Três
semanas inteiras de nosso ano — as três
semanas "entre os apertos" de 17 de
Tamuz e 9 de Av — são designadas
como um período de luto pela destruição
do Templo Sagrado e o conseqüente exílio
físico e deslocamento espiritual — no
qual ainda nos encontramos.
O jejum de 17 de Tamuz, o dia em que Moisés quebrou as Tábuas
da Lei ao ver o povo judeu adorando o bezerro de ouro, "coincidentemente" provou
ser o mesmo dia em que os romanos irromperam pelas muralhas de Jerusalém
para dar início à destruição do Segundo Templo.
"Quando começa o mês de Av, reduzimos nosso júbilo..." (Talmud,
Tratado Ta'anit 26). Começando em 1º de Av, usualmente nos abstemos
de diversas atividades que estão associadas à alegria.
O dia 9 de Av, Tish'á Beav, celebra uma lista de catástrofes
tão graves que é claramente um dia especialmente amaldiçoado
por D-us. O Primeiro Templo foi destruído neste dia. Cinco séculos
mais tarde, conforme os romanos se aproximavam do Segundo Templo, prontos para
incendiá-lo, os judeus ficaram chocados ao perceber que o Segundo Templo
foi destruído no mesmo dia que o Primeiro.
Quando os judeus se rebelaram contra o governo romano, acreditavam que seu
líder, Shimon bar Kochba, preencheria suas ânsias messiânicas.
Mas suas esperanças foram cruelmente destroçadas quando os judeus
rebeldes foram brutalmente esquartejados na batalha final em Betar, em 9 de
Av.
Os judeus foram expulsos da Inglaterra também em Tish'á Beav.
Em 1492, a Idade de Ouro da Espanha terminou, quando a Rainha Isabel e seu
marido Fernando ordenaram que os judeus fossem banidos do país. O decreto
de expulsão foi assinado em 31 de março de 1492, e os judeus
tiveram exatamente três meses para colocar seus negócios em ordem
e deixar o país. A data hebraica na qual nenhum judeu mais teve permissão
de permanecer no país onde tinha desfrutado de receptividade e prosperidade
foi 9 de Av.
A Segunda Guerra Mundial e o Holocausto, concluem os historiadores,
foi na verdade a finalização arrastada da Primeira Guerra. E a Primeira
Guerra Mundial começou, no calendário hebraico, em 9 de Av -
Tish'á Beav.
Os judeus vêem estes fatos como outra confirmação da convicção
profundamente enraizada de que a História não ocorre por acaso;
os acontecimentos — mesmo os terríveis — são parte
de um plano Divino, e têm um significado espiritual. A mensagem do tempo é que
há um propósito racional, muito embora não possamos entendê-lo.
Tishá Beav
O
dia 9 de Av – Tishá Beav – é um
dia de jejum publico (semelhante ao de Iom Kipur)
e luto pela destruição dos dois
Templos de Jerusalém.
Depois do Iom Kipur, Tishá Beav é o dia de jejum mais importante
do calendário judaico. Ele marca o último dia do período
de três semanas de intenso luto nacional pelos eventos que levaram à perda
da independência judaica.
Tal como no Iom Kipur, o jejum começa antes do pôr-do-sol e termina
após o pôr-do-sol no dia seguinte. Nada pode ser comido ou bebido,
inclusive água. Na sinagoga a cortina existente na frente da Arca é retirada.
No serviço do anoitecer, acendem-se velas suficientes para a leitura
do serviço e os fiéis não se sentam em bancos ou cadeiras,
mas no chão ou em banquinhos baixos e descalços que são
sinal de luto.
Na ultima refeição antes do jejum, come-se pãezinhos redondos
e ovos e às vezes se espalham cinzas sobre os ovos. O círculo
não tem começo nem fim, assim como a eternidade. Portanto, estes
alimentos têm sido, desde longa data, associados com o luto e a vida
eterna.
Após o serviço ao anoitecer, lê-se o Livro das Lamentações,
e isto é seguido pela leitura de elegias, hinos e preces de luto, que
são publicadas num livreto especial e mantidas na sinagoga para este
dia.
Há cinco coisas proibidas em Nove de Av: comer e beber, lavar-se, untar-se
com óleo, vestir sapatos de couro e coabitar.
Todos devem jejuar em Nove de Av, incluindo mulheres grávidas e mães
em fase de amamentação. Quem estiver doente, porém, pode
comer, mesmo se sua doença não lhe ameaça a vida. Entretanto,
uma pessoa doente deve abster-se de comer iguarias e deveria ingerir somente
o que for absolutamente necessário para seu bem-estar físico.
Costuma-se dizer que a pessoa que come ou bebe em Nove de Av sem ter de fazê-lo
por razões de saúde não merecerá ver o júbilo
de Jerusalém. E quem prantear sobre Jerusalém merecerá ver
sua felicidade, como promete o versículo (Yeshayahu 66:10): "Rejubile-se
grandemente com ela, todos que por ela pranteiam."
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