Visão Judaica - Edição N° 17
:. O sentido da vida - Buscando uma razão de ser.:

 

Por: Sérgio Feldman

Em Rosh Hashaná repetimos questões existenciais e buscamos o sentido da vida. O porquê das coisas e a razão de ser e de existir. Perdemos a direção e queremos retomar o rumo da vida. Está na hora de superar as neuroses e acabar com o stress, largar o antidepressivo e buscar uma boa razão para existir. O Judaísmo Milenar tem umas receitas da vovó que costumam dar certo e que todos nós esquecemos. Vamos recordar algumas delas.
A primeira se chama: "Amarás ao próximo como a ti mesmo".
Numa era de egoísmo e profundo individualismo a melhor coisa que posso fazer para mim é ajudar o próximo. Na tradição judaica se fala de três vértices da atitude judaica no ano que se inicia: Tefilá, Teshuvá e Tzedaká. A primeira é a oração direcionada para D-us, humilde e respeitosa, mas repleta de Kavaná (mescla de intenção, sinceridade e devoção). A segunda é traduzida como retorno: o ser humano veio ao mundo através de D-us e a D-us retornará. Retornar às boas atitudes, ao amor ao próximo e as mitzvót. Portanto deve-se aproximar de D-us, de maneira sincera e ativa. Como fazer isto? A terceira atitude é a resposta das anteriores: ajudar o próximo e fazer com suas mãos, seus gestos e atitudes um mundo melhor. Pode-se traduzir por caridade, mas discordamos desta interpretação e preferimos traduzir por justiça ou justiça social. A origem semântica da palavra permite tal tradução, pois tzedek é justiça. Esta atitude pode ser praticada de inúmeras formas e através de gestos diversos. As doações a creches, instituições beneficentes, a pessoas carentes, à sinagoga, à escola israelita, são maneiras muito boas de praticar a tzedaká.
Uma vertente muito respeitada é a Guemilut Chassadim: uma maneira de fazer esta mitzvá é dar emprego a alguém; emprestar para um negócio de alguém que está em dificuldades, mas tem habilidade e é trabalhador. Seria invés de dar o peixe, dar uma vara de pescar e ensinar a obter sustento. É uma maneira delicada e mais eficiente de atuar.
Investir em educação e ensinar as pessoas a serem produtivas, é Guemilut chassadim. Outra maneira é ajudar pessoas a serem felizes: ir a hospitais e creches e fazer atividades para crianças e idosos carentes.
Em Curitiba surgiu uma entidade nova de vida curta e de frágil manutenção. Num belo dia se juntaram três jovens e levantaram uma bandeira: temos de atuar na nossa realidade e ajudar a melhorá-la. Eram o Beno Reicher, o Wagner e o Ariel Feldman. Criaram o OVO, sigla que significa Organização, Vida e Oportunidade. Imaginaram levar o Dror para um bairro da periferia, para a população carente de uma vila. Agir na realidade local, criando um movimento juvenil modelado na experiência do Dror, mas adaptado à realidade local. Um sonho e talvez uma ilusão: mas já vai completar três anos. Muitos jovens passaram pela Vila Pantanal. Muitos jovens já atuaram em domingos de calor ou de frio, de sol e de chuva. Alguns adultos se engajaram, pois deram conta que se tratava de algo novo, inédito e especial. Ensinar os jovens da periferia a se organizar, a aprender um pouco da vivência educativa da Tnuá (movimento juvenil). O lazer educativo é uma maneira sábia que o movimento juvenil desenvolveu para ensinar "brincando" muitos valores e conteúdos. E desta maneira o OVO busca prosseguir. A dificuldade dos jovens para manter o projeto é cotidiana. Falta transporte todo o domingo. Alguns pais forneceram carros emprestados em certos períodos; já se alugou uma van e os jovens pagavam de seu bolso para ir fazer trabalho voluntário; o transporte sempre é um problema. Faltam verbas: os jovens arrecadam roupas velhas e fazem um brechó na Vila Pantanal ou juntam objetos usados e fazem um bazar. Oferecem aos próprios moradores os objetos usados, pois cobram bem barato (mas não dão de graça) e ainda arrecadam fundos. Ainda assim buscam uma maneira de seguir. Comece o ano de uma maneira nova: se renove oferecendo ao OVO algum tipo de ajuda: transporte, doação, trabalho voluntário, ou alguma sugestão que você tenha para dar. Contate com o Wagner (9976-2581) ou com o Ariel (9199-8675).

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