Por: Yossef
Dubrawsky
"O Eterno é
a minha luz e a minha salvação, a quem então
temerei?" Estas são as palavras iniciais do salmo
27 recitado durante o mês de Elul, último do ano,
antes de Rosh Hashaná, um tempo para introspecção
e preparação para o Ano Novo.
D-us é a derradeira fonte de toda iluminação
e a luz espiritual de D-us está ao nosso alcance através
do estudo da Torá e da aplicação prática
dos seus ensinamentos na nossa vida. Pois "Tua palavra é
uma lâmpada para os meus pés e uma luz para o meu
caminho", diz o Salmista (Salmos 119:105) e D-us providencia
essa luz em direta proporção da vontade, anseio
e esforço do indivíduo de alcançá-la.
Muitas pessoas me procuram com diversos problemas. Eu acho que
um Rabino não tem uma vara mágica para resolver
situações difíceis e sim a responsabilidade
de comunicar ao seu rebanho que o Todo Poderoso D-us nos assegura
muita Brachá, se cumprirmos os Seus preceitos. No meu dia-a-dia
tenho o privilégio de testemunhar efeitos benéficos
de mitsvot. Um check-up de Mezuzá traz uma reviravolta
em estados críticos de saúde; adesão às
leis de pureza familiar e Mikvê ajudam trazer a bênção
de filhos e harmonia para o lar; o respeito ao Shabat e a disciplina
de Cashrut são fatores importantes na união das
famílias e na criação de filhos disciplinados;
a prática de Tsedaká aumenta os rendimentos financeiros
e o contato com o estudo da Torá influencia positivamente
a vida de muitos jovens e adultos.
O Infinito e Onipotente D-us nos proporciona canais para receber
a Sua luz e bênção e nos mune de maneiras
eficazes para prevenir muitos dos males que atingem a sociedade.
Ficamos às vezes tão envolvidos com as minúcias
das nossas finitas existências, absortos nos problemas,
que simplesmente conseguimos nos esquivar da solução
e deixamos de nos conectar com Ele.
Nas Grandes Festas já ouvi algumas pessoas se cumprimentando
e desejando uns aos outros "principalmente, saúde,"
acrescentando, "tendo saúde a gente dá um jeito
com o resto". Parece que essas pessoas tem receio de incomodar
demais a D-us ou abusar da bondade ou paciência Divina...
Uma vez um homem dirigindo uma carroça com cavalo ofereceu
uma carona para um pedestre que estava carregando uma sacola pesada
nos seus ombros. O exausto viajante, muito agradecido, aceitou
a oferta. Uns minutos depois, o cocheiro virou e notou que o seu
passageiro estava ainda agarrando o seu fardo. "Por que o
senhor não deixa o seu pacote no chão?", perguntou.
O passageiro respondeu: "Basta-me estar lhe dando trabalho
para me levar. Não quero lhe molestar ainda mais com o
peso da minha carga".
"Que ridículo," falou o cocheiro. Uma vez que
você está em cima da carroça, não faz
diferença se você segura ou larga a sua bagagem.
De qualquer jeito, sou eu que estou carregando ambos".
O Talmude ensina: "Ele que dá vida, também
proverá o sustento". (Taanit 8b).
Uma vez que é D-us que nos provê com a vida, não
seria tolice insistir em
carregar o nosso sustento e outros problemas sozinho?
Este Rosh Hashaná ao rezar Avinu Malkeinu e dizer "não
temos outro Rei a não ser Tu", vamos refletir sobre
o significado verdadeiro destas palavras. Deixemos que a luz do
nosso Pai e Rei penetre cada vez mais na nossa vida e no nosso
lar. Tornemo-nos recipientes dignos para captar a Sua bênção.
Desejo a toda comunidade Shaná Tová Umetucá,
Shnat Ora U´Veracha (um ano
bom e doce, um ano de luz e bênção) e que
D-us já se revele com toda Sua
glória concretizando a promessa da era da verdadeira luz,
paz e bênção com Mashiach.
* Yossef Dubrawsky
é rabino do Beit Chabad de Curitiba