De
acordo com a tradição, embora a
sentença divina seja decretada em Rosh
Hashaná, os portões do arrependimento
continuam abertos até os últimos
instantes de Iom Kipur, no décimo dia
de Tishrei, quando a sentença é selada.
Os dias intermediários entre os dois feriados
são, portanto, "dias de penitência",
nos quais praticamos atos de caridade, perdoamos
as ofensas alheias e tentamos reparar as faltas
que cometemos, na esperança de que o julgamento
de D-us ainda se possa modificar favoravelmente.
Sob o ponto de vista judaico, a forma ideal de
alcançar o perdão divino é buscar
o perdão humano - expulsando da alma os
rancores e ressentimentos, procurando uma reconciliação
com o próximo e consigo mesmo.
O Shabat que cai entre Rosh Hashaná e Iom Kipur tem um nome especial:
Shabat Shuvi, o "Shabat do Retorno" (a D-us). "Shuvá" é a
primeira palavra da Haftará, o trecho do profeta Oséias que lemos
nesse dia, e é especialmente significativa nesse período em que
tentamos nos aproximar - ou reaproximar - de D-us.
Iom Kipur é um dos dias mais importantes do judaísmo. Como pouca
gente sabe verdadeiramente as 5 proibições de Iom Kipur, são
elas:
1. Comer (desde um pouco antes do pôr-do-sol da véspera até o
nascer das estrelas do dia seguinte;
2. Usar calçados de couro;
3. Relacionamento conjugal;
4. Passar cremes, desodorante, etc. no corpo;
5. Banhar-se por prazer.
A essência destas proibições é causar aflição
ao corpo, dando, então, prioridade à alma. Pela perspectiva Judaica,
o ser humano é constituído pelo yétzer hatóv (o desejo
de fazer as coisas corretamente, que é identificado com a alma) e o yétzer
hará (o desejo de seguir os próprios instintos, que corresponde
ao corpo). Nosso desafio na vida é "sincronizar" nosso corpo
com o yétzer hatóv. Uma analogia é feita no Talmud entre
um cavalo (o corpo) e um cavaleiro (a alma). É sempre melhor o cavaleiro
estar em cima do cavalo!
Durante as orações falamos o Vidúy, uma confissão,
e Ál Chét, uma lista de transgressões entre o homem e D-us
e o homem e seu semelhante. É interessante notar duas coisas: primeiro,
as transgressões estão em ordem alfabética (em Hebraico).
Isto torna a lista bastante abrangente, além de permitir a inclusão
de qualquer transgressão que se queira na letra apropriada.
Em segundo, o Vidúy e Ál Chét estão no plural. Isto
nos ensina que somos um povo "entrelaçado", responsáveis
uns pelos outros. Mesmo se não cometemos uma determinada ofensa, carregamos
uma certa responsabilidade por aqueles que o fizeram -- especialmente se poderíamos
ter evitado tal transgressão.
Mas o que é o Iom Kipur? São proibições como
no Pessach?
NÃO, Iom Kipur é o tempo em que se eleva a alma para perto do Trono
e Balança Divina.
Mas então é a época em que se pede perdão?
NÃO, o tempo de pedir perdão é entre Rosh Hashaná e
Iom Kipur. No decorrer das rezas de Kipur, é que concluímos este
apelo ao Senhor, mas de nada adianta pedir perdão a D-us se o pecado foi
cometido ao próximo deve-se pedir desculpas, perdão para depois
clamar perdão a D-us.
Em Iom Kipur o Toque do Shofar é o momento mais importante da data, nele
você sente o seu julgamento sendo feito, a assinatura de D-us o momento
de máxima importância para os judeus.
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