Introdução
A "dieta" judaica
na teoria e na prática
O que é cashrut?
Muitas
pessoas estão familiarizadas com os termos "casher", "kosher", "cashrut",
etc. Outras nem sabem do que se trata, pois jamais
ouviram falar. Casher (em hebraico) e kosher
(em iídiche, dialeto judaico) querem dizer
a mesma coisa: um produto apto, apropriado ao
consumo, isto é, que preenche todos os
requisitos da dieta judaica. Cashrut é o
conjunto destas leis outorgadas por D-us ao povo
judeu através do recebimento da Torá,
no Monte Sinai.
Cashrut pertence à categoria das mitsvot, às quais nenhuma explicação
racional é dada na Torá. Ela descreve os tipos de alimentos que
a lei da Torá declara adequados à ingestão, assim como
a maneira pela qual devem ser preparados.
Nossos sábios ensinam que o lar de cada judeu é como um "pequeno
Santuário", um local de morada da Presença Divina; e a mesa
de refeições é comparada ao altar do Templo Sagrado. O
maior cuidado deveria ser tomado para que somente o que estivesse de acordo
com a lei judaica fosse ofertado sobre o altar do Templo. Da mesma maneira,
devemos cuidar para que somente o absolutamente correto seja trazido à nossa
mesa - o altar em miniatura.
Mas o que é "cashrut"? De onde
surgiu esta "linha de produção" e
o que hoje isto significa para nós?
Elevando a matéria
A intenção de D-us através de Seu legado sempre foi a
de assumirmos nosso compromisso firmado desde o Monte Sinai: "Nós
faremos e (então) compreenderemos". Nossas ações
neste mundo é o que na verdade conta. Apenas através delas somos
capazes de atingir e realizar a Sua vontade e cumprirmos nossa missão:
revelar através do mundo material as centelhas Divinas existentes, elevando
a matéria ao nível espiritual. É exatamente o que ocorre
cada vez que ingerimos um alimento.
O alimento ao ser ingerido e processado são absorvidos pelo nosso corpo
e passa a fazer parte de nossa corrente sanguínea, afetando diretamente
todos os aspectos do nosso ser. D-us através da Torá nos forneceu
dicas de como refinar a nossa alma e o nosso corpo através da utilização
da matéria e energia.
Cada um dos mandamentos, muitos dos quais envolvem objetos materiais como velas
de shabat, tefilin (filactérios), mezuzá (pergaminho sagrado
colocado nos umbrais das portas), serve como um canal de conexão entre
D-us e o povo judeu. Cada preceito cumprido fortalece este elo. A existência
física, demonstrada pelo corpo não é desprezada nem glorificada
por seu próprio mérito, mas elevada e refinada a serviço
da alma.
Os sinais da Torá
Nenhuma razão é fornecida para explicar, por exemplo, por que
um animal que rumina e tem cascos fendidos é casher, enquanto um animal
que apresenta apenas um destes sinais não o é. Não há nenhuma
lógica aparente para fazer uma distinção entre um tipo
de animal, ave ou peixe, e outro. Mas sabemos que eles exercem uma influência
em nosso corpo e alma a partir do momento que passa a circular em nossas veias.
O sistema digestivo extrai os nutrientes, enquanto a neshamá, a alma,
extrai a centelha Divina que se encontra na natureza. Estas "centelhas" provêm
de uma fonte de Divindade mais elevada ainda que a alma do homem. A energia
Divina em cada molécula de alimento é o que realmente nos dá vida.
O alimento casher possui uma poderosa energia que confere força espiritual,
intelectual e emocional.
Você não está sozinho
Amigos, familiares e conhecidos nem sempre entendem a indisposição
em comer fora com eles, mas certamente nos respeitarão por mantermos
nossos princípios e estaremos respeitando a nós próprios
se formos fora, o que somos dentro de nossos lares.
Aliás, nós constituímos o sonho de todo nutricionista:
somos acentuadamente conscientes no momento de nos alimentarmos; paramos para
recitar uma bênção antes de colocar qualquer coisa em nossas
bocas; aguardamos períodos prescritos entre comer alimentos de carne
e derivados de leite; nossa própria noção de alimento é vinculada à idéia
de limitação e autodisciplina, acrescenta-se o valor que atribuímos à vida
e à saúde e tem-se o candidato perfeito para o incremento da
saúde através da modificação dietética.
Temos acesso à informação médica e nutricionista
avançada, tecnologia moderna e produtores prontos a atender o consumidor
casher, conscientizados com a saúde. A cada dia que passa, novas descobertas
médicas revelam a sabedoria dos conceitos que têm sido parte de
nossa herança por milhares de anos.
Mas você não está sozinho neste empreendimento (investimento)!
Existem milhares de indivíduos e famílias que alteram seu estilo
de vida para se integrarem no mundo da cashrut. Seja através da procura
de um selo casher no supermercado ou em um restaurante casher perto de sua
casa, ou numa cidade distante ao viajar pelo mundo (descoberto graças
ao seu "equipamento de sobrevivência", entre eles, um Jewish
Guide).
A cashrut é um importante lembrete de nossa profunda ligação
com os judeus de todas as nacionalidades e especialmente um elo eterno com
o Criador.
Por que comer casher?
Nosso raciocínio mudou até o ponto em que não mais sabemos
por que o Judaísmo coloca tanta ênfase em comer e beber, necessidades
básicas compartilhadas não apenas pelo restante da humanidade
como também pelos animais.
Sem uma explicação satisfatória para a cashrut e sem a
fé simples baseada nos valores da Torá que caracterizaram as
gerações anteriores, muitos judeus concluem que manter-se casher
está simplesmente obsoleto - está baseado em antigas precauções
sanitárias que não mais se aplicam à vida moderna.
Portanto, oferecemos alguns dos pontos de vista sobre a mitsvá da cashrut
fornecidos pela tradição judaica. Estas introspecções
satisfazem nossa necessidade de compreensão e nos motivam a cumprir
as mitsvot da Torá face aos valores opostos da cultura contemporânea.
Apesar disso, deve-se entender que os mandamentos são de origem Divina
e jamais poderão ser totalmente compreendidos pelo intelecto humano.
Mantemos as mitsvot porque são um legado de D-us ao povo judeu.
"Religião", como todos sabem, trata de prece, meditação,
caridade, ética e às vezes, formas variadas de auto-negação.
O Judaísmo, entretanto, envolve todos os aspectos da vida. Nossas atividades
cotidianas mais comuns tornam-se imbuídas de santidade quando seguimos
a diretiva da Torá: "Conheça-O em todos teus caminhos" (Mishlê 3:6).
Para um judeu, toda comida não-casher diminui a sensibilidade espiritual,
reduzindo a habilidade de absorver conceitos da Torá e mitsvot. Tanto
a mente quanto o coração são afetados.
A Cashrut representa o encontro do corpo e da alma. A Torá nos diz para
não rejeitarmos o físico, e sim santificá-lo. Comida casher é a
dieta da nutrição espiritual para a neshamá, a alma judaica.
Isso é designado para trazer refinamento e purificação
ao povo judeu.
O que isso significa?
A moderna ciência nutricional reconhece que o Judaísmo sempre
ensinou que de forma geral somos aquilo que comemos. Sabemos que os alimentos
que ingerimos são absorvidos por nossa carne e sangue. Alimentos proibidos
são mencionados na Torá como abominações à alma
Divina, elementos que aviltam nossa sensibilidade espiritual. Abutres e animais
carnívoros, tendo o poder de influenciar quem deles se alimenta com
atributos agressivos, estão entre os alimentos proibidos.
Para um judeu, toda comida não-casher diminui a sensibilidade espiritual,
reduzindo a habilidade de absorver conceitos da Torá e mitsvot. Tanto
a mente quanto o coração são afetados.
É fácil entender por que a cashrut é freqüentemente
considerada a mitsvá de mais longo alcance. A história demonstra
que quando a observância de cashrut é forte, a identidade judaica
permanece forte.
Para explicar o poder dos alimentos casher, devemo-nos voltar aos ensinamentos
chassídicos baseados no misticismo do grande cabalista Ari Zal (Rabi
Yitschac Luria). O Ari Zal deu uma interpretação literal ao versículo "O
homem não vive somente de pão, mas da palavra de D-us" (Devarim
8;3). Ele explicou que não é o alimento em si que dá a
vida, mas sim a centelha de Divindade - a "palavra de D-us" - que
está presente no alimento. Toda matéria tem dentro de si algum
aspecto das "Centelhas de Divindade" que dão vida e existência
ao mundo. Quando comemos, o sistema digestivo extrai os nutrientes, enquanto
a neshamá extrai a centelha de Divindade encontrada na natureza.
A energia Divina no alimento é, portanto, a verdadeira fonte de sua
capacidade de sustentar e nutrir o corpo. Comida casher tem uma poderosa energia
que dá força espiritual, intelectual e emocional à neshamá judaica,
ao passo que alimentos não-casher fazem o oposto.
A dieta casher é uma dieta saudável para a alma, contendo a nutrição
espiritual necessária para a sobrevivência judaica e para estabelecer
o verdadeiro equilíbrio entre o corpo e a alma. Uma dieta prescrita
pelo Dr. do Mundo.
Na outorga da Torá, D-us nos deu 613 preceitos, entre os quais as leis
concernentes à Cashrut. Cada uma das mitsvot, por fazer bem à alma,
faz bem ao corpo.
Cada vez que alguém se alimenta, a comida é absorvida pelo corpo
e transformada em energia. Quando uma pessoa utiliza a energia produzida por
este alimento para cumprir um preceito, ela eleva este alimento para o campo
espiritual.
A moderna ciência nutricional reconhece que o Judaísmo sempre
ensinou que de forma geral somos aquilo que comemos.
