O racismo entre nós e o genocídio em Darfur

Estamos assistindo a uma escalada da intolerância, do racismo e do anti-semitismo e não se está falando da Europa, da Argentina, nem de Porto Alegre, Rio ou São Paulo. O preconceito está grassando, de forma aberta, ou dissimulada, aqui em Curitiba. A situação não atinge só os judeus, mas ameaça também negros, homossexuais e outras minorias com a grotesca exibição do ódio cultivado na ignorância, no obscurantismo e no maniqueísmo. Semanas atrás, nas ruas da cidade, surgiram adesivos racistas, com mensagens discriminatórias e criminosas, incentivando a aversão pelo semelhante. Nas paredes da Sinagoga “Francisco Frischmann”, poucos dias antes das Grandes Festas foram rabiscadas as garatujas ”Fora judeus”.
Estes e outros fatos, como pichações e vandalismo em cemitérios judaicos, foram denunciados pelo presidente da Federação Israelita do Paraná, Isac Baril, durante a audiência pública na Assembléia Legislativa do Estado, dia 3/10, para discussão e apresentação do SOS Racismo, programa que visa combater o racismo e toda e qualquer forma de discriminação; conscientizar a população sobre as etnias e seus direitos de cidadão; contribuir para o avanço da legislação anti-racista no Paraná e no Brasil; denunciar a violência e a discriminação. Está sendo transformado em lei e vai considerar racismo toda a doutrina, ato ou ação fundamentada na superioridade de determinado grupo ou classe sobre outra, aplicada à pessoa humana, em razão de sua origem, raça, cor da pele, língua, religião, sexo, idade, deficiência física ou qualquer outra distinção que ofenda aos Direitos Humanos e aos preceitos da Constituição Federal.
Também de forma indireta o anti-semitismo tem se esgueirado em eventos culturais e/ou acadêmicos, como o realizado em Curitiba, dias 14 e 15/10, sob a singeleza de colóquio “Tributo a Edward Said - A questão das identidades culturais: mitos, conflitos e violência na Palestina", sob os auspícios da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Ao abordar a vida e obra do intelectual palestino, falecido recentemente, discute-se acerca de "Os mitos fundadores do Estado de Israel", um tema das palestras. O próprio título já denota a tentativa de negar o direito à existência de Israel. Nunca é demais recordar que Martin Luther King, ele próprio vítima do racismo odioso, disse que anti-sionismo nada mais é que o anti-semitismo moderno.
E nem bem terminou o colóquio em que Israel foi o ponto focal, realizava-se nos dias 15 e 16/10 o Congresso dos Estudantes da UFPR, com intuito de articular propostas para Reitoria e ao Conselho Universitário, relativas à problemática da universidade pública e a assuntos referentes à própria universidade. Das comissões saem algumas coisas extravagantes e abrutalhadas como, por exemplo, uma proposição pela criação do Estado palestino e pelo fim do Estado de Israel (os dois não podem coexistir?), ou
contra as cotas para negros no Brasil. Contrastando com o fato de Israel estar sempre na mira dos que aparentemente se preocupam com a violência no mundo, não se ouviu uma voz sequer, menção, proposta ou protesto pelo fato do Brasil ter assinado dias trás um acordo de cooperação com o governo do Sudão que, como se sabe, dedica-se a matar e violentar negros cristãos e negros muçulmanos em Darfur. Mais de 400 mil assassinatos e 2,5 milhões de pessoas expulsas de suas casas não comovem ninguém. Por que isso?

                                                                                                            A Redação