Chanucá -
Festa das Luzes
"E
Yehudá Macabí e seus irmãos,
com toda a comunidade de Israel, resolveram que
a data da reinauguração do altar
devia ser celebrada, ano após ano, durante
oito dias, desde o dia 25 do mês de Kislev,
com alegria e regozijo". (1 Macabeus, IV,
57).
Uma vitória militar e uma reivindicação espiritual é o
que comemora Chanucá, festa que se celebra durante oito dias, a começar
de 25 de Kislev. Corresponde esta efeméride à rebelião
da Judéia contra o domínio sírio (século II), encabeçada
pelos Macabeus; e seu feliz desfecho, apesar das condições inferiores
dos israelitas frente ao inimigo poderoso, dão a este episódio
um caráter milagroso e infundem na comunidade judaica um sentimento
de admiração, impregnada de esperança.
Significado
de Chanucá
Chanucá significa
em hebraico inauguração. Refere-se,
neste caso, à reinauguração
do Templo de Jerusalém, primeira medida
reparadora adotada pelos heróicos lutadores
após sua vitória sobre as hostes
inimigas.
Diz a história que, ao penetrarem os judeus no santuário, profanado
durante os anos de domínio sírio, e ao se disporem a acender
de novo a luz do candelabro, a qual devia arder continuamente no altar, acharam
apenas um cântaro inviolado de óleo sagrado; ainda que seu conteúdo
era o que de outras vezes as lâmpadas consumiam num dia apenas, nesta
oportunidade durou oito dias, tempo necessário à preparação
de óleo fresco. Por isso se chama Chanucá a Festa das Luzes,
e o candelabro é o símbolo característico desta festa.
Pretende outra lenda que, ao verem profanada a Menorá (candelabro),
os macabeus hajam apanhado oito lanças, esquecidas pelos sírios
no interior do Templo, e as tenham rodeado de troncos em cuja extremidade superior
colocavam as lâmpadas, construindo assim, com as mesmas armas do inimigo,
um sucedâneo provisório do símbolo ultrajado.
Antecedentes
Históricos
Em
meados do século II antes da era atual,
encontrando-se Eretz Israel sob o domínio
sírio, subiu ao trono Antíoco Epifânio
(175-163); fora este monarca educado na cultura
helênica e, desejando,converter seu vasto
império num conglomerado homogêneo,
tratou de irnpor também a Eretz Israel
a religião e os costumes gregos.
Rigorosas e cruéis foram as medidas com que se dera cumprimento às
suas ordens, todas as manifestações da fé judaica foram
proibida, e as infrações desta restrição castigadas
com penas severas, para maior exatidão, mortais. O Templo foi profanado
e os judeus compelidos a render tributo aos deuses helênicos, cujos altares
haviam sido erigidos por toda parte.
Depois de longos anos de resistência passiva, em que a onda de helenismo
ameaçou destruir os alicerces do judaísmo, começou a se
organizar a revolta. Foram chefes desta o Grão Sacerdote Matatias, da
família dos Asmoneus, e seus cinco filhos. E, no ano 165, antes da era
atual, ao ordenar Antíoco que se instalasse um altar em louvor a Zeus,
no Templo de Jerusalém, o movimento sedicioso estalou. A princípio,
foi uma guerra de guerrilhas, depois, combates abertos, nos quais o poderoso
exercito sírio foi vencido e expulso do país.
Iniciada sob o comando de Matatias, a revolta foi depois dirigida por um de
seus filhos, Yehudá, cognominado o Macabeu (martelador). Foi Yehudá que
restaurou a Menorá do Templo e que sugeriu fosse esse episódio
celebrado todos os anos com oito dias de festa.
Sentido
espiritual de Chanucá
A
par do seu caráter de vitória militar,
Chanucá tem um sentido espiritual que
não fica atrás em importância.
Significa a restauração da idéia
judaica e o fim da corrente pagã que principiara
a arrastar os israelitas para o desvio de sua
cultura, tradições e religião,
em que a vida parecia mais agradável.