Sabemos que os alimentos têm um amplo efeito sobre nós. Ao tornar-se
parte da carne e sangue do corpo, que é ligado à alma, o alimento
que a pessoa ingere tem efeito direto sobre seu caráter, seu refinamento
pessoal e seu desenvolvimento em todos os estágios da vida. A Torá,
através da cashrut, nos ensina como comer para que o corpo seja um receptáculo
apropriado para a alma, e não meramente um instrumento para satisfazer
as necessidades físicas, como os animais.
Na Torá, cuidar da saúde e cuidar da Cashrut são distintas.
Quando a Torá nos diz se o alimento é permitido ou não,
está nos informando a respeito de sua faceta espiritual e sobre nossa
capacidade de aproveitá-lo positivamente. Assim como no aspecto material,
o nosso organismo físico não está preparado para digerir
e retirar os nutrientes de qualquer tipo de substância, também
no campo espiritual, a alma pode e deve utilizar a matéria, revelando
a espiritualidade que está por trás dela.
Cada vez que alguém se alimenta, a comida é absorvida pelo corpo
e transformada em energia. Assim quando a pessoa utiliza a energia produzida
por este alimento para cumprir uma Mitsvá, ela eleva este alimento.
O
conceito de Cashrut está ligado ao conceito
de saúde da alma. Segundo o rei Salomão
(Provérbios XX:27), "a alma humana é a
vela Divina". Para que cada um possa revelar
a chama Divina que está em nossos corpos é preciso
cuidar para que não se impurifiquem com
comidas não permitidas pelo Criador.
A cashrut foi instituída por D-us por razões que só Ele
conhece. As leis da cashrut, com certeza, ajudam à saúde física
da pessoa, mas não é este seu principal objetivo. Elas ajudam
a tornar possível a ligação entre alma e corpo, alma e
D-us. D-us é o Engenheiro do mundo que ligou os fios certos para que
saiam da fonte de energia até a lâmpada, iluminando nossas vidas
com mais vida.
Na prática
Os alimentos casher dividem-se em três categorias: carne, leite e parve,
(alimentos neutros; não contém leite nem carne).
A "dieta" judaica
Carne
A carne Casher é singular em todos os aspectos, desde o tipo de animais
que são permitidos até a maneira como são abatidos e preparados
para o consumo. Os alimentos à base de carne são cozidos, manuseados
e ingeridos separadamente dos alimentos à base de laticínios.
Além disso, é exigido um período de espera de seis horas
após comer todos os tipos de carnes e aves antes que qualquer laticínio
possa ser ingerido.
Somente os animais que ruminam e possuem cascos fendidos (os dois sinais mencionados
na Torá) são Casher. Vacas, carneiros e cabras servem como exemplos.
Um animal que tenha apenas um dos dois sinais não é Casher. Uma
vez que as leis da Torá são exatas, tendo sido projetadas pelo
próprio Criador, com certeza há um motivo por que estes dois
sinais foram escolhidos.
Animais ruminantes e cascos fendidos
Curiosamente a Torá enumera apenas quatro animais que ruminam ou possuem
os cascos fendidos, mas não atendem a ambos os requisitos: o porco,
o coelho, o camelo e a lebre. Apesar do grande progresso no conhecimento científico
e da exploração dos mais remotos recantos do mundo pelo homem,
nenhuma outra criatura com apenas um destes sinais foi descoberta.
Sabedoria Divina
A Torá afirma: "Estes são os animais que comereis de todo
o quadrúpede que se acha sobre a Terra: todo o que tem o casco fendido
e rachado ao meio e que rumina, entre os quadrúpedes, esse comereis.
Mas estes não comereis dos que ruminam e tem o casco fendido: o camelo
que rumina e não tem o casco fendido - impuro é ele para vós;
e o coelho que rumina e não tem casco fendido - impuro é ele
para vós; e a lebre que rumina e não tem casco fendido - impura é ela
para vós; e o porco que tem casco e é fendido, mas não
rumina - impuro é ele para vós" (Vayikra XI:2-7).
A Torá nos adverte claramente para quatro espécies de animais
que contenham um ou outro dos itens relativos (ser ruminantes e ter o casco
fendido) para não nos enganarmos e pensar que eles são casher.
São eles o camelo (rumina, mas não tem o casco fendido), o coelho
(que rumina, mas não tem o casco fendido), a lebre (que rumina, mas
não tem o casco fendido) e o porco (que tem casco fendido, mas não
rumina)
É notável que, embora a Torá tenha sido outorgada há mais
de 3300 anos, muito antes que os homens descobrissem novos continentes habitados
por animais desconhecidos e criaturas estranhas de que nunca ouvira falar, a
Torá já havia declarado que existem somente quatro animais com
apenas uma das duas características! Novas espécies de animais
que foram descobertas não possuíam nenhuma dessas características,
mas nenhuma só espécie nova foi encontrada com apenas uma ou outra
dessas duas características. Isto se explica pelo fato da Torá ter
sido dada por D-us, que conhece todas as espécies de animais que criou.
Porque os ruminantes?
Ao se entreter demais com os prazeres terrenos e o cotidiano, em vez do homem
elevar o mundo material e transformá-lo em santidade, a matéria
pode rebaixá-lo a um nível inferior, fazendo com que deixe de
cumprir momentaneamente a função da qual foi incumbido.
Portanto, a Torá ensina que, antes de desfrutar deste mundo, o homem
deve pensar se, com seu ato, estará ou não cumprindo a vontade
Divina. Por exemplo, antes de comer, deve recitar uma berachá; ao ingerir
o alimento deve ter em mente que está comendo para ter forças
suficientes para servir o Criador; e, finalmente, não esquecer a bênção
posterior.
Isto é simbolizado pelo fato de que um animal casher deve ser ruminante,
ou seja, antes de se aproveitar do alimento, o mastiga várias vezes.
Assim, o homem deve "mastigar" dentro de si para saber como tirar
proveito do alimento da forma mais digna.
Animais ruminantes são aqueles que mastigam o alimento e o fazem voltar
do estômago para a boca. Bois, vacas, carneiros, cabras, antílopes,
búfalos, veados e outros fazem parte deste grupo. Também pertencem
a esta classificação o camelo, o coelho e a girafa.
Estes mamíferos herbívoros são caracterizados por uma
espécie de estômago especial: em vez de um só compartimento,
o estômago é duplo, com quatro cavidades: pança, barrete,
folhoso e coagulador ou nas formas alatinadas: rúmen (razão pela
qual são denominados ruminantes), retículo, saltério e
abomaso. Digerem em duas fases: na primeira, depositam as ervas na pança
e no barrete; na segunda, após algumas horas, fazem voltar alimento,
mediante contrações semelhantes às do vômito, às
partes altas do tubo digestivo, para então ser novamente deglutido,
seguindo para o folhoso e o coagulador.
Estes possuem vantagens sobre os outros animais, pois o ruminante é capaz
de engolir grandes quantidades de alimentos rapidamente e armazená-los
no rúmen. Mais tarde, quando está à vontade, traz o alimento
de volta à boca para mastigá-lo bem e, dessa forma, o digere
melhor.
O Criador, em Sua infinita sabedoria, deu a eles essa vantagem por um motivo
peculiar. Eles são herbívoros e precisam consumir grandes porções.
Embora a maioria possua chifres, são quase indefesos diante de animais
ferozes e predadores como o lobo, o tigre, o leão e outros. Por isso,
precisam engolir o alimento rapidamente e estar prontos para fugir tão
depressa quanto as suas patas possam levá-los, sempre que surgir algum
perigo.
Naturalmente, os animais domésticos estão mais protegidos; porém,
eles também precisam ingerir muita comida e engolem o alimento sem mastigar.
Este entra no primeiro estômago e depois passa para o segundo. Quando
o animal está em repouso traz de volta o alimento. Agora já misturado
e amaciado, à sua boca em forma de "pelotas" e o mastiga adequadamente.
Cada bocado então, é engolido mais uma vez, e o alimento passa
para o terceiro e o quarto compartimentos
Casco fendido
Um animal é constantemente ligado ao mundo material por seus pés.
Um animal casher, porém, tem o casco que o separa do chão e,
por ser fendido, demonstra que sua ligação com o chão
onde pisa não é demasiada. O mesmo ocorre com o peixe que, para
ser casher, deve ter escamas envolvendo o corpo, separando-o do mundo exterior.
Isto simboliza o acima dito, de que o comportamento ideal de um judeu é não
se preocupar demais com o mundo material que o cerca.
O porco é um dos animais não-casher mais conhecidos. Possui um
dos sinais de cashrut - o casco fendido - mas não é ruminante.
Diz o Talmud que, sempre que se deita, o porco estica as patas para a frente,
querendo mostrar que é casher; mas não é ruminante, deixando
por isso de ser casher.
Também daqui podemos tirar uma lição de comportamento.
Um dos piores defeitos do homem é o cinismo, ou seja, demonstrar exteriormente
o que realmente não é. Isto pode ocorrer no meio judaico, quando
a pessoa apresenta em público um comportamento que não é o
seu verdadeiro, por vergonha ou orgulho. Tal comportamento deve ser completamente
repelido.
Vários sábios contemporâneos apontam como principal causa
da decadência espiritual e moral das últimas gerações
justamente o fato de as leis de cashrut deixarem de ser observadas à risca
por grande parte de nosso povo. Porém, ultimamente, com as facilidades
que o mercado casher vem oferecendo e com o grande movimento de retorno desta
geração, muitos voltaram a suas raízes, dando mais valor à dieta
casher. Com certeza, isto acarretará a transformação benigna
de nosso povo, preparando-nos para a época especial que tanto aguardamos.
Laticínios
Na cozinha Casher, os laticínios assumem um papel especial.
