“Israel produz prêmios Nobel, os árabes homens-bomba”
Por: Farid Ghadry *

As notícias de que dois cientistas israelenses, junto com um americano ganharam o Prêmio de Nobel de Química, deveriam ser lidas com interesse no mundo árabe.

Esta conquista diz muito sobre a situação do Oriente Médio. Enquanto Israel constrói seu futuro com laureados do Nobel, o mundo árabe se satisfaz com suicidas-bomba.

Desde o começo do Estado de Israel, os árabes tinham esta noção romântica de que por intermédio de guerras e de vingança nós poderíamos retornar ao nosso glorioso passado. É claro que eles não nos contam a que passado eles estão se referindo.

Era quando nós fomos governados pelo império otomano ou pela Inglaterra e a França?  Ou era mais, cerca de 1.300 anos atrás, quando as lanças regiam os campos de batalha? Desde antes de 1967, os árabes de todos os países — mas especialmente os da Síria, Jordânia, Líbano, e Egito — viveram essa fantasia que nós podíamos jogar os israelenses ao mar.

Com a proximidade da vitória em 1973 contra Israel, os árabes concluíram que uma perda a mais não era razão suficiente para parar e pensar.

Uma perda a mais, com tantas vidas perdidas em ambos os lados, não foi o bastante para que nós entendêssemos que a luta continuada está nos destruindo por dentro.

Mesmo depois que Anwar Sadat chegou a compreender o valor de paz e a coexistência, parecia que cada vez mais as nossas energias eram desviadas para a destruição.

A queda da União Soviética, o aliado de longa data do mundo árabe, parecia nos estimular à procura da justiça com o cano de uma arma ao invés da compreensão pragmática.

Os Acordos de Oslo produziram um Israel disposto e expuseram palestinos enganadores.  Novamente, nós assistimos como líderes árabes montaram uma campanha falaciosa para distrair nossa atenção para longe da nossa própria opressão. Nós, as obedientes ovelhas árabes, os seguimos. Nós carregamos bandeiras, contestamos, nos revoltamos, e afinal, criamos uma nova categoria de estudantes com braços fortes para lançar pedras, mas sem a educação e disciplina, sem cérebros para produzir prêmios Nobel.

Desde então, com a Intifada, um termo que verdadeiramente rejeita nosso senso de justiça, alcançamos o mais baixo ponto de nossa auto-estima. Crianças árabes que lançam pedras parecem sentir um poder invisível que não se encontra nas crianças do Estado de Israel.

Esse poder de se revoltar, em conseqüência, predispõe a uma baixa auto-estima que, inevitavelmente, ajuda a construir a mentalidade de um homem-bomba suicida.

Suicidas-bomba não sentem nada, entendem pouco, e não conseguem ver o futuro.

Eles vão em piloto automático, com o cérebro funcionando como um instrumento guiado literalmente para a autodestruição como pessoa e contra a sociedade que os desenvolveu. Suicidas-bomba representam o mais baixo nível da nossa auto-estima como árabes decadentes.

Nós estamos numa Intifada, e é como somos vistos pelos olhos dos israelenses laureados com o Nobel.
Nós como povo do Oriente Médio, estamos morrendo, e ainda assim não podemos sentir isto. Alcançamos o fundo do poço e nada fazemos para perceber isso.

Por causa dos regimes opressivos que não nos dão nenhuma chance de pensar por nós mesmos, não temos esperança, nem futuro e, certamente, nenhum Prêmio Nobel de Ciência espera por nós. O que muito poucas pessoas sabem é que uma Intifada também é atribuída como sendo o último movimento de um corpo humano ante a morte.

Pode isso ser entendido que a Intifada é o verdadeiro símbolo de uma luta já deveria ter terminado há muito tempo? Todos os árabes estão numa Intifada, mesmo que ainda vivos não se movam verdadeiramente como cidadãos do mundo.
Toda vez os ba'athistas sírios pedem resistência armada, secretamente apóiam grupos como Hezbollah e Hamas, e fazem propaganda da unidade árabe, nós ficamos mais distantes e caímos no esquecimento. O engraçado é que muito poucos árabes se preocupam entender porque nós não temos prêmios Nobel.

Eles culpam o Imperialismo e o Sionismo. Nas suas mentes, sem essas duas forças, poderíamos estar arrematando esses prêmios Nobel.

Assim, enquanto Israel sobrevive às Intifadas, guerras, ódio, e determinações árabes opressivas, nós os árabes, devemos acordar.

Se continuarmos com as mesmas políticas que nos levaram ao mais baixo ponto de nossa história (Asr al-Inhitat ou Era de Desespero ao invés de Asr al-Jahyliah ou Era de Ignorância, que precedeu o Profeta o Maomé), nós só perderemos.
Se escutarmos nossos governantes, estaremos sempre ajoelhados à margem, vendo prêmios Nobel produzidos pelo Oriente Médio — mas não por nós ou para nós.

* Farid Ghadry é presidente do Partido da Reforma da Síria. Os prêmios Nobel a que ele se refere são do ano 2004.