Amor
Mútuo
D-us sempre se orgulha das virtudes do povo
judeu e o louva, e o povo, por sua vez, sempre
louvou a grandeza de D-us. Rabi Levi Yitschac
de Berdishev
dá um exemplo disto através da forma distinta como D-us e seu
povo referem-se à festa de Pessach. Enquanto os judeus escolheram o
nome "Pessach", D-us a chama "a Festa do Pão Ázimo".
Por que?
Enquanto Pessach significa "passar por cima", em agradecimento ao
Criador por ter "passado" por cima das casas do povo judeu e ter
poupado seus filhos da praga da morte aos primogênitos, a Torá,
por outro lado, classifica como "A Festa do Pão Ázimo" para
salientar a virtude do povo judeu que na saída do Egito, partiram sem
levar provisões, apenas uma massa de pão que nem teve tempo de
crescer ou assar, em um ato de total confiança e eterno amor ao Criador.
As
Dez Pragas
O grande sábio Rashi demonstrou que as pragas seguem a mesma estratégia
que era criada pelos reis da antiguidade ao imporem o cerco ao inimigo.
Primeiro é cortado o suprimento de água da cidade sitiada, para
obrigar os habitantes à submissão (correspondendo à praga
do sangue). Então o exército é instruído a tocar
instrumentos fazendo ruídos altos, assustadores, de forma a deixar os
habitantes nervosos e abalar sua resolução de lutar (correspondendo
ao coaxar dos sapos); e assim por diante, durante todas as dez pragas, culminando
com a morte dos primogênitos egípcios e finalmente libertando
os judeus da escravidão.
Ovo
Duro
Uma das inúmeras idéias relacionadas com o ovo colocado como
símbolo na keará (travessa do sêder) é de que, normalmente,
um alimento quanto mais é cozido, mais macio se torna. No caso do ovo é o
contrário; quanto mais se coze, mais duro se torna. Assim é o
povo judeu: quanto mais é oprimido ou afligido, como ocorreu no Egito,
mais fortalecido e numeroso se torna.
Por que é costume derramar um pouco de vinho enquanto as Dez Pragas
são mencionadas durante o sêder (Ceia da Páscoa)?
Para que todo judeu lembre-se de que em todo e qualquer momento em que celebra
sua felicidade, seja neste caso, a vitória do bem sobre o mal, da escravidão
para a liberdade, deve lamentar o sofrimento e a morte de seres humanos, mesmo
sendo estes seus piores inimigos.
10
Níveis
As três matsót, os seis símbolos e a própria travessa
do sêder somam 10 elementos no total e representam as 10 sefirót
(níveis cabalísticos), através das quais a luz Divina
será revelada no mundo.
Farinha
e água
Ambos chamêts e matzá são feitos de farinha e água.
Entretanto, o chamêts cresce, simbolizando uma atitude de egoísmo
inflado e orgulho exagerado. Em contraste, a matzá permanece fina, aludindo à humildade
e submissão. Comendo matzá, internalizamos estas qualidades,
fazendo com que sejam partes integrantes de nossa carne e sangue.
Liberdade
no passado e no presente
Em cada geração uma pessoa é obrigada a considerar-se
como tendo realmente saído do Egito. A redenção do Egito
e a subseqüente experiência da entrega da Torá estabelece
a identidade do povo judeu como "servos de D-us", e não "servos
de servos".
Após deixarem a escravidão do Egito, eles jamais poderiam estar
sujeitos a este tipo de servidão. Um grande sábio conhecido como
o Maharal de Praga explica exaustivamente como a liberdade adquirida pelo êxodo
transformou a natureza essencial de nosso povo. Apesar das conquistas e escravidão
impostas por outras nações, a natureza fundamental do povo judeu
nunca mudou.
Com o Êxodo, adquirimos a natureza e qualidades de homens livres. Esta
natureza é mantida apenas porque D-us está constantemente nos
libertando do Egito. O milagre da redenção não é um
evento do passado, mas um fato constante em nossas vidas.
Matzá
Com apenas este alimento não fermentado, nossos ancestrais confiaram
que o Todo-Poderoso forneceria o sustento para toda uma nação
de homens, mulheres e crianças. Assim, os únicos "ingredientes" para
a fé são humildade e submissão a D-us.
O Zôhar explica que a matzá ingerida no primeiro sêder desperta
a fé, enquanto a do segundo traz a cura.
O
ausente
Os quatro filhos, embora diferentes no comportamento,
têm algo em comum:
eles todos participaram da mesa do sêder. Mesmo o filho perverso faz
perguntas sobre Torá e mitsvót, e podemos esperar que retornará ao
caminho.
Infelizmente, nos dias de hoje temos o quinto filho, que não está presente à mesa
do sêder, e nem ao menos sabe o que é o sêder. É nossa
obrigação procurar este quinto filho, convidá-lo à nossa
mesa e usar esta oportunidade para reunir mais um a compartilhar de nossa maravilhosa
herança.