Todos os alimentos que contém leite, ou que são dele derivados,
são considerados Chalavi ou milchig. Isto inclui leite, manteiga, iogurte,
quefir, coalhada e todos os queijos (variáveis segundo sua consistência)
- duros, macios e cremosos. Mesmo uma pequena quantidade de laticínio
em um alimento faz com que este alimento seja considerado Chalavi. Todos os
derivados de leite requerem um certificado de Cashrut. Para que sejam asseverados
como Casher devem ser obedecidos os seguintes critérios:
Devem provir de um animal Casher.
Todos os ingredientes devem ser Casher e isentos de derivados de carne. Muitas
vezes, laticínios não-Casher são produzidos com ingredientes
de origem animal. Por exemplo, Os queijos duros são feitos com coagulador
(liquido segregado pela quarta cavidade do estômago dos mamíferos
ruminantes e utilizado para coalhar o leite); iogurte, às vezes, contém
gelatina e a manteiga pode conter aditivos não-Casher.
Devem ser processados em equipamentos Casher.
Muitos substitutos de leite, alguns tipos de cremes (isentos de leite), cereais
e margarinas contem derivados de leite, assim como alguns adoçantes
de baixo teor calórico. Os ingredientes de leite cujos nomes aparecem
nos rótulos de muitos produtos incluem caseína (proteína
existente no leite), lactose (açúcar encontrado no leite) e soro.
O pão comercial que possui ingredientes de leite apresenta problemas
de Cashrut Consulte um rabino ortodoxo antes de comprar ou usar qualquer pão
contendo ingredientes de leite.
Os alimentos de leite e de carne não devem ser preparados, servidos
ou consumidos ao mesmo tempo. Utensílios separados são usados
exclusivamente para laticínios. Recomenda-se um forno separado para
assar ou tostar alimentos de leite.
Ao planejar refeições de laticínios, assegure-se de que
seis horas se passaram desde que foi ingerida carne. Certos queijos duros,
próprios para ralar (tipo parmesão), também requerem uma
espera de seis horas antes de comer carne.
Chalav
Yisrael
A Torá nos proibiu beber leite de animais não-casher, da mesma
forma que proibiu comer sua carne, pois tudo o que é extraído
de animal ou ave não-casher, é como se fosse sua própria
carne.
A Lei judaica requer que na produção de leite e seus derivados,
um mashguiach (supervisor judeu) esteja presente desde o começo da ordenha
até o fim do processamento. O leite que é submetido a esta supervisão é conhecido
como Chalav Yisrael. A tradição judaica acentua a importância
de usar exclusivamente produtos de Chalav Yisrael, e enfatiza também
que o uso de produtos que não são de Chalav Yisrael podem ter
um efeito espiritual desfavorável.
Essas leis assumem um significado especial para as crianças, inclusive
as crianças de berço. Muitas fórmulas para bebês
contem leite ou ingredientes derivados de laticínios, os quais não
são Chalav Yisrael. Na maior parte dos casos, uma fórmula isenta
de leite de vaca pode ser um substituto adequado.
Mesmo quando o Chalav Yisrael é muito difícil de ser obtido muitas
pessoas, conscientes de seu efeito positivo na sensibilidade espiritual de
um judeu, fazem todo o possível para adquirir esses produtos. E, certamente,
onde eles são facilmente disponíveis, a pessoa é obrigada
pela Lei judaica a fazer uso exclusivo desses produtos.
Todos os produtos de leite e seus derivados (queijo, manteiga, iogurte, sorvetes,
etc) para serem casher devem obedecer certos critérios: devem provir
de um animal casher, todos os ingredientes devem ser isentos de derivados de
carne, e devem ser processados com ingredientes e em equipamento casher.
Mesmo uma pequena quantidade de laticínio em um alimento faz com que
ele seja considerado chalavi, isto é, de leite.
Separação entre leite
e carne
Consta na Torá: "Não cozerás um cabrito no leite
de sua mãe."
Nossos sábios aprenderam daqui em detalhes a proibição
de cozinhar, ingerir ou ter qualquer proveito da mistura de carne e leite.
D-us criou os seres do mundo em quatro níveis: a) mineral; b) vegetal;
c) animal; c) ser humano. Cada um foi criado para se elevar e alcançar
um nível espiritual acima daquele em que foi criado, aproximando-se
desta forma do Criador.
Quando uma planta é regada, a água, um mineral inanimado, eleva-se
ao nível do vegetal. O mesmo ocorre quando um animal se alimenta de
plantas. Também o homem tem o dom de elevar seu alimento. E deve também
tentar se elevar a um nível acima de seu próprio - o Divino -
ligando-se a D-us pelo cumprimento das mitsvot.
A ingestão de sangue é proibida pela Torá. O sangue provém
da fonte espiritual de severidade (guevurá). O sangue pode até ser
positivo, mas necessita de uma força muito especial que o homem não
possui para elevá-lo. Por isso, era jogado no Altar do Bet Hamicdash,
onde obtinha energia suficiente para trazer os benefícios desta força
severa de sua natureza, elevando-o para a santidade. Por não possuir
esta força, foi proibido ao ser humano o consumo de sangue.
O Talmud diz que "o sangue se transforma em leite". No momento em
que a severidade do sangue é quebrada e subdividida durante a gestação
de um bezerro, por exemplo, uma parte alimenta o feto, enquanto a outra se
transforma em leite; e torna-se possível ingeri-lo.
A carne do animal casher pode ser ingerida, pois provém da quebra do
sangue que o ser humano tem força para elevar; também o leite
pode ser ingerido. Mas no momento em que carne e leite se misturam volta-se à composição
sangüínea original, de severidade, que faz mal à alma humana.
Um renomado médico em Jerusalém publicou um estudo que diz que
a carne manda certas transmissões ao cérebro enquanto o leite
manda outras transmissões; se houver cruzamento, podem se afetar mutuamente.
O lapso de tempo necessário para que o trabalho da carne termine até que
o cérebro fique limpo para receber novas transmissões é de
exatamente seis horas (o tempo exigido pelas leis da cashrut para ingestão
de leite após carne). Após comer alimentos com leite ou seus
derivados deve-se aguardar pelo menos meia hora, enxaguar a boca e comer ou
beber algo neutro antes de ingerir carne. Uma espera de 6 horas também é exigida
entre os queijos curados e carne.
Assim, entendemos que as leis de cashrut são muito especiais e trazem
para a alma e o lar judaico muita santidade, atingindo níveis superiores.
D-us é o grande Médico especialista do mundo - não apenas
fornece o remédio para a cura em caso de doença, mas faz um tratamento
preventivo; orienta através de Torá e mitsvot todos os passos
dos seres humanos: como deve se comportar e que dieta deve seguir, a fim de
que não adoeça espiritualmente.
Parve - Neutro
Os alimentos que não são nem carne nem leite são chamados
parve (neutros). Isto significa que eles não contêm carne nem
leite, nem em seus derivados, e que não foram cozidos ou misturados
com nenhum alimento de carne ou de leite.
Ovos, peixes, frutas, hortaliças, grãos, cereais e sucos naturais,
massas, refrigerantes, café, chá e muitos tipos de balas e lanches
são exemplos de alimentos parve.
Um item parve torna-se de laticínio ou de carne se for preparado junto
com alimento de uma dessas categorias. Por exemplo: um macarrão na manteiga é considerado
laticínio, perdendo seu status parve e tendo que ser servido em utensílios
de leite, neste caso
.
Todo o alimento parve industrializado perde sua condição de parve
se processado em equipamentos usados para laticínios, ou quando são
utilizados aditivos. Os rótulos nestes produtos não fornecem
informações sobre o processamento de fabricação,
fundamental para liberar seu consumo. Em todo e qualquer alimento industrializado é imprescindível
a verificação de um rabino ortodoxo.
Muito embora os alimentos parve apresentem menos complexidades de Cashrut do
que os alimentos de carne ou leite, muitos detalhes devem ser considerados.
Peixes
"Podereis comer de tudo o que vive nas águas, seja nos mares ou nos
rios, desde que tenha nadadeiras e escamas" (Vayicra' XI:9).
Peixe é um alimento parve, neutro. Somente peixes que têm tanto
nadadeiras como escamas são Casher. O Talmud cita que todos os peixes
que apresentam escamas possuem também nadadeiras, entretanto, a presença
de nadadeiras não indica que possuem escamas.
A definição de nadadeiras e escamas deve ser conforme designada
pela Lei judaica. Nem tudo o que é normalmente chamado de escama está de
acordo com o padrão da Torá. Portanto, certifique-se de comprar
peixe somente de um peixeiro que esteja familiarizado com os tipos de peixes
Casher.
Ao comprar peixe, compre-o inteiro para que você possa ver as nadadeiras
e as escamas, ou então, se o peixe estiver cortado em postas, em filés
ou moído, compre somente de uma peixaria que vende exclusivamente peixes
casher. Isto assegurará que as facas e outros utensílios são
usados unicamente para peixes casher. Um cuidado que deve-se ter é a
observação dos peixes, pois alguns costumam ter vermes compridinhos,
principalmente na cabeça, espinha e às vezes até na carne,
o que o torna proibido ao consumo, conforme a Halachá. Portanto, deve-se
olhar minuciosamente o peixe cru para constatar sua pureza em relação
aos vermes ou adquiri-lo em uma peixaria casher. Se a opção for
comprar em uma peixaria que vende todo tipo de peixe, a pessoa deverá levar
sua própria tábua e facas à peixaria além de assistir
a limpeza e corte do peixe.
Sardinha, atum, etc, em lata necessitam surpevisão rabínica por
causa dos óleos e outros aditivos e por não poderem ser, após
enlatados, reconhecidos pela sua espécie (se pertencem aos peixes com
escamas, ou não). Há inclusive fábricas que utilizam componentes à base
de leite em latas de sardinha e atum, mas que não necessariamente aparecem
em suas embalagens. Todo peixe segue a regra para produtos industrializados:
qualquer processo de fabricação deve ter selo casher de um rabino
ortodoxo competente.
