de nós deve se comportar em relação
aos outros e que, sob este respeito a vida do judeu deve almejar
aquele ideal de santidade que lhe é próprio.
Estas relações estão essencialmente regulamentadas
por aqueles dois parágrafos do Decálogo que proibiram
o homicídio e o furto declarando a invulnerabilidade da vida
e da propriedade.
A Torá permite as guerras defensivas, o necessário
à sobrevivência da vida da nação e de
seus habitantes, enquanto proíbe as guerras ofensivas de
conquista.
Devemos nos comportar
com o nosso próximo de acordo com aquelas normas pelas quais
ele como ser humano deve se comportar conosco.
O ser humano é o ato mais sublime da Criação
e a nós compete mostrar ao mundo, que nada supera o valor
da vida que deve ser defendida e preservada com todas as nossas
forças.
A Torá nos relembra o Rosh Hashaná, que o direito
à vida é o ato supremo da Criação, hoje
e sempre.
* Edda Bergmann é
presidente da B'nai B'rith do Brasil
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