Antonio Carlos Coelho*
Na edição passada, tratamos da Jerusalém
do tempo do rei Davi, situada atualmente fora dos muros da
Cidade Antiga. Continuamos nesta edição falando
sobre mais importantes marcas da Jerusalém primitiva.
Mais abaixo, à esquerda dos restos arqueológicos
da Acrópole (ver edição anterior) encontramos
parte do muro (século 8 a.e.c) que cercava a cidade
jebusita conquistada pelo rei Davi. Este, construído
com pedras brutas, percorre o vale chegando pouco além
da Piscina Siloam. Podemos encontrar parte da torre que ladeava
uma das portas da cidade. Esta porta dava acesso à fonte
de água (fonte Gihon). Após o século 8,
um novo muro foi construído permanecendo até a
conquista de Jerusalém pelos babilônios em 586
a.e.c. (2 Reis 25:4). Sobre esse muro pode-se ter uma boa visão
da vila de Silwan, situada abaixo da cidade jebusita. Foi dessa
posição privilegiada que permitiu a Davi espiar
a bela Bathsheba banhando-se. (2 Samuel 11:2).
Logo à esquerda, na extremidade superior da escavação
do muro jebusita, encontra-se a Fonte Gihon, mencionada no
Livro dos Reis em referência a unção do
rei Salomão (1 Reis 1:33 -34). A fonte Gihon tinha capacidade
de fornecer água para uma cidade com 2.500 habitantes.
Para melhor abastecer a cidade de Jerusalém foi entalhado
um túnel que conduzia a água até o interior
da cidade e, ao mesmo tempo, permitia que a água chegasse às áreas
de plantio próximas à cidade.
O rei Ezequias, por ocasião um ataque do rei assírio
Senequerib, mandou escavar um novo canal e um reservatório
(2 Reis 20:20) de água partindo do túnel do período
salomônico (2 Cônicas 32:30) para evitar a interrupção
do abastecimento de água a Jerusalém e também
não permitir que seus inimigos encontrassem água
em abundância (2 Crônicas 32:2-4). Segundo a Bíblia,
Ezequias foi considerado um grande rei por essas obras (2 Reis
20:20).
Este canal, que hoje é possível ser atravessado
nos seus 512 metros de extensão, por aqueles que gostam
de aventuras, apresenta em seu interior inscrições
em hebraico antigo relatando fatos de sua construção:
as vozes dos operários que vinham do norte foram ouvidas
pelos que vinham do sul e as ferramentas se encontraram, indicando
assim que o túnel de Ezequias foi escavado por ambos
os lados.
Há alguns anos era possível fazer a travessia
do túnel de Ezequias. Hoje, acredito que não
seja recomendável, pois essa aventura levará a
uma aventura maior, a vila de Silwan, área reivindicada
pelos palestinos.
* Antonio Carlos Coelho é professor, colaborador do jornal
Visão Judaica e diretor do Instituto Ciência e Fé.