Durante o mês
de Elul, que antecede a Rosh Hashaná, costuma-se tocar
o shofar diariamente;
O Midrash conta acerca da origem da prática deste costume:
"Em Rosh Chodesh (primeiro dia do mês) disse o Santo,
bendito seja, a Moisés. -" Sobe a Mim, ao monte ".
Imediatamente foi anunciado, através do som do Shofar,
em todo o acampamento, que Moisés acabara de subir ao monte,
com o propósito de que o povo não incorresse no
mesmo erro de cálculo sobre a data em que Moisés
subiu ao monte, pela primeira vez, fato este que provocou o trágico
pecado de idolatria na ocasião anterior (o bezerro de ouro).
Neste dia, o Todo-Poderoso foi exaltado com o som do Shofar, tal
como está escrito. -" D-us eleva-se ao som da "Teruá",
o Eterno - na voz do Shofar ".
É, pois, para comemorar esta ocasião que os Sábios
nos ordenaram tocar o Shofar durante todo o mês de Elul,
ao término do ofício da manhã, por ter sido
Elul o mês designado para harmonizar nosso espírito
com os Iamim Noraim - os Dias Temíveis -, o Shofar foi
escolhido como o meio mais adequado para atingir este propósito.
Maimônides resumiu o significado do Shofar com as seguintes
palavras:
"Apesar de o toque do Shofar em Rosh Hashaná ser um
decreto divino, contém em si a seguinte sugestão:
Vós, que permaneceis adormecidos, desperta de vosso sono,
fortalecei-vos em vossas ações, retomai (ao bom
caminho) com arrependimento e tende presente vosso Criador! Os
que olvidaram a verdade, submersos em futilidades, e que andaram
extraviados durante todos os anos no vazio que não produz
benefício nem salvação a ninguém -
examinai vossas almas, melhorai vossos atos e vossos propósitos,
e abandonei todos os pensamentos maus e os pensamentos que não
conduzem ao bem!"
Rosh Hashaná
5764 - 27/28 de setembro de 2003
O que significa
Rosh Hashaná? Literalmente "Cabeça do ano".
Assim como a cabeça direciona cada membro do corpo, também
a energia e as resoluções de Rosh Hashaná
direcionam todos os dias do ano.
Esta é uma época em que o judeu fica mais próximo
de D-us, devendo fazer um balanço de todos os seus atos
e atitudes durante o ano que termina. Sendo o saldo positivo (perante
o "olhar' de D-us), somos" inscritos" no "Livro
da Vida".
Dez dias mais tarde, em Yom Kipur, o Livro é selado. Através
do arrependimento, da oração e da caridade, podemos
merecer as bênçãos de D-us para saúde,
bem-estar e prosperidade para o ano que se inicia.
Como celebramos
Rosh Hashaná?
O Ano Novo é celebrado na sinagoga. As orações
estão compiladas num livro chamado Machzor, que em hebraico
significa "ciclo". Nele estão contidas as orações,
passagens bíblicas, talmúdicas, poesias religiosas.
As orações apresentam três temas fundamentais
da fé judaica: D-us é Rei, Juiz e Legislador.
No segundo dia o ofício religioso se repete, mudando apenas
a leitura da Torá.
Durante o período de Rosh Hashaná e Yom Kipur é
dita a oração Avinu Malkeinu - Nosso Pai, Nosso
Rei -, composta de 44 versos na liturgia asquenazi. Ela invoca
a bênção de D-us, Pai e Rei, pedindo que Ele
nos livre das guerras, fome, doenças, desamor - e perdão
pelas faltas cometidas.
"Que sejas inscrito e selado para um ano bom" é
o que se deseja a todos. Procure perdoar e pedir perdão
para quem isso for preciso e somente falar bem dos outros. Manter-se
calmo nos dois dias de Rosh Hashaná - isto é um
bom sinal para o ano todo...
