Eli E. Hertz *
Os palestinos dizem sentirem-se humilhados e molestados quando as autoridades
israelenses os revistam e a seus pertences, quando são impedidos de
viajar livremente por terem de se submeter aos postos de inspeção,
bloqueios nas estradas, fechamentos de caminhos e toques de recolher. Eles
se dizem “encurralados” por cercas de segurança e muros
de concreto.
Até mesmo aqueles que conhecem a razão de ser de tais medidas
de segurança criticam Israel. O uso cínico de palestinos inocentes,
inclusive de pessoas necessitadas de tratamento médico urgente1, e
o uso de trabalhadores palestinos que trabalham diariamente em Israel são
comuns na cobertura a terroristas.
Os palestinos se aproveitam da sensibilidade israelense à honra das
mulheres árabes para mobilizá-las como bombas humanas. As duas últimas
foram uma mulher de 48 anos e mãe de sete filhos – que carregava
um cinto de explosivos, passando por postos de inspeção – e
uma outra mulher, Reem Salah Riashi, de 21 e mãe de duas crianças
pequenas, que sonhava em “tornar-se mártir” desde os 13.
Riashi, aproximando-se de um posto de inspeção, disse ser portadora
de uma deficiência, alegando ter um pino de metal em sua perna. Foi
levada para um quarto no posto para ser examinada por uma oficial mulher,
e daí explodiu-se, matando 4 israelenses e ferindo 12. A partir deste
episódio, mulheres e pacientes palestinos em geral não mais
foram isentos de inspeção física completa, num esforço
por impedir a entrada de homens/mulheres-bomba em Israel. Este aumento do
desconforto de palestinos inocentes foi causado por sua própria liderança,
a qual cinicamente continua alegando que os israelenses humilham os árabes
palestinos.
Estranhamente, os meios de comunicação e as organizações
de direitos humanos não apresentam nem protestam contra a humilhação
e moléstia diárias sofridas pelos israelenses nas mãos
da ‘fábrica de terror’ da Autoridade Palestina.
Em Israel, cada cidadão é revistado diversas vezes em um só dia.
Os israelenses se sujeitam a abrir suas bolsas para inspeção,
em geral passam por detectores de metal cada vez que entram num banco ou
agência dos correios, quando compram uma garrafa de leite no supermercado,
quando entram num shopping center ou estação de trem, ou quando
visitam alguém num hospital ou clínica médica. Jovens
israelenses são revistados até para entrar em boates e casas
noturnas, por receio de que possam estar carregando um cinto de explosivos.
Rotineiramente, os porta-malas de carros em Israel são revistados
cada vez que entram num estacionamento. Os carros israelenses passam diariamente
por blitzen que causam congestionamentos enormes toda vez que as forças
de segurança recebem informação de que houve infiltração
de homens-bomba. Longe de ser um caso isolado, nos dois meses e meio de relativa
tranqüilidade entre 4 de agosto de 2003 – quando explodiram o
popular restaurante Maxim em Haifa (cujos donos eram um cristão e
um judeu), deixando 22 mortos e mais de 100 feridos – e no Natal, um
dia de paz no calendário cristão, nada menos que 24 homens-bomba
foram detidos a caminho de Israel e outros 15 a caminho de alvos na Margem
Ocidental antes que chegassem a seus destinos.
Os israelenses são revistados não só quando saem para
tomar café na filial local do Starbucks ou para comer no Pizza Hut,
não só quando vão ao cinema, teatro ou a um concerto,
onde o termo “dressed to kill” tem significado muito diferente.
Estas humilhações diárias ‘comuns’ agora
se estendem até a casamentos e bar-mitzvót. Ninguém,
no exterior, fala da humilhação a que os judeus em Israel são
submetidos, tendo que imprimir no pé de convites de casamento e outras
festividades que “o local estará protegido por guardas de segurança
armados” – para garantir a presença de parentes e amigos
e compartilhar de suas alegrias.
