Visão Judaica - Edição N° 29
:. Jerusalém (16) - A cidade de Davi - A Acrópole .:

Antonio Carlos Coelho*

Saindo dos atuais muros da Jerusalém Antiga, pela Porta dos Camelos, tomando à esquerda, descendo uma ladeira acentuada, chegaremos ao o que foi a Jerusalém dos tempos do rei Davi. Ela fica situada ao sul do monte Moriah, onde estava localizado o antigo Templo.
Em forma de língua, devido à configuração dada pelo encontro de dois vales, o Tyropoeon (fabricantes de queijo) a oeste, e o Cedrom a leste, marcados por duas estradas convergentes, dá ao visitante a noção total da área que compreendia a antiga cidade.
A cidade que pertencia aos jebusitas, quando foi tomada pelo segundo rei de Israel, foi citada num texto egípcio do século 20 a.e.c. Tinha sido desprezada por Josué no tempo da conquista da Terra de Canaã. Segundo o profeta Ezequiel, aquela cidade abrigava uma população mista, formada por amoritas e hititas. Embora tecnicamente, conforme o texto bíblico, aquela área coubesse à Tribo de Benjamin, não foi ocupada pelos hebreus e, somente no reinado de Davi, por necessidade estratégica, o rei a tomou e fez dela a primeira e única capital de Israel. Mais tarde, com a instalação da Arca da Aliança na cidade, ela se tornou também o centro espiritual da vida judaica.
Duas trilhas dão acesso às escavações que apontam para as origens da Cidade de Jerusalém, chamada de Acrópole. O visitante irá encontrar restos de casas, muros e portas, construídas anteriormente ao tempo de Davi. Após a tomada da cidade, Davi construiu sobres aquelas sólidas bases, o seu palácio. Aproximadamente no século 7 a.e.c. foram construídas algumas casas nas proximidades. Entre elas, a Casa de Ahiel, onde os arqueólogos descobriram uma escada que levava ao andar superior da casa, sustentado por dois grandes monólitos. No andar inferior foram encontrados quartos e um banheiro. Nas proximidades há indícios de incêndio, provavelmente indicativos da tomada da cidade pelos babilônicos, conforme está em 2 Reis 25; 8-9: “No quinto mês, no dia sete – era o décimo nono ano de Nabucodonosor, rei da Babilônia -, Nabuzardã, comandante da guarda, oficial do rei de Babilônia, fez sua entrada em Jerusalém. Incendiou o Templo do Senhor, o palácio real e todas as casas de Jerusalém”.
Pode-se visitar também o que se acredita ter sido o muro construído por Nehemiah, após o retorno do povo judeu do exílio da Babilônia (séc. 5 a.e.c). Há ainda restos de construções do período dos Hasmoneus (séc. 2 a.e.c).
A antiga cidade de Davi é muito pouco visitada por turistas, por algumas razões: está situada num local de difícil acesso e os seus atrativos interessam mais aos apaixonados pela arqueologia do que ao turista comum. De qualquer forma, de interesse turístico ou não, ali estão, naquele forte declive das encostas do Monte Moriah, os restos de uma cidade insignificante, mas que, após Davi, há mais de 3000 anos, tornou-se a capital eterna de Israel.

* Antonio Carlos Coelho é professor, colaborador do jornal Visão Judaica e diretor do Instituto Ciência e Fé.

 



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