Combinando peixes com outros alimentos
Peixe e carne: Não há proibição de ingerir o sangue
do peixe, nem é exigido abate especial. É um alimento parve,
neutro, podendo ser consumido em uma refeição de carne ou de
leite, desde que se observem alguns cuidados: peixe e carne não podem
ser cozidos nem comidos juntos, entretanto, podem ser comidos na mesma refeição,
em pratos separados em talheres distintos ou lavados. Entre peixe e carne é costume
ingerir algo para separar os sabores.
Peixe e leite: Entre os judeus sefaraditas há o costume de não
ingerir peixe com queijo ou leite e quando servidos em uma mesma refeição,
serem servidos em pratos e talheres separados.
Na comunidade ashkenazita não se costuma cozinhar peixe com molhos à base
de leite, manteiga, etc, exceção feita ao queijo. (Por exemplo:
pizza de atum é permitida).
No caso da não ingestão de peixe com leite, esta proibição
foi instituída por nossos sábios pelo motivo de sacaná,
perigo, pois pode afetar a saúde da pessoa que ingere ambos alimentos
se cozidos juntos.
Peixes casher: Abrotea, anchôva, arenque, atum, bacalhau, badejo, barbado,
betara,bonito, cambucú, cará, carpa, castanha, cavala, cavalinha,
cherne, corimbatá, corvina, dourado, garoupa, gordinho, haddock, lambari,
linguado, mandi, manjuba, merluza, mero, namorado, oliete, pargo, pescada (amarela,
branca, do sul, inglesa, maria mole), piaú, porquinho, robalo, salmão,
salmonete, sardinha, serra, sororoca, tainha, tilápia, tortinha, traíra,
trilha, truta, etc.
Peixes não-casher: Anjo, bagre, cação, caçonete,
enguia, manchote, moréia, peixe-espada, peixe-porco, peixe-serra, pintado,
polvo, raia, viola, vongole, etc, e todos os frutos do mar (camarão,
ostras, siri, lagosta, etc). Mamíferos cetáceos como golfinhos,
botos e baleias, também são proibidos.
Ovos
De acordo com a lei judaica, os ovos com casca são parve e devem ser
provenientes de aves casher e não conter nenhum sinal de sangue. Para
certificar-se da ausência de sangue em ovos crus, estes devem ser abertos
e examinados um a um em um prato ou copo transparente. Se for encontrado qualquer
sinal de sangue, o ovo inteiro deverá ser descartado e o copo ou prato
lavado com água fria. Uma única gota de sangue faz com que este
ovo não seja casher.
No caso de ovos duros é preferível ter uma panela somente para
fervê-los, colocá-los em número ímpar e para verificar
se possuem sangue ou não após cozidos, descascá-los e
olhar se na clara ficou um ponto escuro (este é o sangue que ao ser
cozido vem para fora). Os ovos de casca escura, bem como os ovos orgânicos,
têm mais probabilidade de conter manchas de sangue. Prefira ovos brancos.
Ovos sem casca retirados de uma ave, não são parve, mas considerados
bassari, de carne. Devem ser preparados ou servidos somente em utensílios
de carne.
Verduras, frutas e hortaliças
Hortaliças frescas, frutas e grãos, em seu estado natural e não-processado,
são casher e parve. Podem ser consumidos tanto com laticínios
como com carne. No entanto, uma vez que uma hortaliça foi combinada
com um produto de carne ou de leite, se torna respectivamente um produto de
carne ou de leite.
A Torá proíbe comer vermes e insetos, vivos ou mortos. As verduras,
frutas e hortaliças devem ser minuciosamente examinadas. Entre as verduras
incluem-se folhas (alface, agrião, espinafre, couve, couve flor, brócolis,
etc), grãos (feijão, lentilha, grão de bico, milho para
pipoca, etc) e frutas (morango, maçã, etc).
O problema mais comum nas verduras é uma possível infestação
de insetos. A proibição contra o consumo de insetos, vermes,
larvas e seus ovos, mesmo os mais minúsculos é muito rigorosa.
Embora minúsculos, são visíveis a olho nu e devem ser
removidos.
Nossos sábios dizem no Talmud que ao ingerir um certo tipo de verme
a pessoa pode estar transgredindo até seis proibições.
Portanto, antes de ingerir qualquer fruta ou verdura (ou mesmo peixe - que
costuma ter vermes), é fundamental verificar tudo com cuidado para se
certificar de que está isento de qualquer infestação.
Frutas e verduras in natura de todos os tipos podem ser compradas em feiras,
supermercados, etc, sem necessidade de atestado de cashrut. O mesmo é válido
para cereais e grãos, como farinha de trigo, de milho, de mandioca,
fubá, aveia, arroz, feijão, ervilha, lentilha, folhas em geral
(estas devem ser verificadas antes de usar). Todos estes produtos, depois de
cozidos ou industrializados, só podem ser comprados se houver supervisão
rabínica.
Folhas - todo tipo de folha, como alface, repolho, agrião, salsão,
salsinha, cebolinha, etc. costumam conter vermes. Para que possam ser usadas
devem ser deixadas de molho, por mais ou menos meia hora, em água com
vinagre, ácido acético ou germicida para matar os vermes. Assim, é mais
fácil removê-los posteriormente. A seguir, folha por folha (mesmo
as pequenas) devem ser lavadas em água corrente e examinadas contra
a luz para constatar que estão isentas de qualquer verme. Às
vezes, os vermes das folhas são da própria cor da folha. É muito
difícil distinguí-los, necessitando muito cuidado na hora da
verificação.
Couve-flor e brócolis - nestes dois legumes é praticamente impossível
detectar vermes, pois contêm infindáveis folhinhas minúsculas
e de difícil acesso. Por isso, em muitas casas judias não se
costuma comê-los ou come-se somente os talos após bem verificados.
Berinjela - antes de cozinhar ou assar deve-se cortá-la ao meio em pedaços
para se certificar de que não contém vermes. Às vezes,
a berinjela não mostra nenhum sinal externo da presença do verme,
porém este cresce dentro dela de forma visível (costuma deixar
rastros de areia).
Tomates - pepinos, batata, cenoura, cebola, alho, abobrinha, mandioquinha,
entre outros, se encontram na categoria de legumes mais simples de verificação,
já que ao serem cortados, qualquer um poderá notar se estiverem
estragados e desta forma, descartá-los para o consumo.
Grãos - feijão, ervilha, lentilha, grão-de-bico, etc.
devem ser colocados de molho em água por várias horas antes de
cozinhar, facilitando assim a verificação. Depois devem ser examinados
cuidadosamente, dos dois lados, certificando-se que não contêm
orifícios que comprovam a presença de vermes. É costume
abrir o grão-de-bico na metade, após terem sido colocados de
molho, pois os vermes não deixam orifícios visíveis nesta
leguminosa. O milho de pipoca deve ser bem observado, um por um, se não
contém orifícios ou pontos pretos, indicando a presença
de vermes. A espiga de milho deve ser colocada de molho no vinagre antes de
cozida; se contém vermes, estes saem depois deste molho. Os grãos
de arroz devem ser verificados para que não tenham extremidades pretas
indicando terem sido comidos por vermes.
Um rabino ortodoxo deverá ser consultado quanto às suas recomendações
para verificação e uso dessas verduras sempre que surgir dúvidas.
Verduras industrializadas
Os vegetais processados, como os congelados ou enlatados, podem apresentar
sérios problemas de cashrut. Podem conter ingredientes de carne ou leite
ou terem sido processados em recipientes utilizados para carne e laticínios,
ou fabricados na mesma divisão ou conectados a outros alimentos não-casher.Todos
os alimentos naturais processados também requerem supervisão
de cashrut de confiança, inclusive muitos produtos de soja, guloseimas
e bebidas naturais.
Farinhas
Em países tropicais como o Brasil, o clima quente e úmido favorece
a proliferação de vermes e insetos. Isto faz com que seja obrigatório
peneirar as farinhas antes de sua utilização. Para que o papel
da peneira seja eficiente na eliminação de bichinhos, é necessário
utilizar uma peneira cujos furos sejam menores que os vermes e insetos existentes
(suas cerdas chegam a ser vinte vezes mais finas que as das peneiras comuns).
Existem peneiras cuja malha é especial para este fim. No entanto, a
rede retém vermes e insetos, mas não seus ovos (como não
podem ser vistos a olho nu, enquanto misturados na farinha são considerados
anulados). Em pouco tempo e por incubação, estes ovos se transformarão
em novos vermes. A farinha, por este motivo, deve ser utilizada imediatamente
após a peneiração. Se for bem estocada sob refrigeração
ou no freezer, (a 0º c) não precisa ser peneirada novamente por
um período de dois a três meses.
Farinhas cujos grãos não passam pela peneira deverão ser
examinadas da mesma forma que grãos. Ex: farinha de fubá, centeio,
semolina, farelo e germe de trigo.
Massas
Ao assar pão, deve ser cumprida a Mitsvá de Hafrashat Chalá (a
separação de parte da massa). Hafrashat Chalá evoca a época
em que parte da massa era dada aos Cohanim, descendentes de Aharon, responsáveis
pelos serviços realizados no Bet Hamicdash.
Antes de assar massa de pão, bolo, biscoitos, etc., (feita com farinha
de trigo, cevada, centeio, aveia e espelta ou a mistura de qualquer um desses),
separa-se dela um kezáyit (28,8 g), queimando-o num recipiente separado
daquele utilizado normalmente para os alimentos.
A bênção só deve ser recitada (no ato de separar
o pedaço da massa) se a massa total tiver mais de 1,666 kg de farinha.
