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O compositor grego Mikis Theodorakis, que provocou indignação
em novembro do ano passado ao dizer que os judeus eram "a raiz de todos
os males", declarou — entre outras coisas — numa longa entrevista
ao jornalista Ari Shavit, do diário israelense Haaretz, intitulada "The
Jewish problem, according to Theodorakis" [O problema judeu, segundo
Theodorakis] que os judeus controlam os bancos internacionais e as comunicações
mundiais. E praticamente imitando os anti-semitas que argumentam em sua defesa
ter um amigo judeu, Theodorakis — que ganhou fama internacional com
a música do filme "Zorba o grego" em 1964 — se autodenomina,
na mesma entrevista, um "amigo verdadeiro do povo judeu". Não
satisfeito com essa explicação, Theodorakis também disse
que concedia a entrevista para tratar de dissipar o mal-estar ocasionado
por suas declarações de novembro. Mas ao que parece, não
se esforçou muito para conseguir seu objetivo.
Theodorakis disse que não odeia os judeus, mas sim a política
do primeiro-ministro Sharon contra os palestinos, que descreveu como de cunho
nazista. Acrescentou que havia sido Sharon e outros judeus de posições
influentes que persuadiram o presidente americano George W. Bush a declarar
guerra ao Iraque. Perguntado se não havia se arrependido do que havia
dito em novembro, disse que não e declarou que, para ele, a “raiz
do mal” hoje é a “política fascista do presidente
Bush”.
”
Thedorakis observou ao Haaretz que não havia dito que os judeus fossem
a raiz de todos os males, mas que “estavam na raiz de todos os males".
Sem dar maiores explicações a respeito, tentou modificar suas
próprias palavras para amenizar a reação que causaram.
"
Fiquei muito magoado com a reação dos judeus ao que disse",
declarou, segundo o diário. "E não foi uma reação
civilizada". Os comentários de novembro motivaram uma queixa
de Israel ao governo grego, o qual se distanciou das afirmações
do compositor.
Em março, o Centro Simon Wiesenthal, de Los Angeles, sugeriu aos judeus
que não visitassem a Grécia, especialmente durante as Olimpíadas,
por considerar que nesse país imperava o anti-semitismo. O próprio
Theodorakis, que escreveu o hino nacional palestino, disse que havia recebido
e-mails “hostis” de todo o mundo. "Não posso compreender
este ódio contra mim", declarou ele ao Haaretz.
Ao perguntar-lhe o jornalista sobre como era sua visão dos judeus
durante sua infância, Theodorakis recordou um conselho de sua avó,
uma pessoa muito religiosa, que havia recomendado a ele, que na época
da Páscoa não fosse ao bairro judeu, já que nessa festividade
os judeus "colocavam os meninos cristãos em barris cheios de
espetos e bebiam seu sangue".
Theodorakis acrescentou que os judeus controlam os bancos internacionais
e as comunicações mundiais."Têm em suas mãos
as finanças mundiais...", disse. "Nos Estados Unidos a comunidade
judia é muito forte. Controla grande parte da economia e certamente
os meios de comunicação", repetindo falácias de
neonazistas, anti-semitas e ingênuos que costumam dizer o mesmo, porque “ouviram
falar”. Ele também acrescentou que o controle dos judeus sobre
grandes orquestras o impediram de realizar concertos. À pergunta se
os judeus controlam o mundo da música e os Estados Unidos, o compositor
respondeu simplesmente: "Sim".
Sobre música, disse se sente muito próximo ao espírito
alemão, muito romântico, mas muito disciplinado. Que admira
Beethoven e Wagner, o compositor anti-semita favorito dos nazistas, mas faz
reservas a Schoenberg. E que não acredita em “música
intelectual”.
O compositor grego disse que não crê que exista atualmente anti-semitismo
na Europa. “O que há é uma reação à política
de Sharon e Bush e essa coisa de novo anti-semitismo é artificial,
uma desculpa para Israel se prevenir das críticas”, alegou.
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