A ditadura do relativismo
Por: Edda Bergmann*

Na encíclica “Vertatis Splenda”, João Paulo II ilumina a verdade profunda dos fatos e ao mesmo tempo defende aquilo que está no DNA da raça humana, a liberdade.

Adverte para a decadência, no sentido moral na sociedade e suas conseqüências dramáticas para a democracia.
“Uma democracia sem valores se transforma com facilidade num totalitarismo visível ou encoberto”.

A origem do totalitarismo moderno deve ser vista na negação da dignidade transcendental da pessoa, sujeito natural de direitos que ninguém pode violar, nem o indivíduo, nem a família, nem o Estado, nem a sociedade, nem a nação.
Trata-se de uma vibrante defesa da liberdade dos direitos humanos.

A democracia é sem dúvida de todos os regimes, o melhor e mais adequado ao Gênero humano e à dignidade da pessoa.
Por isso, não obstante a força do marketing, que apóia certas campanhas contra a vida, (como os atentados suicidas, por exemplo) e todo o envolvimento do Islã de que a vida não é um valor definitivo e muito menos relativo. De que a vida não é algo ligado à Divindade, ou a valores transcendentais, mas apenas um instrumento para a morte e para eliminar o maior número possível de seres humanos sobre a face da Terra, para que eles não tenham o direito de ver a luz de um novo dia.
Enviando e reenviando os Senhores da Vida, os donos do direito à vida ou à morte, os donos absolutos da humanidade que deixa de ser pensante e deixa de ter o livre arbítrio, pois deixa de ter acesso à avaliação do pensamento individual ou coletivo.

A democracia é sem dúvida o regime que melhor funciona, é o sistema que mais genuinamente respeita a dignidade da pessoa humana.

Qualquer construção democrática autêntica e não apenas de fachada reclama os alicerces da Lei natural, desviada e transgredida pelo Islã.

Por isso, não obstante a força do marketing que apóia certas campanhas contra a vida é preocupante o veneno antidemocrático que está no fundo de certos slogans de governos.

Não se compreende de que modo teremos uma sociedade mais justa e digna para seres humanos, pela organização da morte de outros seres humanos, igualmente vivos.

Os argumentos esgrimidos em defesa dessas ações, alguns cruéis, outros carregados de eufemismo, não conseguem ocultar o desrespeito ao primeiro direito humano fundamental, base da sociedade democrática “o direito à vida”.
A vida deixa de ser um fato sagrado. Converte-se simplesmente numa realidade utilitária.
Existe uma forte conexão entre liberdade e verdade. É a síntese. Só na verdade a liberdade tem um caráter humano e responsável.

Muitos se conformam com uma consideração superficial desse conceito: a liberdade sugere-lhes simples espontaneidade, consciência de compromissos, e isso já lhes é suficiente.

Uma das doenças culturais do nosso tempo é contrapor verdade e liberdade. E as convicções enraigadas e não passíveis de discussão, ou de aprimoramento, não passíveis de análise ou pensamentos contrários, levam ao estigma do fundamentalismo.

Supõe-se em nome da liberdade o dogma do relativismo.
Trata-se da intolerância dos tolerantes, se é que isso é viável no pensamento humano, que obviamente conspira contra o sadio pluralismo democrático.

A ditadura do relativismo é um dos grandes desvios da cultura contemporânea.
Não há valores absolutos, não há uma linguagem que a verdade não possa alcançar.

Qualquer pessoa sensata é capaz de intuir que os estragos causados pelo fundamentalismo são dramaticamente evidentes.
Na verdade ele está na curva de espiral da violência, e insensatez que diariamente, vai esgotando as relações humanas.
Aí nos deparamos com o urgente desafio ético de congregar liberdade e verdade e alcançar um mundo mais humano e mais condizente com as raízes e a sobrevivência da humanidade.

Uma humanidade pensante que não pode e não deve servir de manobra e de bala de canhão para mentes doentias, portadoras de divulgadores de doutrinas superadas e em controvérsias e choque com tudo o que representa valores transcendentais para a humanidade.

Valores que são de todos nós que pertencem ao gênero humano e que não podem e não devem ser desvirtuados, cancelados ou desrespeitados por algumas mentes doentias de uma retaguarda que já foi há tempo superada pela humanidade pensante.

A volta ao obscurantismo é uma negação da vida e do progresso de Nação e pensamentos desatualizados, desumanos e retrógrados e condenáveis.

* Edda Bergmann é vice-presidente Internacional da B’nai B’rith.