Visão Judaica - Edição N° 17
:. Os judeus da Índia e de Myanmar.:

Tribo de Menashe - Em Myanmar (ex-Birmânia) e na Índia vive a tribo de Menashe. Menashe é Manasseh, e diz-se que a tribo de Menashe é descendente da tribo de Manasseh, uma das Dez Tribos Perdidas de Israel. Eles têm tradições dos antigos israelitas.
Knanitas - Na Índia há pessoas chamadas de knanites, que quer dizer gente de Canaã. Falam o aramaico e usam a Bíblia aramaica.
Povo Kashmiri - Na Caxemira eles têm os mesmos nomes que tinham quando habitavam o antigo reino no Norte de Israel. Eles têm o jantar de Páscoa e a lenda de que são originários de Israel.

Na região montanhosa que bordeja ambos os lados da fronteira entre Índia e Myanmar (antiga Birmânia, também conhecida como Burma), vive a tribo Menashe (Shinlung), algo em torno de um a dois milhões de pessoas. Casaram-se com chineses e têm a aparência de sino-burmeses, mas toda a tribo é consciente de sua ancestralidade israelita.
Na tribo de Menashe podemos observar o costume do sacrifício de animais da mesma maneira que era feita entre as Dez tribos de Israel. A palavra Menashe aparece freqüentemente na sua poesia e nas preces. É o nome de seu ancestral, e denominam a si mesmos filhos de Menashe (Bnei Menashe). Quando rezam, dizem: "Oh, D-us de Menashe," referindo-se ao nome Menashe, uma das Dez Tribos Perdidas de Israel.
Conforme a história que relatam, foram exilados para a Assíria em 722 A.E.C., com outras tribos de Israel. Algum tempo depois, a Assíria foi conquistada pela Babilônia (607 A.E.C.), que mais tarde foi conquistada pela Pérsia (457 A.E.C.), e mais tarde, a foi conquistada pela Grécia de Alexandre Magno (331 A.E.C.), quando o povo de Menashe foi deportado da Pérsia para o Afeganistão e outros locais.
Tornaram-se pastores e adoradores de ídolos. Com a conquista do Islã, foram forçados a converter-se ao islamismo. Como falavam hebraico, foram chamados de semíticos. Durante todo este período, possuíram um Rolo de Torá em hebraico, guardado com os anciãos e o sacerdote.
A partir do Afeganistão, sua migração continuou na direção Leste, até que chegaram a uma área na fronteira sino-tibetana. Dali continuaram até a China, seguindo o Rio Wei até atingirem a China Central. Lá se estabeleceram por volta de 231 A.E.C.
Os chineses, porém, foram cruéis com eles, transformando-os em escravos. Alguns escaparam e viveram em cavernas nas áreas montanhosas chamadas Shinlung, nome este que se tornou outra denominação para a Tribo de Menashe. Eram também chamados de povo das cavernas, ou povo das montanhas.
O povo Menashe viveu nas grutas em total pobreza por duas gerações, mas ainda guardavam o Rolo da Torá com eles. Começaram então a assimilar-se e sofrer a influência dos chineses. Mais tarde, foram expulsos da área das cavernas e rumaram para o Oeste através da Tailândia, chegando finalmente à área de Myanmar.
Lá chegando, vagaram ao longo do rio até que atingiram Mandaley. A partir dali atingiram às Montanhas Chin. No século dezoito, parte deles migrou para Manipur e Mizoram, a Nordeste da Índia. Geralmente mantinham a tradição nômade, e povo local logo percebeu que não eram chineses, embora falassem o idioma local.
Chamavam a si mesmos "Lusi", que significa as Dez Tribos ("Lu" significa tribo, e "si" quer dizer dez).

