Tiberias (Galiléia)
Por: Antonio Carlos Coelho*
Há muito que estou escrevendo sobre Jerusalém e seus arredores. Mas temos muitos lugares de importância em Israel que merecem ser tratados nesta nossa coluna. O Kineret, Mar da Galiléia ou ainda, Lago de Genesaré, tem em torno de si inúmeras cidades e locais de visita obrigatória para quem vai a Israel. A região do Kineret, centro da Galiléia, é do interesse tanto de judeus que visitam a região por sua beleza natural, por seus spas excepcionais, por seus locais históricos e religiosos, como para cristãos que encontram a maior parte dos locais citados no Testamento Cristão.
Tiberias é um importante centro populacional, econômico e histórico da Galiléia. Possui muitos hotéis, restaurantes, kibutzim, hotéis de excelente qualidade e locais de recreação aquática que motivam a presença de muitos turistas.
Quem rapidamente visita essa cidade não imagina que ela tenha sido um dos mais importantes centros da vida espiritual e política de Israel. Tiberias está situada na região que, nos tempos bíblicos, foi dada por herança a Naftali, patriarca de uma das 12 tribos de Israel. Durante o período do Segundo Templo, foi sede do Sanhedrim – Suprema Corte – que tinha se transferido de Sephoris. Em Tiberias viveu Yehuda Ha-Nasi, responsável pela compilação final da Mishná e que presidiu o Sanhedrim após a destruição do Templo. Ali, também foram elaborados boa parte dos comentários da Mishná e do Talmude, o que confirma o valor cultural da cidade que, ironicamente, recebeu o nome em homenagem ao imperador romano Tibério.
Tiberias reservou um lugar para os sábios. Nela repousam Maimônides, o maior sábio judeu, Rabbi Akiva, exegeta e estudioso da Halachá (Legislação) e, provavelmente, Yochanan Ben Zakkai, conhecido pela sua sabedoria e por ter formado gerações de estudiosos, também esteja enterrado na cidade.
Tiberias também foi importante centro dos judeus samaritanos. No século 4, os cruzados a transformaram na capital da Galiléia. Em 1187, ocupada pelo exército de Saladino e integrada ao império muçulmano, perdeu a sua importância, só recuperando-a durante o domínio otomano em Israel.
Após a Primeira Guerra Mundial, com a ocupação inglesa, Tiberias tornou-se um importante centro sionista. Imigrantes vindos da Europa (principalmente do Leste Europeu) se fixaram na região estabelecendo os primeiros kibutzim, colônias agrícolas organizadas no modelo socialista trazido da Rússia que, por muito tempo, foram o esteio da economia do Estado de Israel.
Muito próximo a Teberias, ao norte, está localizado o Kibutz Ginosar, onde morou Igal Allon, um dos mais representativos políticos de Israel. Há, no kibutz, um museu dedicado a sua vida e à história da região norte de Israel. Ao sul de Tiberias temos o Kibutz Degania Aleph, o primeiro criado em Israel (1909). Vizinho a ele está o Degania Bet, construído em 1920. Moshe Dayan, militar que comandou tantas e importantes ações militares, um dos responsáveis pela unificação de Jerusalém em 1967, nasceu no Degania Bet. Também Levi Eshkol, ex-primeiro-ministro de Israel, foi um dos ilustres membros desse kibutz.
Visitar Tiberias e seus arredores possibilita o reencontro com um passado glorioso da história judaica, tanto sob o aspecto da vida religiosa como o da política. Em Tiberias o judaísmo deu os primeiros passos para a sua universalização, foi dali que o espírito sionista manifestou sua força e, também, nos seus arredores se fixaram os primeiros kibutzim, berços do espírito do Novo Estado de Israel.
* Antonio Carlos Coelho é professor, colaborador do jornal Visão Judaica e diretor do Instituto Ciência e Fé.
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