Por: Sami K. Goldstein
Diz o ditado popular: o homem
é um ser insaciável. De todas as eternas buscas
do ser humano, a mais frustrante é, sem dúvida,
a procura da felicidade. Nossa satisfação é
circunstancial e temporária. E nosso erro está em
esperar pela felicidade em vez de conquistá-la! Esperamos
para sermos felizes quando nos formarmos ou quando voltarmos a
estudar; quando começarmos a trabalhar ou quando trocarmos
de emprego; quando perdermos 10 quilos ou ganharmos 10 quilos;
quando tivermos filhos ou quando eles finalmente saírem
de casa; quando comprarmos um carro novo, uma casa nova, uma roupa
nova... Quando, quando, quando...
Somos infelizes, pois nossa felicidade é sempre condicionada
a algo que não seja nós mesmos. Temos uma imagem
ideal que não podemos sustentar, pois não é
condizente com nossa realidade. Tornamo-nos insatisfeitos, pois
há uma grande lacuna entre o que imaginamos como perfeito
no momento e o que somos na verdade.
Isso me lembra a história de um pescador. Na aldeia em
que morava, assim falavam dele: "É um tipo esquisito.
Contenta-se com muito pouco. É inteligente e sabe fazer
muita coisa, mas não tem aspirações ou então
lhe faltam determinação e coragem. Desta maneira,
nunca será alguém na vida".
O simples homem cultivava uma pequena horta. E, de vez em quando,
pegava sua vara e ia ao rio pescar. Muitas vezes, quando pescava
alguns peixes, voltava para casa e aproveitava o tempo para fazer
o que gostava.
Um dia, passou por ali o homem mais rico da aldeia. Cansado e
absorto em seus negócios, resolveu parar para se refrescar
um pouco. Ao ver o pescador entretido com sua pescaria, disse
em tom de desprezo: "Quantos dons perde o povo! Você
pescou cinco peixes e vai embora? Por que não pesca mais?
E, se não precisar deles, venda-os e faça dinheiro!
O pescador não entendeu a pergunta: "E para que eu
quero o dinheiro?".
"Veja bem" - disse o rico - "faça como todos:
pesque, venda, ganhe dinheiro, monte uma barraca e compre um barco.
Em seguida, se você prosperar, monte uma frota e venda por
atacado!
"Não entendo" - humildemente disse o pescador
- "Mas tudo isso para quê?"
"Como assim?" - indignou-se seu companheiro - "Oras,
para ter mais, viver com mais segurança, mais à
vontade, gozar a vida, ter um trabalho, comprar uma casa no campo
para desfrutar da natureza, fazer o que quiser e não depender
dos outros".
E o pescador, ainda confuso, rebateu: "Acaso já não
tenho tudo isso agora?
Nossa constante procura pela felicidade resume-se à simples
soma da imagem do que para nós é o ideal com nossa
realidade. E, neste cálculo, só podemos fazer duas
coisas: modificar nossa imagem ou nossa realidade. Aceitem minha
sugestão: o melhor a fazer é modificar a imagem.
Isto quer dizer que, em vez de focar no que não temos ou
ainda não temos, reconheçamos o quanto já
conseguimos. A principal chave para a felicidade é, antes
de tudo, saber que não é o dinheiro ou poder que
asseguram a felicidade, mas, sim, a gratidão. A inveja
apenas a destrói. Diz a Mishná em Pirkei Avot: eizehu
ashir? Hasameach bechelko - quem é rico? Aquele que está
feliz com o que tem e, principalmente, com o que é.
Segundo e não menos importante: nosso grau de decisão
de sermos felizes, pois disso dependerá nossa maior ou
menor satisfação com os resultados. Não tenhamos
medo de sermos felizes, nem que isso nos force a mudanças.
Mudar, às vezes é bom. E nada, absolutamente nada,
vale o preço de nosso sonho. O desafio da vida está
em superar os obstáculos na nossa frente com determinação
e coragem, gratos pelo que já recebemos e confiantes na
nossa vitória pessoal. Não temos o direito de sermos
infelizes. Procure sua felicidade, onde quer que seja, conquiste-a
e seja feliz.
Este é o meu desejo para este Rosh Hashaná. Shaná
Tová!
*Sami Goldstein
é professor e líder espiritual da comunidade israelita
de Curitiba e da Sinagoga Francisco Frischman