Diáspora - Judeus de diferentes regiões têm mesmo  DNA dos ancestrais do Oriente Médio




 
A professora.Sônia Blommfeld foi a convidada da B’nai B’rith do Brasil para falar sobre ‘Diáspora: ontem, hoje e amanhã’, tema do Concurso Fábio Dorf 2006, promovido pelo quarto ano consecutivo pela B’nai B’rith para todas as escolas judaicas de educação formal do Brasil.
Em sua análise, a docente da Universidade Nacional de Brasília, destacou as informações resultantes das pesquisas genéticas, como a de que o DNA dos judeus, ashkenazim (provenientes da Alemanha e Europa Oriental) e dos sefaradim, (originários da Península Ibérica, expulsos pela Inquisição) é o mesmo, correspondendo a ancestrais que viveram três mil anos atrás no Oriente Médio. E, ainda mais interessante: o DNA que mais se assemelha ao dos judeus é o dos palestinos.
Hoje estão em andamento dois grandes projetos envolvendo a análise de DNA, coordenados pelo Yad Vashem (Museu do Holocausto) de Jerusalém, que está solicitando aos judeus de todo o mundo que enviem o seu material genético para a formação de um banco genético.
A diferença conceitual entre diáspora (dispersão) e galut (exílio) foi abordada pela conferencista, ao falar da destruição do 2º Templo de Jerusalém, e a expulsão dos judeus pelos romanos em 70 d.e.c, quando teve início a Diáspora e, com ela o surgimento do judaísmo rabínico, das sinagogas, e da normatização da legislação judaica.
No entanto, ela destacou que “é preciso lembrar a presença constante dos judeus na terra de Israel, mesmo após este período, seja de camponeses, seja decorrente da constante migração de judeus da Europa e de outros países do Oriente Médio, em geral por questões religiosas”. E acrescentou que no século XVI, por exemplo, Safed se tornou um importante centro religioso e espiritual, suplantando Jerusalém (de onde, de tempos em tempos, os judeus eram expulsos novamente).
Em relação à trajetória das comunidades judaicas da Diáspora há diversos momentos importantes a ressaltar. Um deles é a haskalá, uma verdadeira ‘revolução’ nos usos e costumes dos judeus, em decorrência dos novos conceitos trazidos pelo iluminismo europeu, e pela Revolução Francesa, com o surgimento da idéia de Estado-Nação, de cidadania, e de que as pessoas irmanadas em seus ancestrais míticos ou físicos deveriam ter seu estado, ou seja, nasce a idéia da ‘nação judaica’.
Para os judeus, em especial a partir da França, teve início esse movimento de modernização da religião, uma adaptação aos novos tempos, com ênfase na educação laica, e nos idiomas das regiões em que viviam, e no hebraico, em detrimento do iídiche, que passa a figurar em canções e peças de teatro, enfim, maior inserção na vida local.
Paralelamente à liberdade, igualdade e fraternidade, preconizada pela Revolução Francesa, surge também a concepção moderna de racismo.
A participação dos judeus nas mudanças dos séculos XIX e XX foi intensa, a ponto de sugerir que estes seriam muito mais numerosos do que são na realidade.
Outras questões abordadas na palestra foram, a Diáspora frente ao recrudescimento do anti-semitismo, o uso de falsificações como os ‘Protocolos dos Sábios de Sião’, e de mentiras sobre usos e costumes judaicos que tem sido explorado pelos meios de comunicação, em especial pelas TVs árabes, que possuem cada vez mais penetração no mundo ocidental, que têm sido difundidos nas escolas, universidades, entre políticos e formadores de opinião em geral.
A palestra foi encerrada com um filme, mostrando a importância do tripé: povo, terra e Torá, destacado pela professora Sônia como resposta à crescente perda da identidade judaica nos dias de hoje.