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O
projeto Ovo promove atividades aos domingos à tarde na Vila
Pantanal, área de invasão no Boqueirão. São
atividades educativas com fundo lúdico. Desde que foi criado,
há dois anos e meio, meia centena crianças e jovens
da Vila Pantanal têm participado das atividades. Ovo quer
dizer Organização Vida e Oportunidade.
O Ovo nasceu do Dror, segue a mesma estrutura desse movimento juvenil
que tem quase 58 anos no Brasil. E é na palavra movimento
que está a essência do Dror, e também do Ovo.
Movimento em hebraico é Tnuá. Aquilo que não
pára, que sempre está se renovando. Em Pêssach,
comemos a beitzá, o ovo. Uma das explicações
religiosas para esse símbolo é que o formato arredondado
dele representa um ciclo, algo que não acaba. O projeto Ovo
pretende ser essa beitzá da keará (prato) de Pêssach,
pois pretende ser cíclico, como a própria vida. Nascer,
crescer e morrer. Essa é a ordem das coisas. Mas a morte
não simboliza o fim, pois vai ter sempre alguém nascendo,
renovando, dando continuidade. Por isso a idéia central do
Projeto Ovo é sua própria sustentabilidade.
Ariel Feldman, um dos entusiasmados jovens que tem se dedicado ao
projeto deixa uma coisa bem clara: o grupo não pretende seguir
com as atividades na Vila Pantanal o resto de suas vidas. A idéia
é sair de lá. Mas não sair de mãos vazias,
e jogar o Ovo no chão para que ele se quebre. "Devemos
jogar lentamente o Ovo no chão para que ele deslize e role
suavemente, sem parar", diz
As dezenas de crianças que participam do projeto hoje crescerão
e serão os lideres do Ovo. Então terá chegado
a hora de sair, deixando as coisas fluírem naturalmente.
Eles caminharão com as próprias pernas. Este é
o objetivo ainda distante. O trabalho é lento e difícil,
mas isso não os desanima.
Mas por que o projeto? A infância e a adolescência em
áreas pobres são uma parte da vida muito complicada.
Os pais trabalham o dia todo e deixam seus filhos sozinhos, soltos.
Esses menores são então atraídos ao crime,
cheiraram cola ou traficam drogas. Nesse caso, limite entre uma
infância sadia e uma infância violenta é tênue,
frágil. Ao dar uma oportunidade para a criança, inseri-la
num contexto, os jovens do Dror tentam afastá-las da dura
realidade da periferia. Assim, crianças e adolescentes da
Vila Pantanal têm a chance de ser um líder comunitário
e ajudar a desenvolver o local em que mora.
Por outro lado, os integrantes do OVO sabem que também é
educação que estão oferecendo a si próprios.
Conhecem uma realidade bem distinta da que vivem. São verdadeiras
aulas sobre desigualdade social em campo. "Discursos que pregam
igualdade social não faltam e falar é muito fácil",
disse Ariel Feldman por ocasião do segundo aniversário
do OVO, lembrando que "a verdadeira educação
deve ser a união entre a teoria e a prática, a fusão
entre o discurso e a ação".
A equipe que compõe o Projeto Ovo conta com a ajuda de chaverim
do Dror, ex-chaverim, jovens da comunidade e recentemente abriu
suas portas às pessoas de fora da coletividade judaica. Jovens
que gostem de trabalhar com crianças e adolescentes e tenham
disponibilidade são bem-vindos.
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