Entre 1,200 e 1,666 kg, separa-se e queima-se o pedaço da massa sem
recitar a bênção; com menos de 1,200 kg não é necessário
separar parte da massa; porém há quem costume recitar a bênção
já a partir de 1,250 kg.
Pode-se juntar vários tipos de massas para fazer a separação
da chalá. Em massa líquida, o pedaço é separado
após assá-la. O mesmo se aplica quando se esquece de separar
a massa antes de assá-la.
Antes de comer o pão é necessário lavar as mãos
ritualmente, recitando a bênção de AI Netilat Yadáyim
e, em seguida, de Hamotsi. Depois de comer pão, ou uma refeição
que inclua pão, concluímos com o Bírcat Hamazon (a Bênção
de Graças).
Macarrão
Deve ser liberado para consumo sem selo ou com sistema de lote (com selo) por
um rabino ortodoxo. Ao ficar guardado deve ser verificado antes do cozimento
em busca de pontos pretos. É aconselhável guardá-lo na
geladeira mesmo cru.
Mesmo que bem examinado, se for constatado após cozido que o alimento
contém pelo menos três vermes, todo ele deve ser jogado fora.
A panela, no entanto, continua casher.
Vinho
O vinho e o suco de uva, mais do que qualquer outra bebida, representam a santidade
do povo judeu. São usados para a santificação do Shabat
e Festas Judaicas.
No Templo Sagrado o vinho era derramado sobre o Altar, juntamente com o sacrifício.
Entretanto, uma vez que o vinho era e ainda é usado em muitas formas
de culto idólatra, ele ocupa uma posição única
na Lei Judaica, que impõe restrições especiais a sua produção
e manipulação.
Qualquer subproduto que contenha vinho ou suco de uva, como vinagre de vinho,
bala, geléia ou refrigerante de uva, conhaque e outras bebidas que possam
ser destiladas ou misturadas com vinho, só poderão ser ingeridos
quando possuírem supervisão rabínica confiável.
Vinho feito por um judeu, que após seu preparo tenha sido fervido, não
apresenta mais problemas de cashrut. Um suco de uva ou vinho de passas cujas
uvas ou passas foram cozidas antes de extrair o suco é considerado vinho
cozido.
Atualmente, a maioria dos vinhos casher comercializados costuma vir fervida
já da vinícola. Para se ter certeza, basta verificar a etiqueta
ou o invólucro se consta a palavra mevushal (fervido). No entanto, muitos
vinhos finos casher, principalmente os franceses, não vêm fervidos,
o que presume que deve-se tomar redobrados e rigorosos cuidados em sua manipulação
e na forma como deverá ser servido. Há leis muito específicas
relativas ao vinho e um rabino ortodoxo deverá ser consultado.
Outras bebidas
A maioria das cervejas, vodkas e uísques puros não costumam apresentar
problemas. É necessário consultar sempre um rabino ortodoxo ou
verificar a existência de selo confiável de cashrut antes do consumo
destes produtos. Atualmente, há problemas com as vodkas já que
há mistura de sabores na fabricação de novas bebidas que
misturam a vodka pura com corantes além de outros ingredientes não-casher.
Outras bebidas alcoólicas como licores de frutas e brandies podem conter
ingredientes problemáticos como leite, aditivos à base de vinho,
etc e devem ter supervisão rabínica, com ou sem selo.
Bebidas alcoólicas tais como o conhaque e outras aguardentes de frutas
são feitas a base de vinho. Licores e "blended whiskys" são
muitas vezes misturados com vinho. Todas essas bebidas requerem supervisão
de Cashrut, assim como o arenque com molho de vinho.
Ingredientes de uvas em alimentos processados
Todos os líquidos produzidos a partir de uvas frescas ou secas, sejam
alcoólicos ou não-alcoólicos, tais como suco de uva e
vinagre de vinho, são considerados como vinho de acordo com a Lei judaica.
Portanto, alimentos com aditivos ou aromatizantes de uva devem sempre ter um
selo de cashrut confiável. Exemplos típicos são as geléias,
refrigerantes, picolés, balas, sucos artificiais, ponches de trutas
e limonadas.
Vinagre
Molhos e temperos que contenham vinagre devem possuir supervisão rabínica
para constatar sua procedência casher. O mesmo diz respeito ao vinagre
de álcool ou maçã que só podem ser adquiridos se
supervisionados anteriormente por um rabino, pois podem conter uma proporção
mínima de vinagre de vinho e outros ingredientes não casher.
Muitas conservas contém vinagre, mesmo mantidas em salmoura; se vendidas
a granel, como por exemplo, azeitonas e alcaparras, podem conter vinho ou vinagre,
necessitando de supervisão.
Vários produtos que contém tártaro ou ácido tartárico
e o próprio creme tártaro que é feito com borra de vinho
requerem supervisão rabínica rigorosa; de outra forma, não é Casher.
Adoçantes naturais
Todos os tipos de açúcar existentes no mercado (refinado, cristal,
demerara, mascavo, confeiteiro, etc) são casher. Quanto a adoçantes
artificiais requerem verificação confiável ou selo de
cashrut
Produtos industrializados
Seguem a mesma regra básica: é imprescindível ter uma
Supervisão Rabínica. Todos os alimentos processados requerem
supervisão rabínica confiável que atestem que podem ser
consumidos em acordo a lei judaica. Isto se aplica a todo produto que passa
por processo de fabricação: legumes congelados, bebidas, balas,
biscoitos, etc.
Há problemas de cashrut em muitos aromas e corantes que constam em código
na embalagem. Às vezes, o produto não-casher está em quantidade
mínima, não aparecendo nos ingredientes e, mesmo assim, transforma
o produto em não-casher. Por isso, não basta apenas olhar os
ingredientes de um produto, tornando-se imprescindível a supervisão
rabínica competente.
Remédios e vitaminas
A Torá considera de vital importância cuidar da saúde,
prevenir e curar doenças. Mas vitaminas e remédios devem ser
questões relevantes, devendo ser casher ou ter seu uso autorizado por
um rabino ortodoxo.
Muitas vitaminas em cápsulas são feitas de gelatina animal e
muitos comprimidos são revestidos com ceras e resinas de origem também
animal. Suplementos e remédios naturais e/ou vegetarianos podem incluir
cápsulas de fígado não-casher, cálcio derivado
de ostras, aromatizantes ou corantes de uva.
Muitos xaropes para a tosse são feitos com álcool e um produto
químico, muitas vezes, derivado de fontes animais, a fenilalanina.
Bishul Acum
Todo alimento deve ser preparado através de uma chama cujo fogo foi
acesso por um judeu observante do Shabat, o que significa que ele é temente
a D-us, segue os preceitos da Torá e procurará cumprir as leis
de cashrut em todos os seus detalhes e com o máximo rigor.
Para um alimento ser casher é necessário que todo o processo,
desde o início até estar apto ao consumo final, seja acompanhado
por um judeu observante destas leis.
Restaurantes, hotéis e afins
Todo restaurante, hotel, etc, para ser casher necessita de supervisão
rabínica em sua cozinha, o que inclui a presença de pessoas,
shomer Shabat, observantes do Shabat, que irão acender o fogo, orientar
e fiscalizar a confecção de todos os ingredientes e sua preparação,
até o consumo final.
Jamais hesite: consulte sempre um rabino.
Como dar início a uma casa casher
Se você está entrando num novo lar e deseja fazê-lo desde
o início casher, ensinamos aqui como proceder. Um dos preceitos da cozinha
casher é não misturar carne com leite. Deve haver utensílios
separados para carne e leite.
Armários: Os utensílios de carne e leite devem ser guardados
em armários ou compartimentos separados para não haver confusão.
Pratos e talheres: Deve-se ter pratos, talheres, etc., com cores ou formas
diferentes para leite e carne.
Panelas: Panelas e outros utensílios de cozinha devem ser separados
para leite e carne. Caso tenha cozido no utensílio errado, além
do alimento não poder ser ingerido, as panelas também ficam impróprias
para uso, devendo ser casherizadas. Um rabino competente deve ser consultado.
Pia: Deve-se ter pia com duas cubas separadas, uma para leite e outra para
carne. O balcão da pia deve ser dividido entre leite e carne, com um
anteparo um pouco alto. Se não for possível ter duas cubas, deve-se
evitar colocar utensílios de leite e carne diretamente dentro da cuba.
Deve-se ter uma bacia de leite e outra de carne para lavar estes utensílios
dentro da pia. Não se pode jogar alimento quente, nem de leite nem de
carne, dentro desta pia, bem como não se deve lavar a louça com água
quente, pois esta cuba não é considerada casher.
Fogão: Se possível deve-se ter dois fogões, um para leite
e outro para carne. Se não for possível, pode-se usar o mesmo
fogão, contanto que tenha boca e grelha separadas. Mesmo assim, não
se deve cozinhar ao mesmo tempo leite e carne, pois pode espirrar de uma panela
para outra, causando problema ao alimento e ao utensílio. É aconselhável
colocar um anteparo entre as panelas de leite e carne. Deve-se tomar cuidado
maior ao fritar alimentos, pois a fritura espalha gordura muito mais alto e
longe.
Forno: Deve-se ter dois fornos, sendo proibido assar carne num forno onde já foram
assados alimentos de leite e vice-versa. Se não for possível,
deve-se usar o forno apenas para um destes dois tipos de alimentos. Isto vale
para qualquer forno, inclusive de microondas.
Geladeira: Pode-se colocar na mesma geladeira alimentos de leite e carne, em
recipientes fechados para não esparramarem ou pingarem. Se possível,
deve-se colocar os alimentos de leite um pouco afastados dos de carne. O mesmo
se aplica ao freezer.