Tashlich - No primeiro dia de Rosh Hashaná, à tarde,
após a oração de Minchá é costume
dirigir-se a alguma fonte de água (e de preferência
onde há peixes) e lá fazer a Oração
de Tashlich, na qual pedimos à D-us que "jogue nossos
pecados nas profundezas do mar"- pois nos arrependemos sinceramente
e queremos nos retificar. Procura-se faze-lo num local onde haja
peixes para lembrar que a água, cabalisticamente, simboliza
a Bondade Divina e os peixes que nunca fecham os olhos nos lembram
D-us que tudo vê e sempre está alerta para nos proteger.
Isto também é uma alusão ao fato de que "os
olhos de D-us estão sempre abertos para aqueles que O temem
(Salmo 33:18) para protegê-los com Sua abundante graça,
pois "o Guardião de Israel não dorme nem cochila..."
Comidas
típicas
Como todas as festas, Rosh Hashaná tem as suas comidas
típicas:
Chalá (Pão) - Trançado de forma arredondada,
que simboliza a natureza cíclica e eterna da vida, expressa
a esperança de que o ano vindouro será completo
e não será interrompido por alguma tragédia.
Alguns costumam assar as chalót de Rosh Hashaná
em forma de espiral, simbolizando o desejo de que nossas preces
ascendam aos céus e que possamos crescer, ética
e moralmente, ao longo do ano"
Mel - O costume de comer coisas doces em Rosh Hashaná tem
mais de 1500 anos. Ele expressa a esperança de que a doçura
permeie a vida dos judeus no ano vindouro. Lêcach (torta
de mel) é uma palavra hebraica que significa "porção".
Serve-se torta de mel com a esperança de que, quem observar
as tradições judaicas, será abençoado
com uma " boa porção", um conceito expresso
no Livro dos Provérbios (4:2) " Eu vos dou uma boa
doutrina (lêcach), não abandoneis Minha instrução".
O peixe - é o prato principal dessa ocasião, e para
o dono da casa serve-se a cabeça, como recordação
da promessa bíblica: "O Senhor, teu D-us te colocará
como cabeça, e não como cauda; estarás sempre
por cima, e não por baixo, si ouvires os mandamentos do
Senhor teu D-us...".
Uma fruta que ainda não se comeu aquele ano - o que representa
o princípio de algo. No segundo dia muitos judeus têm
por tradição comer uma fruta que ainda não
se comeu naquele ano. A bênção especial pronunciada
quando se realiza uma ação pela primeira vez é
o Shehecheiánu, que expressa a gratidão por ter
alcançado este importante momento da vida com boa saúde
e em paz. A romã é muito popular, porque tem muitas
sementes, o que simboliza a esperança de que no ano vindouro,
a pessoa realizará muitas ações meritórias.
Yom Kipur
5764 - 10 de Tishrê - 06 de outubro de 2003
Os dias entre Rosh Hashaná e Yom Kipur são conhecidos
como os Dez Dias de Penitencia, uma oportunidade a todos de fazer
um auto-exame e buscar o perdão e a purificação
para serem inscritos no Livro da Vida.
Conforme o Talmude (a bíblia oral), todas as ações
do ser humano no ano que passou são avaliadas por D-us
em Rosh Hashaná e o julgamento é realizado em Yom
Kipur.
Para todos os judeus, estes se tornaram dias de reverencia, os
Dias Temíveis.
"... Aos dez dias deste sétimo mês é
o dia das expiações; convocação de
santidade será para vós, e afligireis suas almas
(através do jejum)..." (Lev. 23)
Yom Kipur, o Dia do Perdão, é o dia mais sagrado
e solene do ano, o auge dos Dez Dias de Penitencia iniciados em
Rosh Hashaná. Neste dia, em cada congregação,
os rolos da Torá (bíblia) são retirados da
Arca Sagrada e carregados dentro das sinagogas.
O Kol Nidrei (em aramaico significa "todos os votos"
ou "todas as promessas"), apesar de tocar o fundo da
alma judaica, infundindo em cada um dos presentes temor e esperança,
na realidade não é uma oração e o
texto sequer menciona o tema arrependimento. É uma declaração
coletiva que permite aos que estão presentes anular promessas,
votos ou juramentos feitos a D-us e não cumpridos. No Yom
Kipur, na hora do Kol Nidrei, somos lembrados que a palavra é
sagrada e que promessas assumidas dever ser escrupulosamente respeitadas.
