Por:José
Roitberg*
A Cerca de Segurança é formada por
várias seções ao longo de centenas de quilômetros.
Algumas partes são de concreto, outras de metal. A barreira
tem três estágios de profundidade, quatro metros
de altura e é cercada por moderno arame farpado. Em torno
dela a área é iluminada por potentes refletores,
monitorada por câmeras de vídeo, por
detectores eletrônicos de movimento e detectores magnéticos.
A cerca é patrulhada por soldados a pé, com cães
e em veículos militares e policiais blindados e armados.
O apoio aéreo de helicópteros é questão
de minutos.
Bem, isso é o suficiente para ser dito sobre a cerca mexicana.
Vamos tratar um pouco sobre a israelense. Faz um ano que o Governo
de Israel decidiu construir a cerca e há poucas semanas
ficaram prontos os primeiros 150 km. Outras partes do projeto
estão em várias fases de execução.
Quando completada, ela marcará praticamente toda a fronteira
entre Israel e o futuro Estado palestino, e esse é o problema.
A discussão não é sobre a praticidade, efetividade
ou legitimidade da cerca. Israel está tentando regular
o fluxo de terroristas para dentro de seu país construindo
uma barreira. Sistemas semelhantes já funcionam há
anos ao redor da Faixa de Gaza e na fronteira com o Líbano
e não se mostraram intransponíveis.
A cerca americana, construída em 1991, visa a impedir apenas
a entrada de imigrantes ilegais e de drogas vindas do México,
o que também não consegue fazer. Imagine qual seria
o rigor americano se a cerca tivesse que deter pessoas vindas
de um país vizinho com a intenção de explodir
ônibus americanos, shopping centers, templos e escolas em
nome de uma anexação ilegal do Texas mexicano feito
pelos "imperialistas americanos" de 150 anos atrás,
após uma guerra entre os dois países, para deter
criminosos mexicanos que atacavam as cidades americanas?
Os palestinos têm adjetivado a cerca com: "cerca do
apartheid", "limpeza étnica", "terrorismo"
e até mesmo de forma absurda como o "Muro de Berlim"
que foi construído para manter as pessoas dentro da Alemanha
Oriental e não para impedir que os alemães
ocidentais atacassem a república comunista. Os palestinos
acusam Israel de restringir sua movimentação (mas
não dentro do futuro Estado palestino). Os 150 km concluídos
possuem 41 acessos ou seja, um a cada 3,6 km. A cerca entre os
Estados Unidos e o México possui um acesso cada 80 km.
Mas os palestinos estão sendo completamente coerentes com
toda a liderança árabe desde antes de 1948: o Estado
de Israel não existe, portanto não pode estabelecer
suas fronteiras. São apenas judeus sionistas usurpando
terras sagradas do Islã. Colocar o concreto e o arame no
chão é marcar de forma definitiva que este lado
é Israel e aquele lado não é. Como a intenção
dos movimentos de libertação da Palestina, laicos,
cristãos, de esquerda ou islâmicos é a libertação
de todo o território com a eliminação do
Estado de Israel, uma fronteira sólida é a pior
situação que eles podem enfrentar. Pior que
uma guerra.
Como qualquer muro ou cerca, esta também pode cair quando
a situação política permitir. Agora cabe
aos árabes recusar a criação do Estado palestino
por causa da demarcação de fronteiras e não
declarar sua independência como ocorreu em 1948. Cabe aos
árabes continuar a fomentar o imaginário coletivo
de seus povos com o dia em que os judeus serão novamente
expulsos de Israel.
* José Roitberg é jornalista e edita
a Mídia Judaica Independente