Falando do que a imprensa internacional costuma ficar calada
Aliza Moreno Goldschmidt *
Assim é a imprensa sensacionalista e o populismo. São
muito mais fotogênicos os supostos abusos contra gente
desamparada que a ajuda incondicional às pessoas realmente
necessitadas.
É
isto justamente o que acontece no caso de Israel e sua imagem
internacional. Nunca é demais escrever mais um artigo
para demonstrar o assassinato publicitário que ocorre
diariamente contra o direito de existência e autodefesa
do Estado de Israel. Os meios de comunicação mundiais
dedicam praticamente uma coluna fixa em seus títulos,
para informar (ou desinformar?) sobre o menor dos movimentos
do governo e do exército israelense, e sua atuação
frente às autoridades e população palestina.
Mas não é minha intenção, nesta ocasião,
colocar em julgamento a objetividade desses informativos. Pelo
contrário, hoje quero dedicar o espaço para referir-me
ao silêncio, àquilo que não se diz sobre
a atuação de Israel no âmbito internacional.
Por trás de uma imagem errada de Israel conquistador e
cruel, esconde-se a verdadeira realidade de um país e
de uma sociedade dispostos a ajudar nas circunstâncias
mais difíceis — inclusive a seus inimigos por excelência.
Para Israel, seu alto desenvolvimento tecnológico nas
distintas áreas, sua experiência em assuntos como
resgate e a grande qualidade humana com a que conta, são
também oportunidades para estender a mão ao próximo
em seus momentos de crise.
Pouco se sabe a respeito, mas Israel sempre que há necessidade,
se faz presente em missões humanitárias praticamente
em todo o mundo, graças às quais muitas vidas foram
salvas e outras tantas recuperadas.
A ajuda humanitária que Israel envia a todo o mundo é uma
constante no comportamento de sua sociedade. Por exemplo, nas últimas
semanas Israel se fez presente na África e na América
do Sul. Segundo o informe de Itamar Aichner, do jornal Yediot
Achronot, três médicos israelenses estiveram prestando
seus serviços aos refugiados do Sudão no Chade.
Os médicos tiveram que manter sua identidade em segredo
devido ao fato de Israel não manter relações
diplomáticas com aquele país muçulmano.
Em breve, uma delegação maior chegará ao
lugar.
No domingo 1° de agosto uma enorme tragédia enlutou
o povo paraguaio. Em sua capital, Assunção, houve
um terrível incêndio num supermercado cujas conseqüências
foi um saldo de 370 mortos. Israel enviou imediatamente médicos,
medicamentos e elementos apropriados a Assunção
para auxiliar os numerosos feridos. Dois cirurgiões plásticos
israelenses se deslocaram para lá, com o propósito
de oferecer ajuda médica às vítimas. Trata-se
dos doutores Ymri Tamir e Eran Ben Meir, ambos do Hospital Tel
Hashomer.
A ajuda que Israel faz chegar ao mundo provém de distintas
fontes e instituições; desde o próprio exército
israelense, até organizações de beneficência
e instituições particulares. Inclusive há cidadãos
que organizam seus próprios esforços para essa
finalidade: ajudar no que estiver a seu alcance.
O exército israelense já levou a cabo várias
missões muito importantes. Em janeiro de 2001 um terremoto
deixou um saldo de mais de 15.000 vítimas no Oeste da Índia.
O exército enviou cinco aviões com uma carga de
65 toneladas. Um sexto avião transportou um grupo de 170
voluntários, os quais se instalaram na cidade de Bhuj.
