O embaixador israelense nas Nações Unidas, Dan Gillerman há pouco foi citada dizendo, "Quando você dorme com um míssil, você pode não acordar". Ele então perguntou quando foi a última vez que o Hezbolá se desculpou por qualquer dano causado a civis israelenses. A resposta é conhecida de todos nós — nunca.
Talvez estas difíceis batalhas contra o Hezbolá no norte, o Hamas no sul, e a prevenção de ataques terroristas em nossas cidades não seja tanto sobre onde nós lutamos, mas sim contra o que nós lutamos. Isto é especialmente difícil de ser guardado na memória depois da tragédia em Kfar Qana, mas é muito mais importante lembrar agora do que nunca.
Na sexta-feira 28/7, o Hezbolá lançou foguetes Katyushas em Nahariya e atingiu um hospital. Só pela graça de D-us e do poder do exército em pensar adiante, pôde o hospital ser previamente evacuado, e apesar de pesados danos ao edifício, não ocorreu nenhuma perda de vida.
Mas não houve nenhum milagre em Kfar Qana aquela semana. Há mais de cinco dias, o exército israelense advertiu os residentes para deixarem as áreas das vilas. Imagens de satélite tornadas públicas pelo exército israelense mostravam claramente o que todos residentes de Kfar Qana não poderiam ter evitado saber — que o Hezbolá estava usando sua aldeia como área de lançamento para pelo menos 150 foguetes atirados no norte de Israel. Quando você dorme com um míssil...
Enquanto isso, as fotos do Líbano continuam saindo, o que faz a maior parte do mundo ficar com raiva e contra Israel. O que está faltando, dizem eles, é proporcionalidade. Está errado, diz o mundo, destruir um país pelas vidas de dois ou três soldados. Como sempre, o mundo está parcialmente correto — o que está faltando é proporcionalidade. A BBC continua mostrando os escombros dos edifícios bombardeados em Beirute, mas falha quando não deixa claro que eles estão centrando as suas transmissões em uma área que circunscreve aproximadamente 1% da área total de Beirute. As outras 99% permanecem intactas, porque não existem alvos do Hezbolá nelas.
Nosso governo e os políticos estão indo ao ar para explicar para o mundo por que nós fazemos o que estamos fazemos, e como o fazemos. Os comentários insultuosos de Kofi Annan de que nós atingimos uma base da ONU de propósito, no Líbano, mostra a extensão do quanto Annan tem se corrompido por suas políticas pessoais. A mídia mostra fotos do Líbano e as dezenas de milhares de libaneses procurando refúgio com pouca consideração para o fato de que mais de 300.000 israelenses também fugiram das áreas de batalha, e que mais de um milhão de outros passam dias e noites em abrigos antiaéreos.
As fotos e a atuação da mídia podem estar tirando de foco todas as mil palavras que elas pretendem representar. No final das contas, talvez, a verdade realmente esteja nas palavras, nas verdadeiras palavras que os líderes usam para descrever seus objetivos. O secretário geral do Hezbolá, Hassan Nasrallah, resumiu a batalha que nós enfrentamos em todas as frentes. "Nós descobrimos como atingir os judeus onde eles são mais vulneráveis. Os judeus amam a vida, de forma que isso é o que nós devemos tirar deles. Nós vamos vencer porque eles amam a vida e nós amamos a morte".
Nasrallah está correto quando diz que os judeus amam a vida, que nós fazemos tudo que podemos para preservar as vidas de nossa gente e daquele com quem temos que batalhar. Não são as nossas forças que escondem armas entre os civis e lançam foguetes Katyusha em cidades indiscriminadamente. Foi Israel quem advertiu os civis libaneses para deixar Kfar Qana e foi o Hezbolá que os impediu de ir. Foi Israel quem advertiu os civis para se distanciarem das bases do Hezbolá, e foi as Nações Unidas quem decidiram deixar sua base tão perto do campo do Hezbolá.
Foi o Hezbolá quem escolheu Kfar Qana como base de lançamento para esses foguetes, foi o Hezbolá que usou as casas de Kfar Qana para esconder os lançadores de míssil, e finalmente, é o Hezbolá que precisa explicar a estranha diferença de tempo entre Israel lançar mísseis nos arredores de uma casa que só desmoronou umas sete ou oito horas depois.
Mas, indiferentemente do que aconteceu em Kfar Qana, Nasrallah tem razão — nós amamos viver e eles amam a morte. Mas ele está errado na conclusão que tirou disto. Nosso amor pela vida não é o que nos torna vulneráveis, é o que nos torna invencíveis.
E na análise final, Dan Gillerman está correto: "Quando você dorme com um míssil, você pode não acordar".
* Paula R. Stern é jornalista freelance formada em Ciência Política e Economia na Universidade de Columbia. Seus artigos têm aparecido em jornais através dos Estados Unidos e Israel, bem como em numerosos websites. Ela é diretora da WritePoint Ltd, uma empresa de técnica de redação em Israel e vive em Maaleh Adumim. Seu site pessoal é www.writepoint.com Escreveu este artigo em defesa de seu país. Título original: When You Sleep With a Missile. Fonte: Arutz Sheva. Tradução: Ivan Kelner