O
Poder da Fé
Sobre o versículo: "Os judeus viram a grande mão de D-us
no Egito e eles acreditaram em D-us", o rabino de Gur comenta que mesmo
depois que viram D-us, precisavam ainda assim ter fé. A fé é mais
forte que o ato de "ver"; se encontra em um nível muito mais
elevado que a simples visão.
Os
quatro copos de vinho
O vinho é sinônimo de alegria e liberdade. Há várias
explicações para as quatro taças. Entre elas, a de que
simbolizam as quatro promessas de D-us de redenção descritas
na Torá, com relação a libertação do povo
judeu do Egito: "Eu os libertarei do trabalho no Egito; e Eu os libertarei
da escravidão. Eu os redimirei com braço forte e estendido e
Eu os guiarei para serem Meu povo."
Os filhos de Israel, mesmo no exílio egípcio, tinham quatro grandes
méritos: não trocaram seus nomes hebraicos, falavam a língua
hebraica, levaram uma vida altamente moral e permaneceram leais uns aos outros
e a D-us.
Os
Quatro filhos
A Torá nos fala de quatro filhos: o sábio, o perverso, o tolo
e aquele que não sabe perguntar. Há observações
interessantes a serem feitas sobre eles. Uma delas é a razão
pela qual o filho perverso não é mencionado por último,
mas logo após o filho sábio. O motivo é que estando próximo
ao filho sábio passa a ser deste a responsabilidade de ensinar ao perverso
a enxergar o bem, ao invés do mal.
A Torá coloca o tolo e aquele que não sabe perguntar por último,
pois a ignorância é algo muito grave. Se eles tivessem perguntado,
buscado, diferenciado entre o certo e o errado, teriam adquirido sabedoria.
Mas por estarem completamente "desconectados", não possuem
nada. Já o perverso possui um potencial muito maior, por estar por dentro
do assunto e ter se tornado um conhecedor, embora mal intencionado. Mas ele,
entretanto, possui o potencial de mudar. Que possa o filho sábio estar
a seu lado para influenciá-lo na escolha do bem.
Mesmo o filho sábio, não deve se descuidar. Não deve achar
que por causa de sua sabedoria, nada irá lhe abalar. É da sua
natureza querer experimentar, inventar, conhecer. Em todos estes momentos deverá tomar
muito cuidado: deverá ter em mente que o mal está sempre espreitando
ao seu lado.
Por
que milagres não acontecem? |
Um
aluno aproximou-se do rabino Eliezer e perguntou:
"Por que a gente vê tantos milagres acontecerem na saída dos
judeus do Egito, e hoje, nenhum?"
"Você se lembra quando os romenos conquistaram uma cidade vinte anos
atrás? Na mesma hora saíram em uma grande marcha exibindo todos
seus homens e armas, em um desfile, orgulhosos pelas ruas. Por que após
esta data nunca mais fizeram esta exibição? Porque quando alguém
conquista um país deseja mostrar quem é que manda. Já que
sabemos, de antemão, quem manda no mundo, e que já foi afirmado
por D-us através de grandes milagres, então basta; já sabemos!"
Nos
tempos antigos, apenas às pessoas livres
era permitido reclinar-se enquanto comiam.
Uma vez que Pessach é a Festa da Libertação, sentamos
todos reclinados.
O
Rambam explica que, embora os egípcios
estivessem apenas cumprindo a Vontade Divina
a fim de que os judeus tivessem que suportar
exílio
e servidão, mesmo assim, a razão pela qual foram punidos é que
cada indivíduo egípcio foi culpado de sua opressão pessoal
aos judeus.
Embora D-us tenha indicado que a escravização e a perseguição
dos judeus ocorreria por parte de uma "nação", este
conhecimento prévio não obrigou nenhum egípcio em particular
a cumprir estes atos. Cada egípcio participou na subjugação
dos judeus por sua própria vontade. Se tivesse escolhido, poderia ter
deixado de juntar-se às massas, pois D-us meramente declarou que o povo
como um todo seria escravizado.
O
sêder, além de seu valor intrínseco,
destaca claramente o elemento básico da
tradição: o papel do pai como professor
dos filhos. O Talmud descreve que a razão pela qual fazemos tantas coisas
e de forma específica durante o sêder é para estimular
as perguntas dos filhos para darmos as respostas.
O princípio pedagógico afirma que a melhor compreensão
e lembrança de algo ocorre quando envolve o interesse e curiosidade
do aluno. Ao estimular o interesse das crianças durante o sêder
podemos esperar que as lições da noite sejam duradouras e marcantes.
Como disse um grande mestre: "É melhor que façam as perguntas
ainda em casa, para que pais e professores respondem, do que esperar que pessoas
lá fora o façam. Quando isto ocorre é tarde demais para
tentar responder".
Tudo
Certo
Pouco após sua mudança e se encontrar instalado na Terra de Israel,
o Rabino Chaim Meir de Vijnits falou a seus discípulos: "Há algo
que aprecio muito neste país. As pessoas sempre dizem: 'Hacol b'sêder',
está tudo certo!' Eles não imaginam como estão certos!
Hacol, (tudo) depende do que aconteceu durante o sêder (de Pêssach)."
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