Costumes israelitas na Tribo de Menashe

De acordo com a história que o povo Menashe relata, ao serem banidos da área das cavernas perderam seu rolo da Torá, ou talvez tenha sido roubado ou queimado pelos chineses. Mas os sacerdotes da tribo de Menashe continuaram a passar sua tradição oralmente, inclusive a observância dos rituais, até o século dezenove.
Mantiveram o costume da circuncisão, mas quando isso tornou-se difícil, não foi mais praticado; abençoavam então a criança de oito dias de idade numa cerimônia especial. Guardavam também dias santos, que eram muito similares aos feriados judaicos, e também praticavam o casamento levirato, em que o irmão mais jovem tinha que se casar com a viúva do irmão mais velho para manter o nome na família.
O seguinte poema os acompanhou durante todas suas migrações. É uma canção tradicional sobre a travessia do Mar Vermelho, escrita por seus ancestrais. Eis a tradução aproximada:

Devemos manter a Festa de Pêssach
Porque cruzamos o Mar Vermelho pela terra seca.
À noite cruzamos com um fogo
Durante o dia com uma nuvem
Os inimigos nos perseguiam em carruagens
E o mar os tragou,
Usando-os como comida para os peixes.
E quando ficamos sedentos,
Recebemos água da rocha

O conteúdo é semelhante à experiência dos israelitas escrita em Shemot.
Tinham um sacerdote em cada aldeia, cujo nome era sempre Aharon (Aarão), assim como o irmão de Moshê (Moisés), o primeiro sacerdote judeu. Um de seus deveres era prestar assistência à aldeia. Costumava haver dois sacerdotes em aldeias maiores.
O sacerdócio era transmitido apenas por herança. Era envolto em cultos e na oferenda de sacrifícios. O sacerdote vestia uma túnica e um peitoral, e um casaco bordado, fechado por um cinturão e uma coroa na cabeça. E sempre cantavam sobre Menashe no início de cada reunião.
Em caso de doença, o sacerdote era chamado para abençoar a pessoa enferma e para oferecer um sacrifício pela recuperação. O sacerdote abatia uma ovelha ou cabra, e passava o sangue na orelha, costas e pernas da pessoa doente, enquanto recitava versículos da Torá, similar ao Vayicrá 14:14.
Para a expiação dos pecados era ofertada uma cabra no altar, o sangue era borrifado nos cantos do altar, e a carne servida às pessoas. Yom Kipur era guardado como um dia de expiação uma vez ao ano, como fazem os judeus. Os recipientes sagrados do sacerdote não eram feitos de metal, mas de argila, tecido ou madeira.
Cerimônias especiais eram oficiadas pelo sacerdote no caso de certas doenças. Esta é uma forma de reparação feita com uma ave, cujas asas são sacrificadas e as penas jogadas ao vento. Se o caso fosse de lepra, o sacerdote oferecia uma ave no campo.
É sabido também que eles praticavam adoração a ídolos e tinham superstições que envolviam espíritos e demônios. Também acreditavam em reencarnação, mas ao mesmo tempo acreditavam num D-us que estava nos céus, a quem se voltavam em tempos difíceis. Um destes grupo foi encontrado nas selvas de Burma em 1963 ou 1964.

A tribo Mizo
O que surpreende é que em Burma, a tribo Mizo esteve intocada pelos missionários, e que na origem dos Bnei Menashe, tenha tantas cerimônias e rituais judaicos antigos, como a circuncisão, Shabat, dias festivos, etc. Estes grupos merecem ser estudados mais profundamente. Fica a sugestão para as universidades israelenses enviarem uma equipe de eruditos, historiadores, antropólogos, biólogos e rabinos para estudar os Mizo em Burma. Muito mais poderia ser descoberto e revelado.
Em 1854, com a chegada do primeiro missionário americano, V. Petigrore da Missão Batista, essa igreja foi ali estabelecida. Em 1910, vieram mais missionários, e criaram igrejas na área do norte da Índia. Como conseqüência, o sacerdote tribal perdeu seu status e a comunidade ficou sujeita a influências e pressões cristãs. Com a expansão do cristianismo pelo país, ficaram novamente sujeitos a grandes dificuldades e muitos de seus artigos religiosos foram dispersos ou queimados pelos missionários britânicos ou americanos entre 1854 e 1910.
Em tempos recentes teve início um retorno ao judaísmo. Milhares de pessoas de Menashe decidiram passar a cumprir as Leis da Torá. Eles têm sinagogas em Manipur, Assam e Mizoram. Há também muitos que acabaram por emigrar para Israel, mas outros milhares ainda anseiam a volta para a Terra Santa.

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