Uma em cada quatro crianças israelenses, entre 11 e 15 anos de idade,
teme por suas vidas. Uma em cada três reporta que teme pela vida de
seus familiares, e mais de um terço diz que mudou os caminhos por
onde passam e seus hábitos sociais por conta de preocupações
com sua segurança2.
Tais postos de inspeção espalhados por toda parte em Israel
não existem nem nas cidades árabes israelenses nem na Margem
Ocidental e Gaza, pois tais lugares nunca foram alvo do terrorismo árabe
palestino. Na verdade, o israelense médio é “humilhado
e molestado” por ser revistado muito mais vezes num dia que o palestino
médio. Nenhum grupo de direitos humanos jamais se pronunciou sobre
tamanha invasão de privacidade imposta sobre os israelenses.
A última fonte de crítica é a cerca de segurança – projetada
para servir de barreira contra homens-bomba suicidas palestinos. Os críticos
da cerca gritam tratar-se de uma “guetoização” dos
palestinos, uma “nova maneira de molestar os palestinos”.
Até o momento, ninguém protestou que, desde os anos 1970, as
crianças israelenses em idade escolar são cercadas por cercas
que ocupam todo o perímetro das escolas e guardadas por seguranças
armados, como se as escolas fossem domicílio de mafiosos. Nenhuma
escola árabe-israelense ou nos territórios de Judéia,
Samária e Gaza são cercadas e guardadas dessa maneira. Não
se vê seguranças em lojas, cafés, restaurantes, cinemas,
salões de festas ou escolas árabes, seja dentro de Israel ou
nos territórios. Nem tampouco precisam os palestinos de seguranças
em cada excursão escolar, de grupos jovens ou acampamentos. Eles não
são alvos do terrorismo.
Crianças árabes nunca foram vítimas de ataques propositais
por parte de judeus, enquanto árabes assassinaram propositalmente
crianças de escola judias, adolescentes em viagens noturnas e em passeios
em bosques. Árabes palestinos atacaram duas vezes ônibus escolares
com crianças de idade entre 5 e 10, assassinaram duas crianças
que brincavam numa caverna próxima de suas casas, mataram um menino
numa creche e assassinaram até crianças pequenas escondidas
embaixo de suas camas – tudo isso além das ondas de ataques
suicidas.
Inúmeros israelenses em áreas sensíveis do lado israelense
da Linha Verde – não apenas nos territórios, mas também
em cidades, vilas e subúrbios judaicos – estão “guetoizados” atrás
de cercas altas. Há três anos, o bairro judaico de Gilo em Jerusalém
foi fechado com um muro alto de concreto que acabou com a visão panorâmica
que tinham da cidade, para proteger os moradores dos franco-atiradores do
bairro árabe de Beit Jallah.
Enquanto a Assembléia Geral das Nações Unidas protesta
contra a inconveniência causada aos palestinos pela cerca de segurança,
nenhum órgão da ONU protestou contra o fato de que um país
inteiro tem sido molestado e humilhado. Os israelenses que viajam de Jerusalém
ao vale de Beit Shean, no norte; ou para o sul, de Jerusalém a Ber-Sheva,
são forçados a um desvio que lhes acrescenta 60 a 90 minutos
de viagem para evitar atravessar o território da Judéia e o
vale do Jordão, onde franco-atiradores e outros tipos de ataque ao
tráfego civil por parte de árabes palestinos ameaçam
a vida de quem passa.
Os motoristas viajando entre Jerusalém e Tel-Aviv pela via 443 são
forçados a passar por uma grande garganta na pista entre dois paredões
de concreto que os protegem de franco-atiradores palestinos. No entanto,
nunca houve nenhum protesto na ONU contra esses paredões – somente
contra o muro ‘feio’ que impede os terroristas da cidade árabe
palestina de Qalqilia3 de atacar os carros que passam [dentro de Israel]
por uma das principais estradas com pedágio do país, e contra
outras seções da barreira onde esta é de concreto, em
vez de material de cerca.
