Visão Judaica - Edição N° 17
:. A luz no início do túnel .:

 

Por: Yossef Dubrawsky

"O Eterno é a minha luz e a minha salvação, a quem então temerei?" Estas são as palavras iniciais do salmo 27 recitado durante o mês de Elul, último do ano, antes de Rosh Hashaná, um tempo para introspecção e preparação para o Ano Novo.
D-us é a derradeira fonte de toda iluminação e a luz espiritual de D-us está ao nosso alcance através do estudo da Torá e da aplicação prática dos seus ensinamentos na nossa vida. Pois "Tua palavra é uma lâmpada para os meus pés e uma luz para o meu caminho", diz o Salmista (Salmos 119:105) e D-us providencia essa luz em direta proporção da vontade, anseio e esforço do indivíduo de alcançá-la.
Muitas pessoas me procuram com diversos problemas. Eu acho que um Rabino não tem uma vara mágica para resolver situações difíceis e sim a responsabilidade de comunicar ao seu rebanho que o Todo Poderoso D-us nos assegura muita Brachá, se cumprirmos os Seus preceitos. No meu dia-a-dia tenho o privilégio de testemunhar efeitos benéficos de mitsvot. Um check-up de Mezuzá traz uma reviravolta em estados críticos de saúde; adesão às leis de pureza familiar e Mikvê ajudam trazer a bênção de filhos e harmonia para o lar; o respeito ao Shabat e a disciplina de Cashrut são fatores importantes na união das famílias e na criação de filhos disciplinados; a prática de Tsedaká aumenta os rendimentos financeiros e o contato com o estudo da Torá influencia positivamente a vida de muitos jovens e adultos.
O Infinito e Onipotente D-us nos proporciona canais para receber a Sua luz e bênção e nos mune de maneiras eficazes para prevenir muitos dos males que atingem a sociedade. Ficamos às vezes tão envolvidos com as minúcias das nossas finitas existências, absortos nos problemas, que simplesmente conseguimos nos esquivar da solução e deixamos de nos conectar com Ele.
Nas Grandes Festas já ouvi algumas pessoas se cumprimentando e desejando uns aos outros "principalmente, saúde," acrescentando, "tendo saúde a gente dá um jeito com o resto". Parece que essas pessoas tem receio de incomodar demais a D-us ou abusar da bondade ou paciência Divina...
Uma vez um homem dirigindo uma carroça com cavalo ofereceu uma carona para um pedestre que estava carregando uma sacola pesada nos seus ombros. O exausto viajante, muito agradecido, aceitou a oferta. Uns minutos depois, o cocheiro virou e notou que o seu passageiro estava ainda agarrando o seu fardo. "Por que o senhor não deixa o seu pacote no chão?", perguntou.
O passageiro respondeu: "Basta-me estar lhe dando trabalho para me levar. Não quero lhe molestar ainda mais com o peso da minha carga".
"Que ridículo," falou o cocheiro. Uma vez que você está em cima da carroça, não faz diferença se você segura ou larga a sua bagagem. De qualquer jeito, sou eu que estou carregando ambos".
O Talmude ensina: "Ele que dá vida, também proverá o sustento". (Taanit 8b).
Uma vez que é D-us que nos provê com a vida, não seria tolice insistir em
carregar o nosso sustento e outros problemas sozinho?
Este Rosh Hashaná ao rezar Avinu Malkeinu e dizer "não temos outro Rei a não ser Tu", vamos refletir sobre o significado verdadeiro destas palavras. Deixemos que a luz do nosso Pai e Rei penetre cada vez mais na nossa vida e no nosso lar. Tornemo-nos recipientes dignos para captar a Sua bênção.
Desejo a toda comunidade Shaná Tová Umetucá, Shnat Ora U´Veracha (um ano
bom e doce, um ano de luz e bênção) e que D-us já se revele com toda Sua
glória concretizando a promessa da era da verdadeira luz, paz e bênção com Mashiach.

* Yossef Dubrawsky é rabino do Beit Chabad de Curitiba


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