De
acordo com o Talmud, foi em Shavuot (6º dia
do mês de Sivan) que os filhos de Israel
receberam os Dez Mandamentos no Monte Sinai.
Por esta razão, o feriado é chamado
Zman Matan Torateinu, o aniversário da
entrega da Torá.
O nome bíblico do feriado, Shavuot, ou mais especificamente Chag Há'Shavuot,
significa "Festa das Semanas", o término da contagem de sete
semanas (Sefirat Ha'Omer) que se inicia no segundo dia de Pessach.
Dois outros nomes usados na Bíblia em referência ao feriado ressaltam
seu caráter agrícola: Chag Ha'Katzir, a Festa da Ceifa, e Yom Há 'Bikurim,
o Dia dos Primeiros Frutos. Em comemoração ao início da
colheita de trigo, levavam-se ao Templo dois pães feitos com farinha do
trigo recém-colhido e uma oferenda dos primeiros frutos da colheita.
Na terminologia talmúdica, Shavuot é também chamado de Atzeret,
um nome que significa "convocação" e designa tradicionalmente
o último dia de um feriado. A implicação, segundo os rabinos, é que
Shavuot representa a conclusão do feriado de Pessach. Do ponto de vista
agrícola, histórico e espiritual, ambos os feriados estão
inexplicavelmente ligados.
Por que é costume passar em claro a noite de Shavuot?
De acordo com o Midrash, na noite anterior à entrega da Torá no
Monte Sinai, os israelitas adormeceram e tiveram que ser acordados por Moshe
com trovões e relâmpagos. Para compensar o desrespeito, passamos
a noite em claro estudando.
O costume tem o nome de tikun leil Shavuot, literalmente "o aprimoramento
da noite de Shavuot". Os mais observantes passam a noite inteira estudando
trechos dos livros sagrados - Bíblia, Mishná, Talmud, Zohar - lendo
poemas litúrgicos e recitando orações.
Por que se lê o Livro de Ruth em Shavuot?
O Livro de Ruth descreve detalhadamente a beleza da época da colheita,
que coincide com Shavuot.
De acordo com a tradição, o Rei Davi - que é descendente
de Ruth e cujo nascimento é narrado no Livro de Ruth - nasceu e morreu
em Shavuot.
A experiência de Ruth, uma mulher moabita que se converteu ao Judaísmo,
se assemelha de certa forma à experiência dos israelitas, que se "converteram" plenamente à fé judaica
ao receberem a Torá em Shavuot. Assim como a conversão de Ruth
foi acompanhada de dificuldades e privações, assim também
o conhecimento dos mandamentos só se adquire com dedicação
e perseverança. A história comovente da lealdade, da devoção,
do amor de Ruth ao seu povo é um exemplo e uma fonte de inspiração
para todos nós na ocasião em que celebramos o aniversário
da entrega da Torá.
Por que é costume comer derivados de leite e doces com mel em Shavuot?
Os rabinos oferecem várias interpretações para estes costumes.
Moisés passou 40 dias e 40 noites no Monte Sinai preparando-se para a
entrega da Torá em Shavuot. O valor numérico da palavra hebraica "chalav",
que significa "leite", é 40.
Nossos sábios dizem que os ensinamentos da Torá são "nutritivos
como o leite e doces como o mel".
A cor branca do leite é um símbolo de pureza. Estudando os ensinamentos
da Torá e cumprindo seus mandamentos, o homem se torna puro como o leite.
O leite é o alimento dos recém-nascidos. Comendo lacticínios
em Shavuot, demonstramos que estamos conscientes de quão pequenos somos
diante da grandeza da Torá. E assim como o bebê aprende algo de
novo a cada dia, estamos ávidos por captar cada vez um pouco mais dos
ensinamentos divinos.
Além destas interpretações poéticas, existe também
uma explicação de ordem prática. Somente quando receberam
a Torá é que os judeus tomaram conhecimento das leis alimentares.
Naquele dia não dava mais tempo de abater os animais segundo o ritual
prescrito, nem de escaldar os utensílios para torná-los kasher.
A primeira refeição após a Revelação, portanto,
consistiu exclusivamente de leite e queijo.
Por que é costume enfeitar a sinagoga em Shavuot com ramos de árvores
e folhagens?
De acordo com a Mishná, Shavuot é o dia em que Deus julga as árvores
e determina se o ano seguinte será de fartura ou escassez. Enfeitando
a sinagoga com plantas, expressamos nosso desejo de que as árvores continuem
produzindo bons frutos.
As plantas lembram também a infância do personagem central no episódio
da entrega da Torá, Moisés, que foi escondido por sua mãe
numa cesta entre os juncos à beira do Rio Nilo.
Em algumas comunidades, o chão da sinagoga é forrado de folhas,
lembrando o Monte Sinai que se cobriu milagrosamente de grama antes da Revelação,
em contraste com à aridez de toda a região.
Alguns enfeitam a sinagoga com flores perfumadas, simbolizando o "aroma" dos
ensinamentos da Torá.
Como podemos dizer que comemoramos a liberdade, se na Tora estão puras
leis e o único que nos faz é nos limitar?
"A Torá diz que não posso viajar no Shabat. Que tenho que
jejuar em Yom Kipur. Que tenho que rezar todas as manhãs. Que não
posso falar mal das pessoas que não agüento, que não posso
isso... que tenho que fazer aquilo...onde está a liberdade???
A resposta é que realmente a pessoa necessita de limites para poder exercer
a liberdade. Por exemplo: Não é uma falta de liberdade respeitar
os sinais de trânsito? Eu quero ser livre, circular onde eu quero, e não
ter que parar cada vez que o sinal esta vermelho.
Mas é obvio que isso não traz a liberdade, senão o contrario,
quando o sinal não funciona, não somos mais livres, ficamos presos
uma hora no engarrafamento.
Quando alguém quer disputar a copa do mundo, tem que estar todos os dias
na hora do treino, comer uma dieta especial, obedecer as instruções
do técnico etc., etc...
E isso não o faz menos livre, ao contrario, isso é o que lhe da
a liberdade.
O homem tem muito potencial, a única maneira de aproveitá-lo é com
disciplina, e a disciplina necessita obrigatoriamente de limites... Em todas
as áreas: negócios, esportes, estudos, dietas...
Esta é a liberdade de Shavuot. A Torá é a disciplina para
extrair em potencial a luz que cada um de nos tem. Não são proibições,
e sim, são as regras do jogo.
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