Visão Judaica - Edição N° 18
:. Judeu não podem ter cercas .:

Por:José Roitberg*

A Cerca de Segurança é formada por várias seções ao longo de centenas de quilômetros. Algumas partes são de concreto, outras de metal. A barreira tem três estágios de profundidade, quatro metros de altura e é cercada por moderno arame farpado. Em torno dela a área é iluminada por potentes refletores, monitorada por câmeras de vídeo, por
detectores eletrônicos de movimento e detectores magnéticos. A cerca é patrulhada por soldados a pé, com cães e em veículos militares e policiais blindados e armados. O apoio aéreo de helicópteros é questão de minutos.
Bem, isso é o suficiente para ser dito sobre a cerca mexicana. Vamos tratar um pouco sobre a israelense. Faz um ano que o Governo de Israel decidiu construir a cerca e há poucas semanas ficaram prontos os primeiros 150 km. Outras partes do projeto estão em várias fases de execução. Quando completada, ela marcará praticamente toda a fronteira entre Israel e o futuro Estado palestino, e esse é o problema.
A discussão não é sobre a praticidade, efetividade ou legitimidade da cerca. Israel está tentando regular o fluxo de terroristas para dentro de seu país construindo uma barreira. Sistemas semelhantes já funcionam há anos ao redor da Faixa de Gaza e na fronteira com o Líbano e não se mostraram intransponíveis.
A cerca americana, construída em 1991, visa a impedir apenas a entrada de imigrantes ilegais e de drogas vindas do México, o que também não consegue fazer. Imagine qual seria o rigor americano se a cerca tivesse que deter pessoas vindas de um país vizinho com a intenção de explodir ônibus americanos, shopping centers, templos e escolas em nome de uma anexação ilegal do Texas mexicano feito pelos "imperialistas americanos" de 150 anos atrás, após uma guerra entre os dois países, para deter criminosos mexicanos que atacavam as cidades americanas?
Os palestinos têm adjetivado a cerca com: "cerca do apartheid", "limpeza étnica", "terrorismo" e até mesmo de forma absurda como o "Muro de Berlim" que foi construído para manter as pessoas dentro da Alemanha Oriental e não para impedir que os alemães
ocidentais atacassem a república comunista. Os palestinos acusam Israel de restringir sua movimentação (mas não dentro do futuro Estado palestino). Os 150 km concluídos possuem 41 acessos ou seja, um a cada 3,6 km. A cerca entre os Estados Unidos e o México possui um acesso cada 80 km.
Mas os palestinos estão sendo completamente coerentes com toda a liderança árabe desde antes de 1948: o Estado de Israel não existe, portanto não pode estabelecer suas fronteiras. São apenas judeus sionistas usurpando terras sagradas do Islã. Colocar o concreto e o arame no chão é marcar de forma definitiva que este lado é Israel e aquele lado não é. Como a intenção dos movimentos de libertação da Palestina, laicos, cristãos, de esquerda ou islâmicos é a libertação de todo o território com a eliminação do Estado de Israel, uma fronteira sólida é a pior situação que eles podem enfrentar. Pior que
uma guerra.
Como qualquer muro ou cerca, esta também pode cair quando a situação política permitir. Agora cabe aos árabes recusar a criação do Estado palestino por causa da demarcação de fronteiras e não declarar sua independência como ocorreu em 1948. Cabe aos árabes continuar a fomentar o imaginário coletivo de seus povos com o dia em que os judeus serão novamente expulsos de Israel.

* José Roitberg é jornalista e edita a Mídia Judaica Independente

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