|
Por: Sérgio
Feldman
Em Rosh Hashaná
repetimos questões existenciais e buscamos o sentido da vida.
O porquê das coisas e a razão de ser e de existir.
Perdemos a direção e queremos retomar o rumo da vida.
Está na hora de superar as neuroses e acabar com o stress,
largar o antidepressivo e buscar uma boa razão para existir.
O Judaísmo Milenar tem umas receitas da vovó que costumam
dar certo e que todos nós esquecemos. Vamos recordar algumas
delas.
A primeira se chama: "Amarás ao próximo como
a ti mesmo".
Numa era de egoísmo e profundo individualismo a melhor coisa
que posso fazer para mim é ajudar o próximo. Na tradição
judaica se fala de três vértices da atitude judaica
no ano que se inicia: Tefilá, Teshuvá e Tzedaká.
A primeira é a oração direcionada para D-us,
humilde e respeitosa, mas repleta de Kavaná (mescla de intenção,
sinceridade e devoção). A segunda é traduzida
como retorno: o ser humano veio ao mundo através de D-us
e a D-us retornará. Retornar às boas atitudes, ao
amor ao próximo e as mitzvót. Portanto deve-se aproximar
de D-us, de maneira sincera e ativa. Como fazer isto? A terceira
atitude é a resposta das anteriores: ajudar o próximo
e fazer com suas mãos, seus gestos e atitudes um mundo melhor.
Pode-se traduzir por caridade, mas discordamos desta interpretação
e preferimos traduzir por justiça ou justiça social.
A origem semântica da palavra permite tal tradução,
pois tzedek é justiça. Esta atitude pode ser praticada
de inúmeras formas e através de gestos diversos. As
doações a creches, instituições beneficentes,
a pessoas carentes, à sinagoga, à escola israelita,
são maneiras muito boas de praticar a tzedaká.
Uma vertente muito respeitada é a Guemilut Chassadim: uma
maneira de fazer esta mitzvá é dar emprego a alguém;
emprestar para um negócio de alguém que está
em dificuldades, mas tem habilidade e é trabalhador. Seria
invés de dar o peixe, dar uma vara de pescar e ensinar a
obter sustento. É uma maneira delicada e mais eficiente de
atuar.
Investir em educação e ensinar as pessoas a serem
produtivas, é Guemilut chassadim. Outra maneira é
ajudar pessoas a serem felizes: ir a hospitais e creches e fazer
atividades para crianças e idosos carentes.
Em Curitiba surgiu uma entidade nova de vida curta e de frágil
manutenção. Num belo dia se juntaram três jovens
e levantaram uma bandeira: temos de atuar na nossa realidade e ajudar
a melhorá-la. Eram o Beno Reicher, o Wagner e o Ariel Feldman.
Criaram o OVO, sigla que significa Organização, Vida
e Oportunidade. Imaginaram levar o Dror para um bairro da periferia,
para a população carente de uma vila. Agir na realidade
local, criando um movimento juvenil modelado na experiência
do Dror, mas adaptado à realidade local. Um sonho e talvez
uma ilusão: mas já vai completar três anos.
Muitos jovens passaram pela Vila Pantanal. Muitos jovens já
atuaram em domingos de calor ou de frio, de sol e de chuva. Alguns
adultos se engajaram, pois deram conta que se tratava de algo novo,
inédito e especial. Ensinar os jovens da periferia a se organizar,
a aprender um pouco da vivência educativa da Tnuá (movimento
juvenil). O lazer educativo é uma maneira sábia que
o movimento juvenil desenvolveu para ensinar "brincando"
muitos valores e conteúdos. E desta maneira o OVO busca prosseguir.
A dificuldade dos jovens para manter o projeto é cotidiana.
Falta transporte todo o domingo. Alguns pais forneceram carros emprestados
em certos períodos; já se alugou uma van e os jovens
pagavam de seu bolso para ir fazer trabalho voluntário; o
transporte sempre é um problema. Faltam verbas: os jovens
arrecadam roupas velhas e fazem um brechó na Vila Pantanal
ou juntam objetos usados e fazem um bazar. Oferecem aos próprios
moradores os objetos usados, pois cobram bem barato (mas não
dão de graça) e ainda arrecadam fundos. Ainda assim
buscam uma maneira de seguir. Comece o ano de uma maneira nova:
se renove oferecendo ao OVO algum tipo de ajuda: transporte, doação,
trabalho voluntário, ou alguma sugestão que você
tenha para dar. Contate com o Wagner (9976-2581) ou com o Ariel
(9199-8675).
|