O simbolismo dos vitrais da Sinagoga do Beit Chabad de Curitiba


 

Os vitrais da nova Sinagoga do Beit Chabad de Curitiba têm chamado bastante a atenção pelo seu simbolismo, beleza e cor. Dois artistas locais participaram na produção da obra. A criação, o desenho, as cores e o projeto são do artista plástico Sérgio Segall. A execução é do especialista em vitrais Adoaldo Lenzi, conhecido por ser autor de centenas de outras obras. Os vitrais ilustram as “Doze tribos de Israel” – há um vitral para cada tribo.
O pintor Sérgio Segall fez para o Visão Judaica uma breve descrição dos símbolos dos vitrais da Sinagoga. Iniciou explicando que ao morrer, Abraão, seu filho Isaac mostra uma leal preocupação pela solidariedade tribal, insistindo que seu próprio filho mais moço, Jacó, case com parentes a fim de não romper com os laços de família. Das esposas de Jacó, Léa e Raquel, e de suas servas nascem doze filhos: Rubem, Simão, Levi, Judá, Issachar, Zebulun, Dan, Naftali, Gad, Asher, José, Benjamin. Seus descendentes formam as tribos de Israel.
Tribos e vitrais
I – Rubem, o primeiro filho de Jacó é simbolizado no vitral por uma queda de água, que ilustra frase de Jacó na sua fase final da vida: “Rubem, és instável e inquieto como as águas, não serás mais especial e perderás tuas vantagens (a primogenitura)” (Gen. 49:4). O ramo de lírios simboliza o gesto amoroso de Rubem pela sua mãe “...e foi Rubem, nos dias da ceifa do trigo e encontrou jasmins no campo e os trouxe a Léa...” (Gen. 30:14) Mais tarde Rubem salvará a vida de José (Gen.. 37:21, 22).
II – Simão, segundo filho de Jacó, foi deserdado, junto com Levi, por terem massacrado os moradores de Shechem, em um ato de vingança pela ofensa do príncipe de Shechem a Dina, irmã de Simão (Gen. 34:24,31). O Símbolo da tribo de Simão é a ilustração de fortificações espalhadas ao longo do território de Israel (Gen. 49:7).
III – Levi, o terceiro filho de Jacó, participou junto com Simão do massacre de Shechem e também foi punido e deserdado. Porém, depois de diversos episódios e demonstrações de fidelidade às leis, respeito aos seus irmãos e arrependimento, seus descendentes foram considerados dignos para os serviços religiosos (Deut. 33:10); e aptos para abençoar o povo de Israel e o uso do peitoral sacerdotal.
IV – Judá, é o quarto filho de Jacó. Os pecados de Rubem, Simão e Levi, fizeram com que Judá assumisse a honra e os privilégios da primogenitura dos filhos de Israel (Gen. 49:8, 9, 10) tornando-se digno de todos os emblemas e símbolos do poder: a vara de comando, a coroa e o manto real. A coragem do leão se associa a esta tribo pela intensa defesa das conquistas de Israel.
V – Issachar é o quinto filho que Jacó teve da sua mulher Léa. A frase de Jacó em Gen. 49:14-15 é a base da ilustração do vitral: “...Issachar, jumento de ossos fortes, instalado entre os alforjes. Porém, ele viu que o descanso (Shabat) era bom e a terra muito agradável. E deixou seu ombro para a carga, servindo com dedicação para o trabalho e o estudo...”
VI – Zebulun, nome do sexto filho com sua esposa Léa. Em Gen. 49-13, Jacó abençoa Zebulun: “...Zebulun assentará no litoral; ele será um porto para navios; suas fronteiras alcançaram Sidon...” (O nome Zebulun é associado ao nome Issachar por Moisés em Deut. 33:18).
VII – Dan, disse Jacó, na sua bênção, Gen. 49:16, 17, 18: “... Dan lutará, e julgará por seu povo, como qualquer uma das tribos de Israel. 17) Que Dan seja um serpente na estrada, uma cobra no caminho, mordendo o calcanhar do cavalo, de modo que o cavaleiro caia para trás...” (Sansão, o eminente juiz da tribo de Dan, está representado por duas mãos que derrubam as colunas do templo filisteu, onde morreu junto com seus opressores).
VIII – Naftali é o segundo filho que lhe deu sua escrava Bila. Raquel deu-lhe este nome porque havia pelejado com D-us em oração para alcançar filhos (Gen. 30:8). Jacó abençoa-o e prediz em Gen. 49:21 “... Naftali, gazela livre; ele comunica e é portador de belas palavras...” (A gazela simboliza também o serviço de correios do Estado de Israel).
IX – Gad, ao nascer foi abençoado pela mãe (Gen.30:11) com a frase: “E veio ventura!”, daí seu nome. Jacó profetizou em Gen. 49:19 “... Invasores farão uma incursão em Gad, mas eles voltarão pelos mesmos caminhos...” Mais tarde Moisés dirá (Deut. 33:20) “... Bendito aquele que aumentar o território de Gad para o Oriente...” (Gad sempre será bem sucedido nas suas conquistas das terras do Oeste de Israel simbolizado por uma mão em gesto de Bênção).
X – Asher. O vitral dessa tribo é ilustrado por uma menorá, simbolizando o azeite que era utilizado para acender as luzes dos templos e palácios. Jacó disse em Gen. 49:20 “... De  Asher virão os mais ricos alimentos: dignas delícias próprias para o rei...” Moisés abençoa Asher assim: (Deut. 33:24) “... Seja amado de seus irmãos, e molhe em azeite o seu pé...”
XI – José, undécimo filho de Jacó e o mais velho de Raquel. Para José seu pai disse: Gen. 49:26 “... que a bênção do teu pai se acrescente às dos meus pais, durando tanto quanto as eternas montanhas. Que elas sejam para a cabeça de José, para a fronte do eleito de seus irmãos...”
Uma ilustração no vitral tenta simbolizar o encontro de Jacó com os filhos de José, Efraim e Menassé, Gen. 48:8, 9 “... Israel viu os filhos de José. “Quem são eles” – ele perguntou. 9) “Eles são os filhos que D-us me deu aqui”, respondeu José a seu pai. “Por favor, traze-os para mim”, disse Jacó. “Eu lhes darei uma bênção”. (Foi quando propositalmente Jacó cruzou os braços para que a mão direita pousasse na cabeça de Efraim).
XII – Benjamim, nome do filho mais moço dos doze filhos de Jacó. Sendo ele o último de Jacó, e pelas circunstâncias de seu nascimento e a morte de Raquel, tornou-se peculiarmente querido do seu pai. (Gen. 49:27) “... Benjamin é um lobo indócil. Ele come uma porção pela manhã e divide sua presa à tarde...”.
Moisés, em Deut. 33:12, dirá assim: “... Benjamim, aquele amado de D-us morará em segurança, junto a ele. O Eterno o protegerá para sempre, e entre os ombros (abaixo do cume) do monte habitará o Santuário (Beit Hamikdash)...”