Máquina de lavar pratos: Deve-se ter uma para leite e outra para carne. É proibido
lavar louça de carne em máquina de leite e vice-versa. Se só tiver
uma em casa, deve fixar seu uso exclusivo para leite ou carne, devendo o outro
tipo ser lavado à mão.
Eletrodomésticos: Deve-se ter liqüidificadores, batedeiras, processadores
separados para leite e carne. O motor pode ser o mesmo, bastando comprar o
copo e as pás separadas. Neste caso, deve-se limpar bem o motor após
o uso, para não respingar de um tipo de alimento para o outro.
Toalhas: Deve-se ter toalhas de mesa separadas para leite e carne. O mesmo é válido
para panos de prato, bucha, sabão em pedra (com supervisão casher),
palha de aço, secadores de pratos, etc.
Leis de libun ("incandescência") e hag'alá ("esterilização")
Todo e qualquer utensílio, previamente usado com alimento não-casher,
necessita de casherização. Essa lei se aplica tanto ao utensílio
empregado de forma contínua (se as leis de cashrut não eram mantidas
anteriormente) ou se os utensílios usados foram comprados ou alugados
de um não-judeu; também se o utensílio era casher e foi
utilizado uma vez com alimento não-casher, ou se era para leite e foi
usado com carne (ou vice-versa), e ainda se nele foi cozido alimento por um
não-judeu, denominado bishul acum.
Também é necessário casherização dos utensílios
usados durante o ano, para Pêssach.
Todo e qualquer utensílio que precise ser casherizado não deve
ser usado antes da casherização, nem mesmo para alimentos frios.
Nunca se deve deixá-lo junto a algum utensílio casher, para evitar
confusão. É necessário casherizá-lo de imediato
ou separá-lo. O mesmo deve ser feito com utensílios de funcionários
não-judeus que, por ventura, possuam em casa.
Há algumas diferenças entre a casherização de utensílios
que se tornaram impróprios por mistura de carne e leite e os que se
tornaram não-casher devido a outros tipos de alimentos (como carne ou
vinho não-casher). Por ser muito detalhada, a casherização
deve ser realizada na presença de quem conheça as leis a fundo.
A seguir, algumas leis de casherização de utensílios (previamente
usados com alimento não-casher) para serem usados durante o ano todo
(para Pêssach rigores maiores são exigidos):
Utensílio de porcelana, cerâmica ou esmaltado não pode
ser casherizado. Caso acarrete grande perda, um rabino competente deve ser
consultado. Utensílio delicado que se estraga em contato com água
quente não deve ser casherizado.
Utensílio de metal usado diretamente no fogo (espeto, fôrma de
bolo, etc.) deve ser casherizado diretamente no fogo até ficar vermelho
(libun ou "incandescência"). Outros utensílios, usados
diretamente no fogo, como assadeiras refratárias ou de plástico
(este último para uso de microondas) não podem ser casherizados.
Utensílio lavado com água quente ou usado para cozer alimento
com líquido ou molho deve ser casherizado imergido em água em
ebulição (hag'alá ou "esterilização").
Utensílio de vidro (com exceção do refratário)
pode ser casherizado, por meio de hag'alá, para uso durante o ano todo
(menos em Pêssach).
A casherização de uma sopeira ou travessa grande (não
usada diretamente sobre o fogo), utilizada com alimento quente, se dá com
irui, i.e., vertendo-se água fervente e passando em seguida um ferro
ou pedra incandescente para a água borbulhar sobre o utensílio.
Antes da hag'alá, o utensílio deve estar completamente limpo,
isento de qualquer ferrugem ou sujeira e não usado durante 24 horas.
Antes do libun esta restrição não se aplica.
Utensílio de metal que pode ser casherizado por hag'alá (ou irui),
certamente pode ser casherizado com libun cal, i.e., aquecido até o
ponto de um fio de tecido ou pedaço de papel que o tocar ficar chamuscado.
Utensílio com frestas ou orifícios, de limpeza impossível,
deve-se fazer libun cal no local da sujeira e, em seguida, hag'alá.
Durante todo o processo da hag'alá, a água deve permanecer borbulhando.
Por isso, depois de imergir o utensílio, o que pára momentaneamente
a fervura, deve-se esperar até que grandes bolhas aflorem.
Durante a hag'alá, o utensílio deve estar completamente imerso
em água fervente. Caso não caiba na panela de casherização
de uma só vez, mergulha-se por partes.
Para casherizar vários utensílios juntos, a panela deve ser chacoalhada
algumas vezes para que todos sejam envolvidos pela água e ainda reste
espaço entre eles.
O utensílio que está sendo casherizado deve ser imerso na água
fervente por alguns segundos para expelir as impurezas, e retirado enquanto
a água ainda ferve. Em seguida deve ser enxaguado com água fria.
Para a hag'alá feita durante o ano (não a de Pêssach) pode-se
usar uma panela casher, não necessitando de casherização
posterior.
Forno e microondas - É permitido usar o mesmo forno ou microondas
para carne e leite?
Devemos ter em casa utensílios separados para leite e carne, inclusive
forno. Se não for possível ter dois fornos, deve-se usar o único
apenas para carne ou para leite. Num forno de carne, não pode ser assado
nenhum alimento que contenha leite e vice-versa. Se isto ocorrer (se algo de
leite foi assado dentro das 24 horas seguintes em que se assou carne), o alimento
não mais está casher e o forno deverá ser casherizado.
Se já se passaram 24 horas do uso da carne antes do leite e o forno
está limpo, isento de sujeira ou gordura de carne, o alimento está casher,
mas o forno deve ser casherizado antes de usado da próxima vez.
Um alimento neutro, como pão ou bolo, assado em forno usado para carne
nas últimas 24 horas não pode ser ingerido com leite (porém,
não há necessidade de se esperar seis horas antes de beber leite,
podendo fazê-lo logo em seguida; entretanto, é proibido ingeri-los
juntos); e vice-versa, se foi assado em forno de leite dentro das 24 horas
do uso do leite, não pode ser ingerido com carne.
Se já se passaram as 24 horas, o alimento neutro nele assado pode ser
ingerido posteriormente junto com leite, porém a pessoa não deve
assá-lo com esta intenção. Se deseja ingeri-lo com leite,
deve antes deixar o forno esquentar no máximo após 24 horas sem
uso, por aproximadamente uma hora para depois usá-lo com o alimento
neutro.
O uso do forno de microondas segue as leis do forno normal. Quando uma carne é assada
ou aquecida, seu gosto impregna as paredes do micro através do vapor.
Se dentro de 24 horas após ter sido usado com carne for usado para leite,
o alimento nele preparado deixa de ser casher por ter absorvido o gosto da
carne que estava impregnado no forno e o microondas deixa de ser casher. Mesmo
após 24 horas sem uso, é proibido usar leite porque este vai
impregnar as paredes.
Caso alguém esqueceu e usou, depois de 24 horas, leite num forno de
carne completamente isento de gordura ou sujeira (detalhe muito importante),
o alimento continua casher, mas o forno não o é, e precisa ser
casherizado, pois suas paredes têm carne e leite imbuídos. Assim,
não se pode usar forno de microondas de leite para carne e vice-versa.
Se alguém tem um só microondas e quer usá-lo para leite
e para carne, qual a solução? Tem de cuidar para que o vapor
não saia da carne e não saia do leite. Como? Envolvendo os alimentos.
Se a pessoa assa uma carne totalmente envolvida no forno fechado e o microondas
está completamente limpo, sem sujeira anterior de leite, o microondas
não ficou de carne; no dia seguinte pode ser usado para leite, desde
que o alimento esteja completamente coberto, em recipiente fechado ou envolto
em filme plástico próprio para este forno.
Neste caso também é aconselhável colocar sob a carne ou
o leite embrulhado um pirex de carne para carne, de leite para leite, para
se, no caso de transbordar, não chegue a passar o gosto para o forno.
Isto tudo vale quando estiver completamente tampado. É fundamental o
fechamento completo dos alimentos ao serem assados.
Descongelamento
Não se deve nem mesmo descongelar carne num microondas de leite e vice-versa
com o recipiente aberto, pois se o descongelamento esquentar a carne ou o leite
superficialmente a 45º C, mesmo se dentro continua congelado, pode tornar
o alimento e o forno não-casher.
De carne para leite:
Entre os ashkenazitas há um decreto que não se casheriza nenhum
utensílio de carne para leite ou vice-versa. Esta proibição
foi instituída para que a pessoa não se atrapalhe com a alternância.
Assim, um forno já usado para carne não pode ser casherizado
para ser usado para leite. O mesmo se aplica ao microondas.
Se a pessoa tem um microondas de carne onde, sem
querer, foi colocado leite ou se o microondas era neutro
e, de repente, ficou de leite ou de carne e quer transformá-lo
de novo em neutro, o que deve fazer?
Deve deixar o forno completamente limpo, isento de gorduras, sem usar por 24
horas. Jogar água fervendo sobre o prato giratório ou fixo do
microondas. Colocar no micro um copo cheio d'água deixando ferver; assim
o vapor é espalhado por todo o forno, casherizando-o.
Casherização sobre utensílios
Detalhes da casherização na cozinha e na sala de jantar.
É possível casherizar utensílios usados para que se tornem
casher, sem a necessidade de adquirir outros novos. Seguem os procedimentos necessários:
Fôrmas para bolo e assadeiras: devem ser casherizadas pelo processo de
libun, ou seja, queimadas no fogo até a incandescência. Normalmente,
estes utensílios não suportam o libun, portanto, não devem
ser casherizados.
Fogão: se possível, as grelhas devem ser trocadas. Caso contrário
devem ser aquecidas até a incandescência (libun). A mesa do fogão
deve ser bem limpa e casherizada posteriormente com irui, i.e., derramando água
fervente e passando uma pedra ou ferro em brasa para que a água continue
a ferver. As bocas devem ser bem limpas e o fogo aceso no máximo, para
eliminar resíduos de alimentos. Os botões de gás devem
ser retirados e limpos.