A liberdade de movimento dos israelenses é também diariamente
prejudicada na medida em que inúmeros cidadãos evitam áreas
ou eventos onde há multidões, mudam seu caminho diário
evitando as ruas principais, evitam aproximar-se de ônibus urbanos,
ou simplesmente evitam completamente estar no centro de sua capital. Várias
excursões escolares foram canceladas ou restritas nos últimos
três anos.
Muitos motoristas israelenses evitam estradas que passam pelas áreas árabes
de Israel, enquanto os palestinos dos territórios continuam a entrar
nas cidades judaicas e levar seus negócios adiante ilesos. Avisa-se
aos israelenses para evitar revelar sua identidade no exterior – não
falar hebraico em público e não vestir roupas que denotem sua
identidade judaica ou israelense. Até mesmo a companhia aérea
israelense – El-Al – teve de remover seu emblema de algumas aeronaves
com destino a alguns aeroportos para evitar por em risco a segurança
dos passageiros. Isto foi resultado de algumas tentativas de derrubar aeronaves
civis israelenses com mísseis. Por outro lado, os árabes que
freqüentam as cidades judaicas em Israel vestem sua vestimenta tradicional
sem qualquer receio de serem atacados ou molestados.
Um artigo publicado na Forbes – intitulado “O Frio Cálculo
do Terror” – estima que as perdas econômicas de Israel
em conseqüência do terrorismo incessante estão em torno
de 3% dos 110 bilhões de dólares do PIB. Só o turismo
caiu em 50% e perdeu 2 bilhões de dólares por ano.
Neste momento em que escrevo, “o interrogatório de terroristas
pertencentes a várias organizações atuantes no território
da Samária (parte norte da Margem Ocidental) indicou que a barreira
de segurança de fato constitui um obstáculo considerável
aos terroristas que se infiltram em território israelense.”4
A cerca de segurança já se mostrou notavelmente eficaz em evitar
mortes nas áreas onde já foi instalada.
Será que a Assembléia Geral da ONU consegue calcular a ‘proporcionalidade’ da
construção dessa cerca salva-vidas em relação
ao barbarismo e terrorismo palestinos?
Isto nos leva à questão: quem são as vítimas
e quem são os carrascos? Quem é que está sendo humilhado
e molestado? Palestinos ou israelenses?
Notas
[1] Tal comportamento covarde chega ao ponto de esconder cintos de explosivos
sob o leito de crianças doentes em ambulâncias; o uso de ambulâncias
para levar e trazer terroristas de áreas fechadas, disfarçados
de para-médicos ou pacientes em estado grave, e daí reclamar
que os ‘malvados’ israelenses inspecionam até ambulâncias.
[2] “Pesquisa: 1 em cada 4 adolescentes vive com medo do terror,” Jerusalem
Post, 3 de junho de 2004. Confira em http://www.jpost.com/servlet/Satellite?pagename=JPost/JPArticle/ShowFull&cid=1086230744079
[3] O que o relatório do Secretário Geral da ONU não
revela é que Qalqilia foi e é o lar de terroristas palestinos
que ‘produziram’ até agora cinco ataques terroristas contra
alvos civis dentro de Israel, ‘contribuindo’ para a morte de
28 civis inocentes e inúmeros feridos. O último incidente não-fatal
teve lugar em 31 de agosto de 2003, quando um operário árabe-israelense
foi moderadamente ferido num ataque a tiros. Ver em www.ict.org.il/arab_isr/mideast_attacksearch_frame.htm
[4] Intelligence and Terrorism Information Center no Center for Special Studies
(C.S.S) em
http://www.intelligence.org.il/
* Eli E. Hertz (eli@hertztec.com) escreveu e publicou este artigo dia 13
de julho de 2004 em www.mefacts.com A tradução é de
Alexandre J. Eisenberg.