Entre eles encontravam-se 27 médicos especialistas, 24
enfermeiras e outros tanto de assistentes médicos e para-médicos
do Maguen David Adom (A Estrela de David Vermelha). O hospital
israelense assistiu a mais de 1300 pessoas. Também na
tragédia que arrasou a Turquia nos terremotos de 1999
Israel se fez mais que presente. Duas corporações
israelenses chegaram ao local: uma de resgate e a outra, uma
unidade médica. Durante a operação 12 pessoas
foram resgatadas, 146 corpos retirados dos escombros e mais de
2.500 pessoas receberam tratamento médico (incluindo 22
cirurgias). De igual modo, o exército israelense desenvolveu
seus melhores esforços em outras ocasiões como
o terremoto na Grécia em 1999, o ataque à embaixada
americana de Nairobi, Quênia, em 1998, o incêndio
na Turquia em 1997, auxiliando os refugiados de Ruanda em 1994,
o ataque à AMIA na Argentina em 1994, na Bósnia
em 1992, o terremoto na República da Geórgia em
1991, a revolução na Romênia em 1989, o terremoto
na Armênia em 1988, a erupção vulcânica
em Camarões, em 1986, os terremotos do México em
1985, os refugiados dos campos no Cambodja, em 1979, e em muitas
outras ocasiões e lugares.
Muitas são as instituições independentes
que, em nome próprio, e como representantes de Israel,
contribuem diariamente com as diversas necessidades das pessoas
no mundo. Esse apoio é realmente incalculável,
especialmente levando em conta a grande variedade e as formas
de ajuda. Resgates, assistência médica, capacitação
de profissionais, implementação de programas para
desenvolvimento agrícola (inclusive no Brasil), são
alguns de tantos exemplos.
A prática médica na Bulgária, Rússia
e Bielorússia se viu beneficiada pelos esforços
da Organização Judaica Internacional de Saúde,
a qual envia constantemente profissionais médicos de primeira
categoria, que instruem o pessoal local e realizam intervenções
médicas. “Foi uma inesquecível experiência
pessoal que cumpriu todos os objetivos esperados”, disse
o professor Mervym Gotsman, ex-diretor do departamento cardiológico
do Hospital Hadassa Ein Kerem, de Jerusalém, em uma entrevista
a Judy Siegel-Itzkovich, do Jerusalem Post, após regressar
de missão na Europa Oriental.
Irit Rabinovich e Yora Wasserman, duas jovens israelenses, estabeleceram-se
no Malawi para implementar os programas de ajuda humanitária
do CAP (Chembe Aids Project) que oferece assistência médica
e trata de temas como desnutrição, educação
e conscientização sobre a Síndrome da Aids.
Também na África pode-se encontrar o professor
Dov Pasternak da Universidade Ben Gurion, que nos últimos
cinco anos implementou um novo sistema de horticultura na Nigéria
para capacitar e melhorar o duro panorama dos camponeses africanos. “Ninguém
teria imaginado um professor, judeu israelense, junto a um camponês
muçulmano africano entabulando uma amizade”, escreveu
Nahum Finkelstein num artigo publicado em junho passado, a propósito
desse projeto.
Esta nobre qualidade que tem caracterizado o Estado de Israel
desde sua fundação tem-se manifestado tão
inocente e pura que tem inclusive sofrido negativas de países
inimigos que, por perplexidade, vergonha ou um ódio irracional
que não alcança motivos, têm recusado a desinteressada
ajuda israelense. O mais recente dos exemplos foi a denegação
recebida depois do terremoto ocorrido no Irã o ano passado.
Mas apesar da atitude daquele país, é inevitável
sentir-se orgulhoso de pertencer a uma nação que
nos momentos difíceis tem as melhores intenções
de ajudar, inclusive ao mais feroz de seus inimigos.
Poderiam encher-se páginas inteiras fazendo referências
a tantas organizações humanitárias e tantos
exemplos heróicos, reflexo da benevolência de Israel,
mas o espaço é pequeno e o importante é a
mensagem: a verdadeira essência de Israel é muito
mais nobre do que reflete a imprensa internacional e é nosso
dever como judeus no mundo fazer conhecer esta verdade.
* Aliza Moreno Goldschmidt é jornalista, articulista
da Agência Judaica e escreve em espanhol. Tradução
Szyja Lorber, do jornal Visão Judaica.