Visão Judaica - Edição N° 29
:. Para Theodorakis, o compositor grego,judeus controlam bancos e imprensa .:


O compositor grego Mikis Theodorakis, que provocou indignação em novembro do ano passado ao dizer que os judeus eram "a raiz de todos os males", declarou — entre outras coisas — numa longa entrevista ao jornalista Ari Shavit, do diário israelense Haaretz, intitulada "The Jewish problem, according to Theodorakis" [O problema judeu, segundo Theodorakis] que os judeus controlam os bancos internacionais e as comunicações mundiais. E praticamente imitando os anti-semitas que argumentam em sua defesa ter um amigo judeu, Theodorakis — que ganhou fama internacional com a música do filme "Zorba o grego" em 1964 — se autodenomina, na mesma entrevista, um "amigo verdadeiro do povo judeu". Não satisfeito com essa explicação, Theodorakis também disse que concedia a entrevista para tratar de dissipar o mal-estar ocasionado por suas declarações de novembro. Mas ao que parece, não se esforçou muito para conseguir seu objetivo.
Theodorakis disse que não odeia os judeus, mas sim a política do primeiro-ministro Sharon contra os palestinos, que descreveu como de cunho nazista. Acrescentou que havia sido Sharon e outros judeus de posições influentes que persuadiram o presidente americano George W. Bush a declarar guerra ao Iraque. Perguntado se não havia se arrependido do que havia dito em novembro, disse que não e declarou que, para ele, a “raiz do mal” hoje é a “política fascista do presidente Bush”.
” Thedorakis observou ao Haaretz que não havia dito que os judeus fossem a raiz de todos os males, mas que “estavam na raiz de todos os males". Sem dar maiores explicações a respeito, tentou modificar suas próprias palavras para amenizar a reação que causaram.
" Fiquei muito magoado com a reação dos judeus ao que disse", declarou, segundo o diário. "E não foi uma reação civilizada". Os comentários de novembro motivaram uma queixa de Israel ao governo grego, o qual se distanciou das afirmações do compositor.
Em março, o Centro Simon Wiesenthal, de Los Angeles, sugeriu aos judeus que não visitassem a Grécia, especialmente durante as Olimpíadas, por considerar que nesse país imperava o anti-semitismo. O próprio Theodorakis, que escreveu o hino nacional palestino, disse que havia recebido e-mails “hostis” de todo o mundo. "Não posso compreender este ódio contra mim", declarou ele ao Haaretz.
Ao perguntar-lhe o jornalista sobre como era sua visão dos judeus durante sua infância, Theodorakis recordou um conselho de sua avó, uma pessoa muito religiosa, que havia recomendado a ele, que na época da Páscoa não fosse ao bairro judeu, já que nessa festividade os judeus "colocavam os meninos cristãos em barris cheios de espetos e bebiam seu sangue".
Theodorakis acrescentou que os judeus controlam os bancos internacionais e as comunicações mundiais."Têm em suas mãos as finanças mundiais...", disse. "Nos Estados Unidos a comunidade judia é muito forte. Controla grande parte da economia e certamente os meios de comunicação", repetindo falácias de neonazistas, anti-semitas e ingênuos que costumam dizer o mesmo, porque “ouviram falar”. Ele também acrescentou que o controle dos judeus sobre grandes orquestras o impediram de realizar concertos. À pergunta se os judeus controlam o mundo da música e os Estados Unidos, o compositor respondeu simplesmente: "Sim".
Sobre música, disse se sente muito próximo ao espírito alemão, muito romântico, mas muito disciplinado. Que admira Beethoven e Wagner, o compositor anti-semita favorito dos nazistas, mas faz reservas a Schoenberg. E que não acredita em “música intelectual”.
O compositor grego disse que não crê que exista atualmente anti-semitismo na Europa. “O que há é uma reação à política de Sharon e Bush e essa coisa de novo anti-semitismo é artificial, uma desculpa para Israel se prevenir das críticas”, alegou.

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