Em pleno século 21 ainda há quem acredite que os
judeus têm mania de perseguição. Só
os que não conhecem a história pensam assim. Para
se ter uma idéia pelo que o povo de Israel passou - e ainda
passa - vejamos como, ao longo do século passado, os judeus
têm sido vítimas de acusações infundadas:
Os bolcheviques antes, durante e depois da Revolução
Russa diziam: os judeus representam o capitalismo ocidental. Já
os turcos no início da 1ª Guerra Mundial, depois da
qual o Império Otomano que dominava os povos árabes
foi destruído, diziam que os sionistas eram aliados dos
conspiradores árabes.
Desde o surgimento do partido nazista, para os alemães,
os judeus eram agentes do comunismo internacional e ao mesmo tempo
do capitalismo. Durante o processo de 1947-48 que culminou com
a partilha da Palestina, os árabes acusavam os sionistas
de serem a ponta de lança da conspiração
comunista no Oriente Médio. Por sua vez, os partidos de
esquerda desde a Guerra Fria afirmavam que Israel era a ponta
de lança do capitalismo ocidental no Oriente Médio.
Para a ONU, na década de 70, imposta por votação
do bloco
árabe/soviético/não-alinhado - e depois derrubada
- o sionismo era racismo. E para o Hamas em 1983 e depois adotado
pela propaganda árabe/islâmica o sionismo é
igual ao nazismo. Há mais: Para os atuais partidos de esquerda
Israel é o títere do imperialismo dos Estados Unidos
e o sionismo é pior que o nazismo. Tudo isso só
no século 20!
Mas aqui no Brasil também temos nossas mazelas. De todo
o histórico julgamento concluído no mês passado
pelo Supremo Tribunal Federal restou uma ferida aberta: o voto
dado pelo ministro Carlos Ayres de Britto, um petista nomeado
pelo presidente Lula para o STF. No episódio lamentável
ele mostrou distanciamento da doutrina do PT em defesa das minorias.
O ministro Britto manifestou-se favorável à anulação
da condenação de Siegfried Ellwanger, um editor
que publicou diversos livros anti-semitas no Rio Grande do Sul.
Com isso, contestou a defesa dos direitos humanos fundamentais
e universais, que repudiam por completo qualquer tipo de racismo.
Na própria mídia - e nisso não há
uma exclusividade nacional - podemos notar corriqueiramente o
tom acusatório quando se trata do conflito do Oriente Médio.
Há poucos dias tivemos um exemplo maior: um menino brasileiro
que morava na fronteira do Líbano com Israel morreu quando
sua casa foi atingida por um foguete. Ninguém checou nada.
E checar para quê, se o culpado sempre é Israel?
Foi por isso que a poderosa Rede Globo de TV noticiou e os encarquilhados
e retrógrados do panfletário Hora do Povo "pintaram
e bordaram" seu preconceito e valendo-se da liberdade de
imprensa existente no Brasil, agiram com uma parcialidade criminosa
que continua impune. Cinco dias mais tarde, a Globo percebeu o
erro e corrigiu: o foguete foi disparado pelos guerrilheiros do
Hezbollah, como a ONU constatou. O foguete era um Katiusha e seu
alvo, como os demais, era Israel. Antiquados e sem precisão,
esses petardos de fabricação russa, costumam errar
muito. E foi o que aconteceu. Quando por acaso acertam o destino
e matam em Israel, no máximo o fato é noticiado
no mundo todo em uma ou duas linhas de uma pequena nota, sem nenhum
estardalhaço.
E já que tocamos no conflito, mais um primeiro-ministro
palestino - Ahmed Korei - pediu demissão. É o segundo
depois de Mahmoud Abbas que assim procede. Quantos mais serão
nomeados para logo em seguida "pedirem o boné",
até que o mundo se convença que a paz no Oriente
Médio não acontece porque Arafat não quer?
Eleito - indiretamente - em 1992, em função dos
Acordos de Oslo, seu mandato encerrou em 1996. Até hoje
não entregou o poder ao qual se agarra com unhas e dentes.
Primeiro prometeu eleições livres em janeiro deste
ano - que não aconteceram - e agora que está doente,
velho e alquebrado acena aos palestinos com a perspectiva de eleições
em abril de 2004. Será mais uma de suas manobras para se
perpetuar no poder até a morte ou desta vez sai mesmo do
cenário dando uma chance à paz? Aguardemos.
A Redação