O
dia quatro de Iyar (neste ano cai no dia seis
de maio), véspera do Dia da Independência,
foi definido em Israel, há 54 anos atrás,
como o Dia de Recordação aos mortos
nas batalhas para o estabelecimento do Estado
de Israel em sua terra, e aos que caíram
por sua pátria, na Guerra da Independência
e também nas que a seguiram.
De acordo com a lei, na noite do dia quatro de Iyar todos os locais de entretenimento
do país ficam fechados. As bandeiras são baixadas em todos os lugares
públicos a meio mastro, velas de recordação são acesas
em todos os edifícios públicos e nas sinagogas, as pessoas se reúnem
nos cemitérios militares, e são realizados atos públicos
de recordação. Desde 1965, o ato de abertura deste dia se realiza
no Muro das Lamentações. Na oração de Shacharit,
muitas sinagogas agregam uma oração especial por esta Recordação.
Antes do meio-dia, se escuta em todo país o soar das sirenes por dois
minutos, e todos os habitantes de Israel param suas atividades e permanecem em
pé, em silêncio.
Ao término de Iom Hazikaron, iniciam-se as comemorações
de Iom Haatzmaut.
A data é de recordação por todos os que morreram em todas
as guerras que Israel teve que suportar com seus vizinhos árabes. Sempre
em minoria, enfrentando exércitos grandes e numerosos, Israel lutou a
Guerra da Independência (1948), a do Sinai (1956), a dos Seis Dias (1967),
a de Iom Kipur (1973), a Operação Paz na Galiléia (1982),
a Intifada (1987), a Guerra do Golfo (1991) e Intifada de Al Aksa (2000-2002).
Palavras de Recordação
Palavras do primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, no Ato do Dia de Recordação
pelos Mortos nas Batalhas de Israel, no cemitério do Monte Herzl, em 2002.
Excelentíssimos Senhor Presidente do Estado de Israel
Famílias enlutadas
Público em geral
Em meu caminho para cá passei pelos meus companheiros que aqui jazem e
membros do moshav em que nasci, estudei e cresci. Não há aqui nesta
colina uma quadra de sepulturas sequer em que eu não tenha conhecidos,
companheiros, comandantes e comandados. Aqui com eles, nesta colina, jazem as
memórias da minha infância, da juventude, de todas as batalhas de
Israel em que participei, a alegria das vitórias e a dor da derrota e
o sofrimento profundo que sempre volta e me golpeia pela morte de companheiros,
pelos talentos e sonhos que desapareceram.
Este monte elevado, que observa a nossa capital eterna, Jerusalém, encobre
em seu solo os nossos heróis. Aqui e em todos os cemitérios militares
através do país, e também nas profundezas do mar, nos lugares
conhecidos e naqueles que desconhecemos, é o seu último descanso.
Hoje toda a nação se une, uma grande família enlutada, com
a memória de seus filhos e filhas que tombaram nas campanhas de Israel.
Neste entardecer novamente a nossa bandeira estará totalmente hasteada
no mastro e o milagre de nossa independência será celebrado. Mas
saberemos e lembraremos o preço, e reconheceremos a liberdade que foi
adquirida à custa do sangue dos que tombaram, do grande sofrimento da
família enlutada, e da dor dos feridos e dos inválidos que levam
em seu corpo as cicatrizes da guerra.
A pára-quedista Hana Senesz, que saltou ao âmago do inferno nazista
na Europa ocupada a fim de salvar irmãos do incêndio, escreveu com
tal simplicidade poética
"Uma voz chamou, e eu fui, fui porque a voz chamou, fui para não
cair."
Esta voz interior límpida e pura é o comando do coração.
A ordem de missão pelo renascimento do povo. Ordem para defender o lar,
para estabelecer um muro de defesa contra o inimigo e o perseguidor é um
comando do coração que move combatentes a se voluntariar, a servir,
a investir através do fogo, a arriscar a vida a fim de defender e de guardar
o Estado de Israel.
Este comando, que é base de nossa vida nacional, não deve ser contestado.
Sem ele não teríamos o renascimento e existência ante aqueles
que se erguem contra nós. Ele é a vela de recordação
do heroísmo de Israel, que suporta toda tempestade externa e todo espírito
errante interior, e que jamais se apagará.
Nos últimos meses encontrei novamente pessoas assim, pessoas como nós,
pessoas comuns que atendem ao comando do coração: Um soldado reservista
que foi ferido em Jenin e que me disse: "Devo me recuperar e voltar",
o cidadão de Efrat que com seu corpo brecou um terrorista suicida e com
isto salvou vidas, a policial de Kfar Saba que sai toda noite para patrulhar
as ruas da cidade para que nossas crianças possam dormir em segurança.
Pessoas comuns que deixaram as suas casas, seu trabalho, seus filhos. Pessoas
comuns que conduzem a batalha da defesa do lar na luta contra o terror, alertas
também agora, que estão em seus postos, pessoas comuns, comandantes
e soldados do Exército de Defesa de Israel da ativa e reservistas, soldados
da Polícia de Israel e da Polícia de Fronteiras, pessoas dos serviços
de segurança e do Mossad, pára-médicos do Maguen David Adom,
os médicos e enfermeiros dos hospitais, os bombeiros, os voluntários
da Guarda Civil, todos se voluntariam.
Pessoas comuns, do campo e da cidade, que usam kipá, provenientes do kibutz,
judeus, drusos, beduínos, circassianos, novos imigrantes e nativos, pessoas
comuns que são a prova tão vigorosa e tocante para quem esqueceu
quão forte é este povo, quanto somos firmes.
Pessoas comuns, mas tão especiais.
Hoje, junto com os senhores, silenciaremos o atropelo da rotina ante o peso da
memória e ouviremos e estaremos atentos ao silêncio. E seja a lembrança
de nossos companheiros caídos pura e isenta de qualquer disputa e divergência,
sublime e sagrada como o mérito de seu sacrifício. Unamo-nos, lembremos
e prometamos cuidar de um Estado de Israel bom, coeso, forte e justo, e comprometamo-nos
a fazer tudo a fim de eliminar a guerra de nossa terra e instalar nela a segurança
e a paz.
Que a memória dos mortos nas lutas de Israel seja inscrita em nosso coração
para sempre. Sejam a sua lembrança e o seu sacrifício um modelo
de coragem, de fé na eternidade de Israel.
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