História dos judeus no Brasil - Conclusão

 

Um relance retrospectivo sobre o passado dos judeus no Brasil - compreendendo judeus propriamente ditos, cripto-judeus, cristãos-novos e meros descendentes de judeus - revela uma trajetória honrosa, pontilhada sem dúvida de dissabores e de sofrimentos, mas também repleta de sucesso, traduzido em contribuições positivas e fundamentais para o desenvolvimento do país e para a formação do seu povo.

Na exploração das costas brasileiras, no desbravamento do interior, no progresso da lavoura, do comércio e das indústrias, no avanço das artes e das ciências, enfim nos movimentos ideológicos de emancipação política da terra - em tudo os judeus deixaram marcas indeléveis da sua participação ativa, e tudo eles impregnaram do seu senso progressista e dos seus valores de cultura.

Por outro lado, o seu dom de grande mobilidade e sua notável capacidade de adaptação e convivência deram margem permanentemente a cruzamentos em alta escala, fazendo com que os judeus entrassem poderosamente na composição étnica nacional e transmitissem ao brasileiro de hoje largos contingentes éticos, antropológicos e culturais.
Conquanto não guardem propriamente continuidade com as populações israelitas de antanho, os judeus brasileiros do século XX, como coletividade, têm todos os motivos para se apropriarem de tal patrimônio histórico e de se terem por partícipes da nacionalidade.

Eis que seus ancestrais, por quatro séculos, foram deixando um legado precioso ao país. Quatro séculos: nem sequer um dia menos que a própria história do Brasil!

Notas:

1 - O pau-brasil, também conhecido como pau-ferro ou ainda pau-tinta por causa de sua cor vermelho-alaranjada, quase que a coloração da ferrugem, sem dúvida alguma é a fonte da origem do nome Brasil emprestado ao País. Há quem diga que essa cor da madeira é semelhante à de um braseiro, daí a denominação pau-brasil e então Brasil. Contudo, há que se notar que um dos nomes, como foi dito, é pau-ferro - metal que enferruja gerando a cor mencionada - mas em hebraico, ainda hoje a palavra que denomina ferro, como antigamente no aramaico, é barzel. Brasil seria uma derivação dessa expressão.

2 - O autor certamente subestimou os números. Citou o que desenvolvimento da colônia chegou a ter 2.00 casas e aponta, observando ele próprio que, com algum exagero devia haver uma população entre 1.500 a 3.000 judeus no Recife e que cálculos mais exagerados indicariam 5.000 pessoas. Mas se levarmos em conta as 2.00 casas poderia ter havido entre 6.000 e 7.000 habitantes, sem exagero algum.

3 - A Cahal Kadosh foi certamente a primeira Chevra Kadisha (Irmandade Santa) instalada nas Américas e no Brasil, junto com a Congregação Zur Israel, a primeira das sinagogas desta parte do mundo. A sinagoga, aliás, redescoberta, passou por um belo trabalho de reforma e restauração e recentemente foi inaugurada. Nela funciona hoje um museu judaico.

4 - A população se subdividiu em dois grupos: um, que permaneceu no Brasil e outro que foi para o exterior. O grupo que ficou no Brasil, dividiu-se em três: os que ficaram no Recife, garantidos pelo acordo de rendição dos holandeses para com os portugueses; os que resolveram ir para Sudeste e os que se embrenharam a fundo na Amazônia. Quanto ao grupo que preferiu ao exterior, houve várias correntes. Os que se dirigiram de volta à metrópole, na Holanda e os que partiram para o Suriname e depois Caiena (as Guianas). Parte atingiu as Antilhas Holandesas estabelecendo-se em Curaçao, Bonaire e São Martinho e parte nas Antilhas Francesas, como a Ilha de Martinica e uma parte menor às Antilhas Inglesas, em Barbados. Um grupo de 23 judeus brasileiros foi até América do Norte, fixando-se na Nova Holanda, cuja Capital era Nova Amsterdã, fundando ali a cidade de Nova York.

5 - No caso, o Distrito Federal representava na época a cidade do Rio de Janeiro, que não deve ser confundida com o Estado do Rio de Janeiro.