Para o judaísmo, votos e juramentos são compromissos
de extrema importância e a Torá é explícita
neste ponto. Um mandamento bíblico afirma que uma promessa
proferida não deve ser quebrada. Esta proibição
é tão grave que o Talmude diz que o mundo treme
diante dela e, portanto, não podemos nos aproximar de D-us
para implorar Seu perdão sem antes nos termos livrado do
grave pecado de ter violado nossa palavra a Ele. O Talmude aconselha
evitar juramentos e votos.
É muito importante lembrar que, assim como o Yom Kipur
só absolve as transgressões do homem em sua relação
com D-us, o Kol Nidrei nos libera somente de votos ou juramentos
pessoais feito a D-us e só a Ele. Em hipótese alguma
nos libera de promessas, juramentos ou votos que envolvam outras
pessoas; estes só poderão ser anulados quando, na
presença de todos os envolvidos, todos estiverem de acordo
com a anulação.
Sem a possibilidade do arrependimento o mundo não poderia
existir, já que ao criar o homem com o livre arbítrio
- a liberdade de escolha entre o bem e o mal - D-us deu-lhe a
possibilidade de errar, de se afastar Dele. Mas ofereceu-lhe também
a possibilidade de voltar para Ele, a possibilidade de mudar o
curso de sua vida, de arrepender-se, de "aproximar-se de
D-us afastado-se do pecado", de retornar.
Yom Kipur é um dia único, especial e indispensável,
no qual o homem tem condições espirituais para d'Ele
se aproximar. No dia de Yom Kipur o poder do mal é suspenso
e a Santidade Suprema é revelada. Em Yom Kipur o homem
tem a possibilidade de se elevar espiritualmente atingindo o nível
dos anjos. Os pecados que cometeu contra D-us, se ele se arrepender
sinceramente, serão perdoados, permitindo-lhe retomar seu
caminho em direção à Luz. Neste dia, assim
como os anjos, Israel não come, não bebe, não
usa sapato de couro. É o único dia que podemos recitar
em voz alta a bênção do primeiro versículo
da oração Shmá Israel (Escuta ó Israel...):
"Bendito seja o Nome da glória...eternidade".
Segundo a tradição, no momento em que recebeu a
Torá e a trouxe para o povo de Israel, Moisés ouviu
esta bênção dos anjos. Sendo esta oração
dos anjos, é recitada em voz baixa o ano inteiro. Apenas
em Yom Kipur, quando Israel se assemelha a um anjo, esta frase
é dita em voz alta.
Nossos sábios ensinam que, apesar dos Portões do
Arrependimento estarem sempre abertos, as condições
espirituais que estão presentes neste dia e que nos permitem
distinguir com mais facilidade o bem do mal, não existem
em nenhum outro momento.
Foi neste dia 10 de Tishrê, Yom Kipur, que D-us perdoou
o imperdoável: o bezerro de ouro. Foi neste dia que, após
40 dias de súplica para que D-us perdoasse os Filhos de
Israel, Moisés desceu com o segundo par de tábuas
dos Dez Mandamentos, prova do perdão Divino pelo pecado
do bezerro de ouro. Enquanto Moisés estava no Monte Sinai
pedindo e suplicando pelos Filhos de Israel, D-us lhe revelou
Seus Treze Atributos de Misericórdia. Ao proclamá-los,
D-us estava mostrando a Moisés que a Sua Misericórdia
supera todas as considerações sobre erros que o
homem possa ter cometido no passado ou venha a cometer no futuro.
D-us também mostrou a Moisés que se o homem usar
de misericórdia, perdoando os que estão a sua volta,
ele poderá se conectar espiritualmente com o mundo da Misericórdia
Divina, conseguindo que seus próprios erros sejam perdoados.
Por isso nossos sábios nos ensinam que se o homem perdoar
a quem o magoou, se mostrar benevolência e generosidade
para com seu semelhante, os Céus vão tratá-lo
da mesma forma.