Visão Judaica - Edição N° 30
:. Manuscritos de Qumran têm os mais antigos textos bíblicos .:

 

Por: Edda Bergmann *

Acabam de ter sido expostos na Pinacoteca do Estado de São Paulo os manuscritos de Qumran, sem divulgação e sem o caráter chamativo que mereciam.
Os manuscritos do Mar Morto foram descobertos por um jovem pastor beduíno que procurava um bode perdido na região de Qumran à beira do Mar Morto em 1947 e tornaram-se objeto de uma fascinante contenda, pois foram encontrados em terreno então pertencente à Jordânia.
Seu extraordinário significado é duplo. Eles são a mais antiga versão bíblica conhecida em hebraico e são os documentos e as leis de uma seita. Os essênios que foram muito importantes na Judéia no período que culminou com a destruição do Templo pelos romanos em 70 e.c.
O que hoje sabemos a respeito dos essênios nos foi transmitido por Filon de Alexandria e Flávio Josef Fus, autores judeus de língua grega que viveram no período, mas nada restou desta sociedade nesta época a não ser estes manuscritos.
Os essênios eram um grupo asceta que fundou sua primeira comunidade em protesto contra o que acontecia com as famílias sacerdotais em Jerusalém, provavelmente a partir do ano 300 a.e.c.
Qumran era sua capital, mas eles estiveram presentes em todas as cidades judaicas, ao lado dos fariseus e dos saduceus, as duas seitas principais em que se dividia a religião judaica na época.
Os manuscritos do Mar Morto, portanto, apontam para uma diversidade previamente desconhecida na vida judaica no período que culminou com a destruição do Segundo Templo, um cataclismo para o judaísmo, que foi precedido pela destruição de Qumran pela Décima Legião Romana em 68 e.c.
Os manuscritos não são documentos do início da cristandade, nem refutações da divindade de Cristo, mas parte de um todo.
Eles realmente contêm várias passagens, como o Velho Testamento em geral, que prenunciam o pensamento do Novo Testamento principalmente o quarto Evangelho.
Na verdade, o que os manuscritos dizem mais claramente sobre o cristianismo é que ele foi uma seita judaica ligada a todas as principais tradições do judaísmo.
O líder da seita de Qumran parece ter sido “o professor de integridade” um mestre carismático, em conflito veemente com os sacerdotes hasmoneus que dominavam a vida religiosa centrada no Templo de Jerusalém.
Hoje, parece certo que estes pergaminhos foram escritos em Qumran e que este foi um centro importante. Tinteiros, um relógio de sol, potes, louça e várias pedras foram descobertos na região.
Trabalho, estudo, humildade, refeições comunitárias, eram todos muito importantes na filosofia desta seita ascética.
A água utilizada por seus habitantes em seus banhos rituais vinha das montanhas atrás de um intricado sistema de túneis e aquedutos, e enchia poços profundos e banheiras.
As construções feitas de pedra maciça e cobertas com folhas de palmeiras e toldos eram protegidas por penhascos íngremes.
Nestas construções os qumramitas escreviam e faziam suas refeições solenes.
E foi lá que os documentos permaneceram guardados em jarras altas, extremamente delicadas, imperturbáveis por 2.000 anos.
Foram recuperados para o Estado de Israel. A maioria hoje está em Jerusalém no Santuário do Livro. Há 5 manuscritos principais e 80.000 fragmentos, hinos, profecias, comentários e exorcismo, muitos dos quais ainda esperam a tradução do hebraico e do aramaico.
Os manuscritos mais completos estão em exposição em Israel há 30 anos e alguns estão sendo recuperados como o manuscrito da Ação de Graça.
Ver o manuscrito de Isaias com o comentário de Habacueue, com cada ruga do pergaminho de perto. Cada pequena marca de tinta em cada linha claramente visível é uma experiência avassaladora.
Muito do que damos por certo em nossa cultura tem conexões diretas com Qumran. São filigranas de conhecimentos que perduraram delicada, mas obstinadamente durante 2 milênios e chegaram inalterados até os nossos dias.
Pena que muito pouco se falou e se comentou sobre esta exposição e que ela não foi pedida e levada para outros Estados.
Mas foi um marco muito importante da presença de Israel 2.000 anos antes na região do Mar Morto e em Jerusalém, que deveria ter sido utilizada para a opinião pública e os meios de comunicação e retirar o mito de que os judeus só foram para Israel em 1948, expulsando os palestinos que lá não estavam.

*Edda Bergmann éVvice-presidente Internacional da B’nai B’rith.

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