Visão Judaica - Edição N°30
:. Jerusalém (16) - A cidade de Davi(2) - Fonte Gihon e Túnel de Ezequias .:

Antonio Carlos Coelho*



Na edição passada, tratamos da Jerusalém do tempo do rei Davi, situada atualmente fora dos muros da Cidade Antiga. Continuamos nesta edição falando sobre mais importantes marcas da Jerusalém primitiva.
Mais abaixo, à esquerda dos restos arqueológicos da Acrópole (ver edição anterior) encontramos parte do muro (século 8 a.e.c) que cercava a cidade jebusita conquistada pelo rei Davi. Este, construído com pedras brutas, percorre o vale chegando pouco além da Piscina Siloam. Podemos encontrar parte da torre que ladeava uma das portas da cidade. Esta porta dava acesso à fonte de água (fonte Gihon). Após o século 8, um novo muro foi construído permanecendo até a conquista de Jerusalém pelos babilônios em 586 a.e.c. (2 Reis 25:4). Sobre esse muro pode-se ter uma boa visão da vila de Silwan, situada abaixo da cidade jebusita. Foi dessa posição privilegiada que permitiu a Davi espiar a bela Bathsheba banhando-se. (2 Samuel 11:2).
Logo à esquerda, na extremidade superior da escavação do muro jebusita, encontra-se a Fonte Gihon, mencionada no Livro dos Reis em referência a unção do rei Salomão (1 Reis 1:33 -34). A fonte Gihon tinha capacidade de fornecer água para uma cidade com 2.500 habitantes. Para melhor abastecer a cidade de Jerusalém foi entalhado um túnel que conduzia a água até o interior da cidade e, ao mesmo tempo, permitia que a água chegasse às áreas de plantio próximas à cidade.
O rei Ezequias, por ocasião um ataque do rei assírio Senequerib, mandou escavar um novo canal e um reservatório (2 Reis 20:20) de água partindo do túnel do período salomônico (2 Cônicas 32:30) para evitar a interrupção do abastecimento de água a Jerusalém e também não permitir que seus inimigos encontrassem água em abundância (2 Crônicas 32:2-4). Segundo a Bíblia, Ezequias foi considerado um grande rei por essas obras (2 Reis 20:20).
Este canal, que hoje é possível ser atravessado nos seus 512 metros de extensão, por aqueles que gostam de aventuras, apresenta em seu interior inscrições em hebraico antigo relatando fatos de sua construção: as vozes dos operários que vinham do norte foram ouvidas pelos que vinham do sul e as ferramentas se encontraram, indicando assim que o túnel de Ezequias foi escavado por ambos os lados.
Há alguns anos era possível fazer a travessia do túnel de Ezequias. Hoje, acredito que não seja recomendável, pois essa aventura levará a uma aventura maior, a vila de Silwan, área reivindicada pelos palestinos.

* Antonio Carlos Coelho é professor, colaborador do jornal Visão Judaica e diretor do Instituto Ciência e Fé.

 



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