Diante da austeridade e da disciplina moral que
sempre caracterizou o judaísmo,
a vida grega de então tinha, forçosamente, que sorrir como tentação
poderosa a muitos jovens judeus. O culto do corpo e da força física,
a aceitação de deuses amáveis, de aparência mais
humana que a divina, foram progredindo, e a tendência helenizadora ameaçou
firmar-se perigosamente. Em contraposição a ela, surgiu uma força,
tradicionalista, a dos chassidim que reuniu os defensores da antiga fé de
Israel. Helenistas e judeus dividiam as preferências do povo, mas pesava
como fator favorável aos primeiros a dominação estrangeira
da mesma tendência.
Por isso foi, tão decisiva para a vida judaica essa vitória dos
macabeus. Afugentado o inimigo que era, ao mesmo tempo, opressor e tentador,
a corrente grega perdeu seu impulso, e sobre o solo de Eretz Israel voltavam
a reinar, indiscutíveis, a fé legítima e a cultura autóctone.
Na
Sinagoga
Uma
só cerimônia e uma prece especial
diferenciam o ofício religioso de Chanucá do
dos outros dias. Na realidade, Chanucá é considerada,
sob esse ponto de vista, uma festa menor em relação às
chamadas Grandes Festas.
Consiste a cerimônia na iluminação do candelabro de oito
braços, que se faz progressivamente durante os oito dias da festa. Principia-se
com uma só luz, junta-se outra no dia seguinte, e assim até chegar
ao oitavo dia com todas as luzes acesas.
A oração, agradecendo "pelos milagres", Al ha-Níssim,
e uma demonstração de gratidão ao Eterno pelos episódios
maravilhosos que, graças a sua proteção, ocorreram nos
dias de Yehudá Macabeu: "... entregaste poderosos na mão
de débeis, numerosos na mão de poucos... E depois vieram teus
filhos à Tua Morada, e limparam Teu Palácio e purificaram Teu
Santuário e acenderam luzes nos Teus sagrados átrios...".
No
Lar
É no
lar que a celebração de Chanucá se
reveste de maior importância, e são
as crianças que aguardam com mais ansiedade
sua chegada, pois Chanucá envolve presentes,
pastéis e jogos.
A cerimônia do candelabro é cumprida de maneira igual à sinagoga.
Ao acender as velas ou lamparinas de azeite, o pai pronuncia benções às
quais a família responde dizendo: "Amén". Além
dos oito braços, cada Menorá que recebe o nome especial de Chanukiá,
possui um braço suplementar, "o servente", colocado um pouco
mais acima, com o qual se acendem os demais. Preparado o candelabro, todos
entoam em coro o Maoz Tsur, melodia popular, cujo texto recorda as quatro épocas
de perseguição. a egípcia, a babilônica, a de Hamán
e a de Antíoco, felizmente sobrevividas pelo povo hebreu.
O
candelabro é posto então na guarnição
de uma das janelas exteriores ou no balcão,
para que sua luz lembre aos transeuntes o triunfo
da liberdade e da luz espiritual. A luz destas
velas ou lamparinas que deve durar pelo menos
meia hora por dia nenhuma tarefa é permitida,
pois não se deve dar a essa luz de caráter
religioso um destino utilitário.
Em troca, esse tempo é dedicado a jogos, alguns deles inspirados em
antigos passatempos. O mais popular é o trandel ou drêidel (do
alemão drehen = girar, ou trandeln = demorar a cair) espécie
de pião de quatro faces, em cada uma das quais se acha inscrita uma
letra hebraica: são as iniciais, de quatro palavras que, em conjunto,
significam: "Um grande milagre ocorreu ali". Cada uma dessas faces
tem um certo valor, de acordo com o qual se determina o vencedor do jogo.
Os adultos se entretêm com jogos de cartas ou de paciência, enigmas,
etc. As crianças se alvoroçam, reclamando a clássica dádiva, "as
moedas de Chanucá.", que despendem, geralmente, em guloseimas.
As panquecas de queijo, latkess, que recordam o feito de Judite, intervêm
também nesta agradável celebração, cuja nota musical é constituída
pelas melodias do Maoz Tsur, a tradicional canção, entoada por
maiores e menores. E assim transcorrem os oito dias de Chanucá, durante
os quais reina uma atmosfera de regozijo no lar.
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