O circo absurdo do presidente do Irã
Mais uma vez estamos assistindo ao circo absurdo que gira ao redor do presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad. Parece evidente que o falastrão de Teerã sabe usar com habilidade as acusações que lhe fazem invariavelmente em suas aparições públicas. Isso ficou patente na visita que fez aos Estados Unidos, para falar na ONU, no Clube Nacional de Imprensa e na Universidade de Columbia.
Não obstante, suas freqüentes ameaças de que Israel tem que ser apagado do mapa, ou suas repetidas alegações colocando em dúvida o Holocausto prosseguem cinicamente, transformando-o, já há algum tempo, num personagem perigoso da história atual, não somente no que se refere ao Estado de Israel, mas, sobretudo o perigo que o Oriente Médio e a Europa correm caso se concretize o poder que lhe possa dar uma bomba atômica, perigo esse que pode ainda estender-se a toda humanidade.
O mundo, porém, permanece calado diante das ameaças a Israel e mantém silêncio ante os perigos potenciais que o controvertido personagem cria. O que nos faz recordar períodos similares, não muito distantes, de nossa história recente. O convite que recebeu Ahmadinejad para falar na Universidade de Columbia, em Nova York, conforme se tratou de justificar o fato, estaria fundamentado na liberdade acadêmica, ou mais especificamente na liberdade de expressão, não faz mais que por em dúvida se esta é a verdadeira maneira de encarar a utilização das ditas liberdades, ou se não resulta, melhor dizendo, numa forma grotesca e absurda de interpretá-las. Seria de perguntar se acaso a dita liberdade acadêmica, ou mesmo a liberdade de expressão existem também no Irã...
Colocar num pé de igualdade os direitos de regimes obscuros, tirânicos e atrasados como o do Irã, com os de muitos outros países democráticos do mundo, é uma atitude que revolta o cidadão comum, causando incredulidade e outros sentimentos mais que não devem deixar de ser expressos. A dúvida é como fazer para que a este tipo de ideologias sejam fechadas as portas do mundo civilizado, antes que se lhes abram outras novas. Ou talvez, ao invés de tratar de entender os funestos argumentos que as mesmas traduzem, organizar de uma vez por todas, a forma de combatê-las, antes que seja demasiado tarde...
Contudo, se houve um lado ruim nesse convite, também aconteceu algo de bom. Lá, Ahmadinejad acostumado à imprensa e universidades amordaçadas e controladas teve que ouvir em alto e bom som as palavras nem um pouco agradáveis — verdades muito bem ditas, diga-se de passagem — do presidente da Universidade de Columbia, encarregado de apresentar o presidente iraniano: "Você é um provocador descarado ou espantosamente ignorante"! O jornal Visão Judaica foi buscar a transcrição do texto do professor, e a fala de Ahmadinejad, traduziu-as e as condensou, extraindo o que de real interesse há para os seus leitores, os quais poderão lê-las com exclusividade nas páginas desta edição. Com todas as críticas que alguém pode receber diante da manipulação tendenciosa da liberdade acadêmica, não deixam de ter grande destaque as palavras pronunciadas por Lee Bollinger que, além disso, observou que Ahmadinejad se comporta como um "ditador insignificante e cruel". Frases interessantes para serem repetidas em cada lugar onde ele se fizer presente.
A Redação