Antonio Carlos Coelho*
Saindo dos atuais muros da Jerusalém Antiga, pela Porta
dos Camelos, tomando à esquerda, descendo uma ladeira
acentuada, chegaremos ao o que foi a Jerusalém dos tempos
do rei Davi. Ela fica situada ao sul do monte Moriah, onde estava
localizado o antigo Templo.
Em forma de língua, devido à configuração
dada pelo encontro de dois vales, o Tyropoeon (fabricantes de
queijo) a oeste, e o Cedrom a leste, marcados por duas estradas
convergentes, dá ao visitante a noção total
da área que compreendia a antiga cidade.
A cidade que pertencia aos jebusitas, quando foi tomada pelo
segundo rei de Israel, foi citada num texto egípcio do
século 20 a.e.c. Tinha sido desprezada por Josué no
tempo da conquista da Terra de Canaã. Segundo o profeta
Ezequiel, aquela cidade abrigava uma população
mista, formada por amoritas e hititas. Embora tecnicamente, conforme
o texto bíblico, aquela área coubesse à Tribo
de Benjamin, não foi ocupada pelos hebreus e, somente
no reinado de Davi, por necessidade estratégica, o rei
a tomou e fez dela a primeira e única capital de Israel.
Mais tarde, com a instalação da Arca da Aliança
na cidade, ela se tornou também o centro espiritual da
vida judaica.
Duas trilhas dão acesso às escavações
que apontam para as origens da Cidade de Jerusalém, chamada
de Acrópole. O visitante irá encontrar restos de
casas, muros e portas, construídas anteriormente ao tempo
de Davi. Após a tomada da cidade, Davi construiu sobres
aquelas sólidas bases, o seu palácio. Aproximadamente
no século 7 a.e.c. foram construídas algumas casas
nas proximidades. Entre elas, a Casa de Ahiel, onde os arqueólogos
descobriram uma escada que levava ao andar superior da casa,
sustentado por dois grandes monólitos. No andar inferior
foram encontrados quartos e um banheiro. Nas proximidades há indícios
de incêndio, provavelmente indicativos da tomada da cidade
pelos babilônicos, conforme está em 2 Reis 25; 8-9: “No
quinto mês, no dia sete – era o décimo nono
ano de Nabucodonosor, rei da Babilônia -, Nabuzardã,
comandante da guarda, oficial do rei de Babilônia, fez
sua entrada em Jerusalém. Incendiou o Templo do Senhor,
o palácio real e todas as casas de Jerusalém”.
Pode-se visitar também o que se acredita ter sido o muro
construído por Nehemiah, após o retorno do povo
judeu do exílio da Babilônia (séc. 5 a.e.c).
Há ainda restos de construções do período
dos Hasmoneus (séc. 2 a.e.c).
A antiga cidade de Davi é muito pouco visitada por turistas,
por algumas razões: está situada num local de difícil
acesso e os seus atrativos interessam mais aos apaixonados pela
arqueologia do que ao turista comum. De qualquer forma, de interesse
turístico ou não, ali estão, naquele forte
declive das encostas do Monte Moriah, os restos de uma cidade
insignificante, mas que, após Davi, há mais de
3000 anos, tornou-se a capital eterna de Israel.
* Antonio Carlos Coelho é professor, colaborador do jornal
Visão Judaica e diretor do Instituto Ciência e Fé.