Visão Judaica - Edição N° 18
:. Editorial- A difícil perspectiva da paz .:


Em pleno século 21 ainda há quem acredite que os judeus têm mania de perseguição. Só os que não conhecem a história pensam assim. Para se ter uma idéia pelo que o povo de Israel passou - e ainda passa - vejamos como, ao longo do século passado, os judeus têm sido vítimas de acusações infundadas: Os bolcheviques antes, durante e depois da Revolução Russa diziam: os judeus representam o capitalismo ocidental. Já os turcos no início da 1ª Guerra Mundial, depois da qual o Império Otomano que dominava os povos árabes foi destruído, diziam que os sionistas eram aliados dos conspiradores árabes.
Desde o surgimento do partido nazista, para os alemães, os judeus eram agentes do comunismo internacional e ao mesmo tempo do capitalismo. Durante o processo de 1947-48 que culminou com a partilha da Palestina, os árabes acusavam os sionistas de serem a ponta de lança da conspiração comunista no Oriente Médio. Por sua vez, os partidos de esquerda desde a Guerra Fria afirmavam que Israel era a ponta de lança do capitalismo ocidental no Oriente Médio. Para a ONU, na década de 70, imposta por votação do bloco
árabe/soviético/não-alinhado - e depois derrubada - o sionismo era racismo. E para o Hamas em 1983 e depois adotado pela propaganda árabe/islâmica o sionismo é igual ao nazismo. Há mais: Para os atuais partidos de esquerda Israel é o títere do imperialismo dos Estados Unidos e o sionismo é pior que o nazismo. Tudo isso só no século 20!
Mas aqui no Brasil também temos nossas mazelas. De todo o histórico julgamento concluído no mês passado pelo Supremo Tribunal Federal restou uma ferida aberta: o voto dado pelo ministro Carlos Ayres de Britto, um petista nomeado pelo presidente Lula para o STF. No episódio lamentável ele mostrou distanciamento da doutrina do PT em defesa das minorias. O ministro Britto manifestou-se favorável à anulação da condenação de Siegfried Ellwanger, um editor que publicou diversos livros anti-semitas no Rio Grande do Sul. Com isso, contestou a defesa dos direitos humanos fundamentais e universais, que repudiam por completo qualquer tipo de racismo.
Na própria mídia - e nisso não há uma exclusividade nacional - podemos notar corriqueiramente o tom acusatório quando se trata do conflito do Oriente Médio. Há poucos dias tivemos um exemplo maior: um menino brasileiro que morava na fronteira do Líbano com Israel morreu quando sua casa foi atingida por um foguete. Ninguém checou nada. E checar para quê, se o culpado sempre é Israel? Foi por isso que a poderosa Rede Globo de TV noticiou e os encarquilhados e retrógrados do panfletário Hora do Povo "pintaram e bordaram" seu preconceito e valendo-se da liberdade de imprensa existente no Brasil, agiram com uma parcialidade criminosa que continua impune. Cinco dias mais tarde, a Globo percebeu o erro e corrigiu: o foguete foi disparado pelos guerrilheiros do Hezbollah, como a ONU constatou. O foguete era um Katiusha e seu alvo, como os demais, era Israel. Antiquados e sem precisão, esses petardos de fabricação russa, costumam errar muito. E foi o que aconteceu. Quando por acaso acertam o destino e matam em Israel, no máximo o fato é noticiado no mundo todo em uma ou duas linhas de uma pequena nota, sem nenhum estardalhaço.
E já que tocamos no conflito, mais um primeiro-ministro palestino - Ahmed Korei - pediu demissão. É o segundo depois de Mahmoud Abbas que assim procede. Quantos mais serão nomeados para logo em seguida "pedirem o boné", até que o mundo se convença que a paz no Oriente Médio não acontece porque Arafat não quer? Eleito - indiretamente - em 1992, em função dos Acordos de Oslo, seu mandato encerrou em 1996. Até hoje não entregou o poder ao qual se agarra com unhas e dentes. Primeiro prometeu eleições livres em janeiro deste ano - que não aconteceram - e agora que está doente, velho e alquebrado acena aos palestinos com a perspectiva de eleições em abril de 2004. Será mais uma de suas manobras para se perpetuar no poder até a morte ou desta vez sai mesmo do cenário dando uma chance à paz? Aguardemos.
A Redação

 

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