Fogão elétrico: deve ser aceso na temperatura máxima até a
chapa se avermelhar. Sobre a mesa restante é feito o irui, jogando água
fervente e passando sobre a água, pedra ou ferro incandescente.
Forno:
as grades devem ser aquecidas até a incandescência.
O forno deve ser bem limpo utilizando-se produto
removedor de gordura. Em seguida deve permAnecer
aceso à temperatura máxima, por
duas horas. Se possível, deve-se colocar
carvão para ser aquecido, até virar
brasa.
Há dois tipos de fornos auto-limpantes: o que alcança 500ºC,
se autocasheriza ao ser limpo na temperatura máxima, por um ciclo completo.
O que não atinge esta temperatura, deve seguir a limpeza do forno convencional.
Forno de microondas: deve ser limpo internamente com produto de limpeza e permanecer
24 horas sem uso. Em seguida, coloca-se um recipiente com água filtrada,
ligando o forno até que bastante água evapore.
Pias: cubas de porcelana, cerâmica ou esmaltadas não podem ser
casherizadas. Pergunte ao rabino como proceder. Cubas de metal, mármore
ou granito podem ser casherizadas com irui. Para tanto, a pia não deve
ser usada com alimentos quentes por 24 horas antes da casherização
e deve ser meticulosamente limpa. Joga-se no ralo, produto desentupidor para
destruir qualquer vestígio de alimento. Em seguida, seca-se a pia. Posteriormente é despejada água
fervente, ainda borbulhante, atingindo todos os cantos da cuba, balcão,
torneiras, ralos, etc. Enquanto despeja-se a água, deve-se passar sobre
a pia, pedra ou ferro incandescente para fazer a água borbulhar.
Liquidificador, batedeira, multiprocessador: o motor deve ser bem limpo. Um
novo copo, novas faquinhas para o multiprocessador e liquidificador e novas
pás e tigelas para batedeira devem ser adquiridas ou pode-se casherizar
os antigos com hag'alá.
Geladeira e freezer: devem ser descongelados e as paredes internas, prateleiras
e gavetas limpas com pano úmido e produto de limpeza.
Armários: devem ser bem limpos interna e externamente.
Mesas e bancadas: se possível, deve-se jogar água fervente como
na pia. A mesa de jantar, sobre a qual não se coloca nada quente diretamente
devido ao perigo de ser danificada, basta limpar bem. A mesa do cadeirão
de crianças também deve ser casherizada.
Toalhas de mesa e guardanapos: devem ser bem lavados e as bordas escovadas
para retirar possíveis resíduos.
Todo o processo deve ser feito sob supervisão de um rabino competente,
conhecedor das leis a fundo.
Uma dimensão espiritual
Nossos sábios comentaram sobre a relação entre o tipo
de alimento que comemos e o estado de nosso refinamento espiritual. Isto é particularmente
verdadeiro a respeito da carne; o cuidado com que devemos encarar o consumo
de substâncias de origem animal se reflete nas diversas leis que se relacionam
com a carne, mesmo de animais Casher.
A carne não é proibida; seu consumo é permitido desde
os dias de Noach (após o Dilúvio), mas com certas limitações.
As leis dietéticas e a proibição da crueldade contra os
animais nos impedem de comê-la sem uma reflexão prévia
e uma preparação adequada. Uma das Sete Leis de Noach, que a
Torá determina para toda a humanidade, é a proibição
de comer a carne de um animal vivo. De acordo com a missão judaica de
ser "uma nação de sacerdotes e um povo sagrado," a
Torá confia a nós um conjunto de leis ainda mais rigorosas com
relação a comer carne.
Nossa adesão às leis da Cashrut não depende de nosso entendimento
intelectual, mas de nosso desejo de cumprir os mandamentos de D-us. Não
obstante, de acordo com o Rambam (Maimônides). "...Cabe aos homens
meditarem sobre as leis de nossa sagrada Torá e conhecerem seu significado
mais profundo tanto quanto lhes for possível".
De acordo com isto, nossos sábios extraíram conclusões
sobre os tipos de animais que podemos comer, e aqueles que somos proibidos
de comer. Os animais permitidos são, em princípio domesticados
e herbívoros, enquanto somos proibidos de comer animais selvagens e
aves de rapina, para que não incorporemos sua natureza feroz e violenta
a nós mesmos. A carne dos animais proibidos, de acordo com o misticismo
judaico, "embota o coração" ou bloqueia sua sensibilidade
aos assuntos espirituais.
No que concerne aos animais permitidos, temos mais uma restrição
quanto a comer o sangue do animal.
"Não comereis sangue, seja de ave ou quadrúpede." (Vayicrá VII:26).
Nossa linguagem reflete a associação do sangue com as paixões
e instintos animais, como nas expressões "de sangue quente" ou
'fazer o sangue ferver'.
Nachmânides, no comentário da Torá, explica que o alimento
ingerido afeta nossa alma e que, uma vez que a carne de um animal absorve suas
características, devemos ter cuidado sobre qual tipo e que parte do
animal iremos comer e fará parte de nós. Outra explicação é que,
uma vez que o homem é a única criatura de D-us que reconheceu
seu Criador, foi-lhe permitido comer a carne de outra criatura; mas é considerado
bárbaro comer sangue, pois este equivale à própria vida
da criatura, pois está ligado à sua alma.
As leis sobre carne e aves Casher
A categoria "carne" inclui a própria carne, as aves e os subprodutos,
tais como ossos, sopas e molhos. Qualquer alimento feito de carne ou aves ou
de produtos de carne e aves, é considerado como sendo de carne (fleishig
ou Bessarí). Até mesmo uma pequena quantidade de carne em um
alimento torna-o Bessarí. Todas as carnes, aves e componentes da carne
em qualquer produto, inclusive itens tais como pílulas hepáticas,
devem estar de acordo com os seguintes requisitos para serem considerados Casher:
A carne deve ser de um animal que rumina e possui cascos fendidos. Vacas, carneiros
e cabras são Casher.
As aves Casher são identificadas por uma tradição transmitida
de geração para geração e é universalmente
aceita. A Torá especifica as aves que são proibidas, incluindo
todas as aves de rapina ou que se alimentam de carniça. Entre as aves
Casher estão incluídas as espécies domésticas de
frangos, patos, gansos e perus.
O animal ou ave deve ser abatido e examinado de acordo com as normas alimentares
da Torá por um Shochet, uma pessoa temente a D-us e perito altamente
treinado no abate Casher.
As porções permissíveis do animal e da ave devem ser adequadamente
preparadas antes do cozimento. Todos os utensílios devem ser Casher.
As leis da Cashrut não são apenas uma disciplina externa; elas
visam refinar a personalidade e intensificar a receptividade espiritual. A
Torá é baseada na conexão entre o corpo e o espírito.
O corpo não deve ser desprezado ou menosprezado, mas deve ser usado
como veículo a serviço de D-us. As leis físicas detalhadas
acerca da carne Casher estão, assim, diretamente relacionadas aos mais
elevados conceitos espirituais.
Leis do Abate
Os requisitos para a preparação da carne Casher
As leis de cashrut devem ser permanentemente estudadas e as seguintes condutas
devem ser cuidadosamente observadas:
Shechitá - o abate ritual de um animal Casher; um processo regido a
cada passo por uma série de leis complexas. E executada por um Shochet,
um homem temente a D-us e observante da Torá, que possui um alto grau
de destreza nas leis e práticas da Shechitá. Sua rapidez e precisão,
juntamente com uma lâmina perfeitamente lisa - a qual é exigida
pela Lei Judaica - preservam o animal, tanto quanto possível, da dor
e do sofrimento.
Bedicá - é a inspeção dos órgãos
internos, à procura de doenças ou ferimentos potencialmente fatais,
que desqualificariam o animal. A maior parte das anomalias que torna um animal
não-Casher não são aceitas como tal perante a lei norte-americana,
e quando um inspetor do governo condena um órgão, é quase
sempre apenas aquela parte. Entretanto, segundo a Lei Judaica, certas moléstias
ou imperfeições em qualquer parte do corpo tornam o animal inteiro
impróprio para o consumo.
Nicur - implica na remoção de certas veias e sebos proibidos
da carne. São extremamente predominantes nas partes traseiras e, devido à complexidade
envolvida em sua remoção, estas partes do animal não são,
em geral, vendidas como Casher.
Meicha - também conhecida como "casherização' é a
imersão e o salgamento da carne depois que todas as veias e gorduras
proibidas foram retiradas. o processo de casherização consiste
dos seguintes passos: lavagem, imersão (trinta minutos na água),
salgamento (uma hora no sal) e tripla lavagem. A carne é salgada dentro
do período de 72 horas após o abate. o fígado não é casherizado
da maneira habitual, porém grelhado separadamente em fogo exposto. Ambos
os processos servem para remover os últimos traços de sangue
da carne. Todo este processo normalmente já é feito pelos próprios
açougues casher.
IMPORTANTE: Sobre qualquer dúvida, maiores detalhes e estudo de leis
da cashrut que são muito mais abrangentes que este artigo, um rabino
ortodoxo deve ser sempre consultado.
Isto também é válido no caso em que uma pessoa precise
casherizar a carne, ou para aqueles que precisam seguir uma dieta isenta de
sal sobre como proceder.
Cortes de carne mais comuns da parte permitida do animal Casher
Pescoço - é a continuação do peito. As fibras são
bem irrigadas de gordura. Serve para pratos que exijam bons molhos e dá ótimos
resultados em ensopados, cozidos, picadinhos e carne de panela.
