Ao completar-se mais um ano do atentado terrorista contra a Amia, o Centro Simon Wiesenthal repudiou o conteúdo do informe “O processo Amia do início até a atualidade”, publicado no website em espanhol da agencia estatal de noticias do Irã, a Irna. O documento apresenta a versão iraniana sobre as responsabilidades no atentado terrorista que teve lugar em Buenos Aires, em 18/7/1994 e que resultou na morte de 85 pessoas.
“A linguagem e o conteúdo deste informe apresentam uma visão conspiratória que remete diretamente aos infames ‘Protocolos dos Sábios de Sião’, o libelo anti-semita que descreve um suposto plano judaico para dominar o mundo e que desde sua publicação em 1905 tornou-se a Bíblia do anti-semitismo contemporâneo”, assinalou Shimon Samuels, diretor de Relações Internacionais do Centro Wiesenthal.
Para exemplo ilustrativo, o Centro destacou os seguintes pontos do informe:
— “Os acontecimentos posteriores referentes ao caso Amia (…) demonstra (m) em seu conjunto a existência de uma conspiração premeditada na qual se divisa o papel do sionismo internacional e seus agentes argentinos”.
— “O governo argentino enfrentava a (…) presunção de que alguns altos membros do governo e a judiciário tivessem falsificado totalmente provas a favor dos sionistas”.
— “Depois da viagem de Néstor Kirchner, atual presidente da Argentina, aos Estados Unidos e seu encontro com 12 grupos e associações judaicas norte-americanas em 2003, ele, que teve muito em conta as observações do governo argentino para conseguir ajuda financeira, comprometeu-se a fechar o expediente segundo o gosto dos sionistas”.
— “Em vista disso, deu força à suspeita de que as explosões fossem na realidade uma trama premeditada na qual participariam alguns responsáveis pelo governo e do judiciário da Argentina, em concomitância com os foros sionistas”.
— “Entre os grupos que estão fazendo um prosseguimento do caso encontram-se (…) o Centro de Estudos Jurídicos e Sociais [numa aparente alusão ao Centro de Estudos Legais e Sociais – CELS], que é uma instituição influente sionista”. Mais adiante, descreve a Memória Ativa como “a ONG judaica com sede nos EUA”.
— “Deve-se ter presente que o governo argentino tem uma capacidade limitada para resistir aos lobbyes (sic) sionistas”.
“O informe pega alguns dados reais isolados para realizar uma construção retórica e propagandística orientada para o encobrimento. O despacho do promotor Alberto Nisman assinala responsabilidades muito claras por parte de ex-membros do governo do Irã e da cúpula do Hezbolá na realização do atentado contra a Amia”, acrescentou Sérgio Widder, representante para a América Latina do Centro Wiesenthal.
“Neste novo aniversário do atentado contra a Amia, formulamos um chamamento para que se redobrem os esforços internacionais para que os responsáveis desse ataque sejam levados à Justiça e para que Irã e o Hezbolá prestem contas diante dos tribunais por suas atividades terroristas. Trata-se de uma dívida pendente com as vítimas, com seus familiares, com a sociedade argentina e com a comunidade internacional”, concluiu.