Acem - é o maior pedaço do dianteiro. Quando tirado de um animal
novo pode ser utilizado em bifes. A carne é macia, bem marmorizada,
o que possibilita um cozimento longo sem ressecamento. é usado para
ensopados, picadinhos, bife de panela e carnes de panela recheadas e com molho.
Peito - por sua espessura, largura e formato é a melhor peça
do dianteiro para se preparar carne recheada enrolada. A gordura superficial
evita seu ressecamento durante o cozimento, prestando bom a cozidos. Pode ser
formado de músculos e fibras mais duras. Usa-se ainda para sopas.
Braço (Pa ou Paleta) - mais musculoso que o acém, tem gorduras
e nervos suficientes para assegurar-lhes o sabor. Divide-se em 3 partes: miolo
do braço, parte central e o peixinho. Sendo uma peça saborosa
não muito macia, é apropriada para moer, ensopar e fazer molhos.
Capa de Filé - de textura desigual coberta por uma espessa camada de
gordura e de carne. identificada por uma grossa cartilagem que divide a peça.
Indicada para pratos com molhos de cozimento mais longos, para ensopados e
picadinhos.
Músculos - peça saborosa e ideal para o preparo de molhos, ensopados,
carnes do panela. sopas. o músculo com osso e tutano na parte interior
chama-se ossobuco. As leis do abate do animal é praticada por um shochet,
um homem temente a D-us e observante da Torá, que passa anos de sua
vida exercitando e estudando as leis.
Aves Casher
As leis referentes aos processos de abate e casherização de frangos
e outras aves são praticamente idênticas às que se aplicam à carne.
Um cuidado especial é tomado ao salgar os frangos, para assegurar que
seu interior esteja bem limpo e que o sal tenha chegado bem ao fundo de todas
as cavidades da galinha e entre as saliências.
Frangos inteiros, mesmo se casherizados, são muitas vezes vendidos com
um saquinho de miúdos e outro com fígados dentro da cavidade
do corpo. o saquinho com o fígado tem que ser removido antes do cozimento,
pois o contato com o fígado cru pode tomar a galinha Taref. Se a galinha
for imersa em água quente ou cozida sem a remoção do fígado,
um rabino ortodoxo deverá ser consultado.
Muito embora os frangos Casher sejam cuidadosamente verificados pelas pessoas
que os processam para assegurar que a ave esteja livre de doenças ou
de ferimentos graves, ocasionalmente podem ocorrer descuidos. Se for notado
um osso quebrado ou deslocado, sangue, pus ou uma descoloração
em volta da extremidade da coxa ou ao redor de uma ferida, um rabino ortodoxo
deverá ser consultado. Estes problemas podem tornar todo o frango não-Casher.
Ao comprar uma galinha pré-embalada, esta deverá possuir um selo
de Cashrut confiável.
Casherização do fígado
O fígado tem sangue demais para ser removido somente pelo salgamento.
Por isso deve ser salpicado com sal grosso e grelhado no fogo. Os pedaços
de fígado não devem ser muito grossos para que o calor penetre.
A grelha deve ser casherizada no fogo antes de ser reutilizada. Consulte um
rabino ortodoxo sobre os detalhes deste procedimento.
Dúvidas mais freqüentes
O que é casher?
A palavra hebraica casher significa apropriado. Quando aplicada à comida,
o termo indica que um item é apropriado para consumo, de acordo com
a Lei Judaica.
Cashrut refere-se a todo assunto concernente ao alimento casher. Envolve todo
o processo gastronômico, desde a triagem dos ingredientes e o cuidado
no seu manuseio, higienização até o preparo dos alimentos.
Em restaurantes e indústrias que fabricam produtos casher, estes cuidados
estendem-se às instalações e contratação
de pessoal especializado para acompanhar cada etapa do processo sob permanente
supervisão rabínica.
O que é supervisão casher?
Significa que um rabino habilitado ou uma organização rabínica
supervisiona a produção de um item alimentício, para assegurar-se
de que o produto é casher (preparado de acordo com as leis dietéticas
judaicas).
Em geral, a supervisão se concentra em duas áreas:
Ingredientes - Todos os ingredientes e sub-ingredientes usados em um produto
devem ser casher.
Equipamento - Este deve ter um status casher e não pode ser utilizado
para os dois tipos, casher e não-casher.
A supervisão é estabelecida fazendo-se o levantamento de dados
em uma pesquisa detalhada de todos os ingredientes e processo de fabricação
(planta da fábrica, fluxograma, etc) envolvidos no produto. Após
todas as informações terem sido checadas e registradas com a
assinatura da pessoa encarregada de fornecer todas as informações
(geralmente o gerente de qualidade ou de produção) é agendada
uma visita ao estabelecimento por um rabino perito no assunto.
Após aprovado, o produto é periodicamente acompanhado para certificar-se
de que não sofreu nenhuma alteração em sua composição
ou no processo de fabricação.
Um rabino visita a fábrica regularmente para verificar se não
foram feitas alterações que comprometeriam o status casher.
Contrário à idéia que muitos têm, o alimento casher
não precisa ser "abençoado" por um rabino.
Por que é necessária a supervisão rabínica?
Não muito tempo atrás, a maioria dos produtos alimentícios
era preparada na cozinha da família, ou numa pequena fábrica
na comunidade. Era fácil perguntar se o produto em questão era
confiavelmente casher. Se fosse requerida supervisão rabínica,
era atendida pelo rabino da comunidade, conhecido por todos.
Hoje, a industrialização, transporte além-mar e produção
em massa criaram uma situação onde a maioria dos alimentos que
comemos são tratados, processados, cozidos, enlatados ou embalados comercialmente
em parques industriais que provavelmente estão a centenas ou milhares
de quilômetros de distância. Além disso, é impossível
dizer apenas pelo rótulo quais ingredientes ou processos foram empregados.
Esta última conclusão baseia-se nos seguintes fatos:
A lei alimentícia nem sempre exige que conste nos rótulos de
produtos industrializados a informação sobre ingredientes usados
em pequenas quantidades.
O consumidor não consegue saber se os ingredientes derivam de componentes
não-casher, ou se o maquinário foi anteriormente utilizado para
produção de alimentos não-casher.
O nome técnico dos ingredientes no rótulo pode não ser
adequado para informar o consumidor sobre o que está sendo realmente
usado, e se é ou não casher.
O uso de termos gerais para ingredientes, tais como: temperos, sabores, etc.,
não é informação suficiente.
O que é glat casher?
Tecnicamente, o termo glat é específico para carne casher. Um
shochet, especialista em abate de animais conforme a lei judaica, primeiro
abate o animal de maneira rápida e precisa, conforme os ditames da Lei
da Torá.
Após o animal ter sido abatido da maneira apropriada, um inspetor treinado
examina os órgãos internos para verificar se há alguma
anormalia fisiológica que possa tornar o animal não-casher.
Os pulmões, principalmente, devem ser examinados para certificar-se
de que não há aderências, que poderiam indicar uma perfuração.
Se for encontrada uma aderência, o inspetor deve examiná-la cuidadosamente
para determinar seu status de cashrut.
Embora nem todas as aderências necessariamente tornem um animal não-casher,
algumas comunidades judaicas ou indivíduos apenas aproveitam o animal
que esteja livre delas.
"Glat", literalmente, significa "liso" indicando que a carne
vem de um animal cujos pulmões foram considerados livres de toda e qualquer
aderência. Mais recentemente, glat casher é mais largamente usada
como uma expressão para o consumidor, significando "casher, sem dúvida".
O quê significa comida "estilo casher"?
Não existe comida "estilo casher". Casher não é uma
maneira de cozinhar. Comida chinesa, por exemplo, pode ser casher, se for preparada
de acordo com a Lei Judaica, e há muitos bons restaurantes chineses
casher em todo o mundo. Por outro lado, cozinha judaica ashkenazita, como knishes,
bagels, blintses e sopa de bolas de matsá podem não ser casher,
se não foram preparadas segundo a Lei Judaica.
Quando um restaurante se autoproclama "estilo casher", geralmente
significa que serve pratos judaicos tradicionais, mas na maioria das vezes
a comida não é casher.
O símbolo "K" é confiável?
Um "K" numa etiqueta não quer dizer necessariamente que o
produto é casher. Pode significar uma certificação casher,
ou pode ter sido colocado pelo fabricante como sua própria pretensão
de que o produto é casher.
Para descobrir quem ou o quê está por trás do "K" em
um produto, você deve entrar em contato com um rabino ortodoxo competente.
O que significa "casher para Pêssach"?
Pêssach (festa que comemora o Êxodo do Egito) é a época
do ano em que os consumidores casher são mais cuidadosos com sua alimentação,
devido às estritas proibições contra a ingestão
de fermento (chamêts). Isso baseia-se na referência bíblica
contra ingerir ou possuir alimento fermentado durante Pêssach.
Assegurar-se que a comida é casher para Pêssach é ainda
mais difícil que durante o resto do ano, devido a muitos ingredientes
que são usados rotineiramente e são produzidos sob supervisão
casher, não serem casher para Pêssach.
Não se pode usar nada que contenha os seguintes alimentos, considerados
chamêts: cevada, trigo, centeio, aveia e espelta, exceto as matsot e
farinha de matsá, que são compostos de farinha e água
misturados e assados cujo tempo total empregado seja inferior a dezoito minutos,
sempre sob supervisão rabínica.
Além
disso, outros alimentos não devem entrar
em contato com nenhum chamêts durante a
produção ou preparação,
ou se tornarão impróprios para
Pêssach.
Alguns produtos de grãos e seus derivados, embora sejam casher durante
o resto do ano, não podem ser usados em Pêssach.
Itens casher para Pêssach devem ser feitos apenas com utensílios
que sejam casher para Pêssach, de acordo com a Lei Judaica.
Todos os produtos industrializados precisam conter em suas embalagens selo "casher
para Pêssach" de um rabino ortodoxo.
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